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sábado, 21 de setembro de 2013

BONECAS DE PAPEL PARA VESTIR - PAPER DOLLS - QUEM JÁ BRINCOU COM ELAS?

Quem brincou com bonecas de papel em sua infância certamente nunca se esqueceu! As bonequinhas eram todas desenhadas, vestindo apenas roupa básica. As roupas e acessórios vinham em separado, com abas sobre os ombros e outros pontos do corpo para serem dobradas sobre o corpo da boneca, como forma de sustentação. As bonecas traziam (e certamente ainda trazem!) em geral um conjunto de roupas, podendo ser trocadas e alternadas, entre saias, calças, blusas, sapatos, chapéus, bolsas, vestidos de baile, época... Enfim! Um exagero rumo à imaginação daqueles/as que amam as Bonecas de Papel.
As bonequinhas de papel com suas roupinhas - recortáveis e montáveis - como hoje as conhecemos, começaram a ser difundidas na Europa há muito tempo atrás. Lá pelo final dos idos de 1700, onde as primeiras bonecas de papel - verdadeiras - foram confeccionadas nos grandes centros urbanos de Viena, Berlim, Londres e Paris. Eram figuras pintadas a mão e trajes criados para o divertimento de adultos ricos. Alguns acreditam que tenham sido feitos por uma costureira para mostrar formas reais, ou podem ter sido feitos como sátiras sociopolíticas das figuras populares da época. 
No ano de 1791, uma propaganda de Londres anunciou uma nova invenção, então chamada a boneca inglesa. Era uma figura de uma jovem, com oito polegadas de altura, com um guarda-roupa completo de roupa íntima, acessórios para cabelos e seis conjuntos de roupa completos. Bonecas semelhantes a esta foram vendidas também na Alemanha. As bonecas de papel só passaram a ser produzas em larga escala e para as camadas mais populares no início do século XX.
Nos anos 1900 houve uma febre das bonecas de papel nos muitos setores voltados para a mulher e a criança, como revistas femininas e infantis. Elas passaram a aparecer também nos cadernos femininos e infantis de diversos jornais e outras publicações. Muitos artistas dedicaram-se anos a fio à criação e publicação das bonecas. 
A era de ouro das bonecas de papel ocorreu entre as décadas 1930 e 1950, quando sua popularidade atingiu índices nunca superados. Mesmo durante a Segunda Guerra Mundial elas continuaram sendo fabricadas, apesar da escassez de papel.
A primeira boneca comercial foi fabricada em Londres (1810) por S&J Fuller, e chamava-se Little Fanny. E a primeira boneca de papel produzida na América foi na cidade de Boston (1812) por J. Belcher. Nos anos 1820, conjuntos de bonecas eram produzidos na Europa e exportados para crianças de famílias abastadas em outras partes do mundo. A primeira boneca de papel retratando uma pessoa famosa foi da bailarina Marie Taglioni, nos anos 1830 e nos anos 1840 foi publicada outro conjunto retratando desta vez a bailarina Fanny Elssler. E nesta mesma década foi publicada a boneca da Rainha Vitória. Atualmente estas bonecas são consideradas valiosas raridades.
Não sabemos ao certo quando as bonecas de papel aportaram aqui no Brasil. Acredita-se que na década de 30 elas vinham de Paris e eram vendidas em lojas de brinquedos.
Anos 40.
Anos 40.
Anos 50.
Numa época onde as Barbies eram um luxo ao alcance de quase ninguém, poucas coisas deviam ser mais divertidas para as meninas, moças ou donas de casa quanto vestirem suas bonecas de papel. 
Alguns estudiosos da história das bonecas de papel atribuem ao surgimento da Barbie como causa do declínio na popularidade das bonecas de papel na década de 1960. Será?  Contudo na década de 1990, a Barbie foi uma das bonecas de papel mais populares entre crianças e colecionadores. Sem falar que as versões da Barbie em papel e de sua irmã, Skipper, foram amplamente comercializadas nos anos 1970 para suplementar suas parceiras tridimensionais. O namorado Ken também foi vendido no formato de papel. Não vamos culpar a coitadinha da Barbie, tem espaço para todo tipo de boneca, né mesmo?
Anos 60.
Anos 60.
Anos 60/70.
Anos 60/70.
Anos 60.
Anos 60.
Anos 60.
Até no Japão elas fizeram sucesso com as bonequinhas vestidas de gueixas.  
O que eu acho bom nesse universo das bonecas de papel é que elas são um estímulo à imaginação da criança, tal quais as ilustrações dos livros, estimulando-a sem dar todas as respostas, cabendo à criança completar a criação com seu imaginário próprio.
Estas bonequinhas de papel (conhecidas como cabeçudas) eram comuns na década de 70.
Bonequinhas de papel da Sarah Kay... Outra febre nas décadas de 70/80.
As celebridades e as estrelas de cinema eram muito populares e retratá-las era muito simples nos anos 30, 40 e 50, quando não haviam sido regularizados os direitos de reprodução. 
As estrelas de cinema e suas imagens eram geralmente propriedade dos estúdios, e elas mesmas nunca viram a renda de sua venda como bonecas de papel. Com as imagens de celebridades protegidas hoje pelas leis, um editor deve pagar horrores pelos direitos de reproduzir nossas estrelas favoritas no formato de bonecas de papel.
Imaginem poder construir todo um “star system” somente com divas de Hollywood, todas em papel Kraft. De um lado, as Divas, Marilyn Monroe, Elizabeth Taylor, Grace Kelly... Todas de roupas íntimas à moda da época e, na página ao lado, um guarda-roupa completo com pequenas abas para dobrar e prender. Um luxo, não.
Fala-se até de uma "época de ouro" das bonecas de papel. Teria começado no final dos anos 30 e se estenderia até os anos do pós-Segunda Guerra; eram muitíssimo populares porque o papel tornara-se um produto acessível, bem mais barato que nos anos anteriores e o estrondoso sucesso em todas as casas, como já foi dito a cima, eram as bonecas de celebridades, principalmente das estrelas do cinema. Como essa abaixo: Nossa querida Audrey Hepburn.
Audrey Hepburn
Elvis Presley
Marilyn Monroe
Lauren Bacall
As roupas da Lauren.
Grace Kelly
Grace Kelly
Barbie e o Ken
Vestir o Presidente dos EUA e a Primeira Dama é coisa para poucos. Só mesmo em Paper Dolls... RS!
Jackie e John Kennedy
Gwyneth Paltrow
Nicolle Kidman
Atualmente, o formato das bonecas de papel é usado em diversas formas de arte e diversão. As bonecas e bonecos de papel vêm ganhando espaço entre as crianças, nos dias atuais, na forma de personagens já conhecidos e de pessoas famosas. Elas também já encontraram seu espaço na Internet e no formato digital.
Imaginem você continuar vestindo a realeza britânica, primeiro foi a Rainha Victória e agora William e Kate. E o bom de hoje em dia, com os recursos da internet, a brincadeira ficou melhor ainda, pois podemos imprimir, cortar e brincar à vontade. E se rasgar, é só imprimir de novo. Simples assim... kkkkk!

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

AS BOLAS QUE FIZERAM PARTE DAS NOSSAS VIDAS...

 
Nunca fui um primor de criancinha graças a Deus... E minha mãe - felizmente - teve que se acostumar com o meu jeito espontâneo. Era um chato, metido e porque não dizer, bastante sincero. Sincero o suficiente para não levar desaforo para casa. Eu comentava tudo o que me desagradava e, confesso, adorava brincar e tirar onda. Contudo, sem perder a classe (as vezes!) e a educação. Certa vez fui a um aniversário de um de meus melhores amigos da escola, um cara super tímido e bem educado... Eu, juntamente com Zé Junior (outro amigão da escola), ficamos de olho nos presentes que o menino ganhava. Que coisa feia, né! Eu sei... Mas e daí, já passou tanto tempo e ninguém tem mais nada a ver com isso. Enfim, não tiramos o olho da caixa de presentes... E para nossa surpresa! Só eu contei onze bolas que o garoto ganhou. Zé Junior contou doze bolas... Agora me digam, sinceramente. O que um garoto vai fazer com doze bolas ganhas num aniversario de 07 anos, se nem irmã caçula ele tinha... Absurdo! Mas parece que na década de 70 o presente mais fácil e mais em conta era uma bola. E todo aniversário era a mesma coisa, fosse de quem fosse, tinha que haver ao menos uma ou duas bolinhas de presente. Agora imaginem vocês, uma criança de 07 anos no dia de seu aniversário, cheia de expectativas para abrir os presentes... E de repente a cada presente que ele abria era uma bola atrás da outra. Nem queiram imaginar a cara do coitado do meu amigo agradecendo... “Obrigado fulano, é linda”; “Ôxe! Nem precisava se incomodar”. “Era o que eu queria realmente”... Mentira! O menino, coitado, era muito educado. Foi ai que eu me intrometi sem ter nada a ver com a história... É que teve uma mãe de um dos convidados que mandou o filho entregar o presente (mais uma bola, lógico!) e ainda pediu para o filho dizer: “Minha mãe mandou dizer que você nem ligasse, porque era só uma lembrancinha, uma besteirinha de nada, viu.” Daí eu não me aguentei...  Peguei a bola que nem minha era, e disse: É mesmo? Uma besteirinha de nada, e é?... Então tá. Dei um bicão na bola que ela foi bater na outra esquina ainda enrolada com papel de presente e tudo. Ah! Tenha dó... Coitado do meu amigo!!! 12 bolas, uma para cada mês... Quando cheguei em casa levei uma pisa e tive que pagar um outro presente pro meu amigo, mas evitei dele ganhar mais uma bola... Ora bolas! Daí minha mãe comprou uma lancheira "arretada" para ele, era da série "perdidos no espaço". Ele adorou o novo presente e até hoje somos grandes amigos. Né, Carlinhos...
E já que o assunto são bolas, bolas, e bolas... Vamos relembrar de algumas bolas  da nossa infância?
Essa bola aqui, tadinha... Era a pior de todas! Somente criancinhas desorientadas e abaixo dos 03 anos de idade pediam para a mãe comprar esse tipo de bola... Acho que eram feitas de plástico de cortinas de banheiro e coladas com não sei o que... Comprava-se num dia, e no outro, amanhecia murcha. Eu também já passei por isso. Já tive minha fase desorientada aos 03 anos de idade também,  né?
Eu me lembro que essas bolas eram vendidas em festas de padroeira, São João e nos parques de diversões... Os bebezinhos se "esgoelavam" querendo essas bolas e outras coisas mais. E como essas bolas eram bem baratinhas, tornava-se a melhor opção para calar a boca dos guris.
Ah! Já perceberam o pito e/ou canudo usado para encher a bola?
Uma coisa medonha... Nem Freud e suas fixações fálicas aprovariam tal "canudinho" de sopro. 
E essas aqui? Bolas que não podiam ver um prego ou qualquer outra coisa de ponta nem de longe.. Um estouro só! 
Essas bolas eram bem grandonas. O tipo de bola que só as meninas gostavam de ganhar. O menino que ganhasse uma bola dessa, não pensava duas vezes, ou vendia, trocava, estourava e em ultimo caso, dava para irmã na mesma hora. 
Minha irmã e suas amigas passavam horas brincando com elas... Ficavam em círculo jogando uma para a outra, de mão em mão. Era um joga pra lá, um joga pra cá que não tinha fim. Uma chatice... O bom era quando a bola estourava... Buuuum!  Era tanta da menina chorando, pois nenhuma queria assumir a culpa. Coitada da dona da bola, tadinha. 
Essa bolinha aqui era aquele tipo de bola que se jogava na garagem, na varanda e nos corredores em dias de chuva. Jogar bola na chuva era a mesma coisa que escutar o eco de todas as mães do mundo gritando: Olha a chuva... Acabou a brincadeira! Já pra dentro... Agora! 
Quem não se lembra de pelo menos uma dessas bolas nas décadas de 70, 80 e 90.  Até hoje elas parecem nos dizer: Ei, lembram da gente?  
E as bolas de meias? Quanta saudade... Há quem preferisse jogar sempre com elas. Era fácil de fazer uma Bola de meia ou Bola de trapos, como muitos a chamavam também. Bastava uma ou duas meias de nylon usadas e uma quantidade suficiente de jornal velho amassado para servir de enchimento. Na falta de uma bola oficial, a improvisada bola de meia servia, e como servia.

“Bola de meia, bola de gude
O solidário não quer solidão
Toda vez que a tristeza me alcança
O menino me dá a mão
Há um menino
Há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto fraqueja
Ele vem pra me dar a mão”

(Milton Nascimento)


Essa era a bola que levávamos escondido para jogar no pátio da escola. Na minha época era proibido jogar bola na hora do recreio. Imaginem! A criança não podia entrar suja nem suada em sala de aula.  Criança limpa e devidamente fardada era uma questão de "Ordem e Progresso" para o sucesso e futuro da Nação. Coisas da Ditadura dos anos 70... Arg!!!
Ah!  A Bola Dente de Leite... Essa bola sim, dava gosto  ganhar de  presente.
E a bola oficial dos anos 70... Nossa senhora! Era um sonho distante para muitos. Dedico este post a Zé Júnior e a Carlinhos (que continua educado e um péssimo jogador, tanto quanto eu).