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sábado, 7 de setembro de 2013

BIOTONICO FONTOURA - BÊ, Á, BÁ. BÊ, E, BÉ. BÊ, I, BI...OTONICO FONTOURAAA!!

O Biotonico Fontoura - juntamente com o Emulsão de Scott, o Calcigenol, o Leite de Magnésia Philips e o Bromil - é o tipo do remédio que ao passar por nossas vidas deixa um gosto amargo ou um gosto de quero mais... Nossa memória afetivo/gustativa tanto registra na nossa "cachola" quanto facilita o resgate desse tipo experiência. Eu particularmente adorava o Biotonico Fontoura e odiava o Calcigenol, o Leite de Magnésia Philips e o Emulsão de Scott.  Querendo ou não, esses fortificantes fazem parte da minha (da nossa!) infância. 
Hoje eu até entendo porque o Biotonico Fontoura era o meu preferido. Ele era o inverso dos demais... Enquanto o Emulsão tinha um desprezível gosto de óleo de fígado de bacalhau, o Calcigenol e o Leite de Magnésia Philips tinham gosto de barro, o Biotonico Fontoura tinha gosto de cachaça adocicada, aguardente, pinga. Sim, o Biotonico, assim como o Sadol, entre outros xaropes da época, tinha álcool em sua composição. A fórmula original do Biotonico Fontoura continha 19,5% de álcool etílico; em 2001 a Anvisa proibiu álcool em formulações destinadas às crianças, nesta época o produto continha 9,5% de álcool etílico. Hoje o Biotonico contém em sua composição apenas “sulfato ferroso, acido fosfórico, extratos de plantas tônicas, aromáticas e eupepticas” (tá no site, tá!). Eu como sempre fui fraco pra bebidas, certamente ficava meio “bebim” e comia tudo que minha mãe colocava no prato na expectativa de beber mais Biotonico Fontoura no outro dia... Sério mesmo! Eu achava uma delícia. Aquele gostinho que ficava na boca... hummm!  Não queria nem saber se continha ferro e sei lá mais o que, eu só sei que eu tomava uma colher de sopa bem cheia antes das refeições e, às vezes, muitos goles escondido. Se algumas ex-criancinhas “sem noção” que conheço hoje, naquela época, tivessem descoberto o porquê daquele gostinho... Imaginem!!!! Com duas pedrinhas de gelo e umas folhinhas de hortelã fariam a festa... KKKKKKKKKKKK. Quem vê? Diz que bebo, né?
Contam os mais entendidos no assunto que Cândido Fontoura, em 1910, fundou em São Paulo uma fábrica para a produção de um fortificante que ele já havia criado para poder tratar de sua digníssima esposa, que então se encontrava doente... Daí ele pretendia fabricar um fortificante de ótima qualidade para concorrer com o Emulsão de Scott e com o Elixir Nogueira, que eram os medicamentos “bambambans” do momento. 
E num é que o danado do Fontoura conseguiu... O Biotonico fez e continua fazendo sucesso até hoje.  É um fortificante e antianêmico que contém na sua fórmula atual: sulfato ferroso e ácido fosfórico. E dizem... Nada mais de álcool.
Dizem ainda que o nome Biotonico Fontoura foi dado por Monteiro Lobato, pai do "Visconde de Sabugosa" e amigo particular do então farmacêutico Fontoura.
É que ambos trabalhavam no mesmo jornal - O Estado de S. Paulo - e Monteiro Lobato sentia-se muito fatigado, cansado e exausto com "As Travessuras da Emília..." Foi quando Fontoura indicou o medicamento ao amigo e este logo se sentiu mais animado para escrever as "Reinações de Narizinho..." RS!
Meu tio, na época, costumava tomar o Biotonico Fontoura batido com 02 ovos de pata e creme de leite. Ela ia bebendo um ou dois cálices diariamente para ter mais robustez. Aqui pra nós, eu acho que ele exagerava nas doses devido ao álcool contido na sua fórmula. Vai saber...
Propaganda da década de 40.
Durante muito tempo, o Biotonico Fontoura, recomendado para o tratamento da anemia verminótica, foi um remédio super mega popular. Primeiro, porque era eficaz mesmo. E segundo, porque foi promovido aos quatro cantos do país por nada mais nada menos que Monteiro Lobato. O personagem que ele criou para isso, Jeca Tatu – uma espécie de Macunaíma ao contrário, um caboclo exaurido pela doença –, tornou-se imensamente popular. Jeca Tatu era um símbolo do Brasil – de um Brasil pobre, do Brasil doente. E esse Brasil pobre, esse Brasil doente via no Biotonico Fontoura a cura para seus males.
“Biotonico Fontoura dá fome de leão”, dizia mais uma de tantas campanhas publicitárias do fortificante produzido à base de sulfato ferroso, ácido fosfórico e extrato vegetais.
O Biotonico Fontoura foi usado por décadas com a finalidade de melhorar ou aumentar o apetite das crianças.
Biotonico Fontoura! Bom para toda a família...
Biotonico Fontoura! Bom para todas as idades...
Diziam também na época, que o principal produto do Laboratório Fontoura, o Biotonico, lógico! Passou a fazer parte do imaginário popular, com fatos como a incrível exportação do então “ex-remédio” popular brasileiro para os Estados Unidos da America em pleno anos 20, período que a Lei Seca imperava por lá. E como tudo era proibido – a fabricação e a comercialização de bebidas alcoólicas - o Biotonico Fontoura exportado teria feito muito sucesso na terra do Tio Sam. É que o tônico com seu teor de álcool, quando um pouco gelado, podia passar por um agradável vinho do Porto. Simples assim... É o que diziam!
Propaganda anos 30.
Propaganda anos 40.
Propaganda anos 40.
E os Almanaques de Farmácia?  O Biotonico Fontoura não podia ficar fora dessa. Também lançou o seu: Almanaque do Biotonico. O almanaque divulgava o laboratório e pregava uma campanha contra a ancilostomose através do personagem Jeca Tatu.
Almanaque nos anos 50.
Almanaque nos anos 60. Quando fez cinquenta anos...
Quem se lembra do slogan do produto...  “É Ferro para o sangue e fósforo para os músculos e nervos” e seu Jingle dizia mais ou menos assim: Bê, á, bá. Bê, e, bé. Bê, i, Bi...otonico Fontouraaaaaaaa! Saudades de quando eu entoava esse Jingle.
Pelé foi um garoto propaganda do medicamento.
Olhai o Pelé tomando sua "lapadinha" diária de Biotonico.
Propaganda dos anos 60.
No ano de 2010 o Biotonico Fontoura completou 100 anos e entrou para a lista dos medicamentos mais antigos – ainda - em circulação no Brasil.
E não foi só o Pelé que foi garoto propaganda do remédio não, a Xuxa também!
O Biotonico continua na prateleira da história, junto com tantos outros medicamentos, que como ele , se tornou centenário e que hoje olha saudoso para o país que um dia tanto o reverenciou.

domingo, 29 de março de 2009

EMULSÃO DE SCOTT - O PURGANTE -

Agora é Papo Sério!! O que vocês fariam se descobrissem que sua MELHOR AMIGA (mulher bem resolvida, psicóloga e mãe) costuma torturar seus dois únicos filhos? Geeente! Vocês não têm idéia o que foi essa descoberta para mim. Imaginem Caríssimos/as... Do nada! Estou eu tomando um café na casa dessa minha MELHOR AMIGA, numa cozinha belíssima, “by Maison&Charmet” (ela vai me matar por isso!!!). E de repente vejo – lá, looooonge - num cantinho do armário... Uma visão do capeta: Um Vidro de EMULSÃO DE SCOTT !!! Lembram? Aquele remédio que tinha um Pescador com cara de papa-figo, todo encurvado e que carregava um peixe enorme nas costas. Enfim, um “Purgante sinistro”. Daí eu perguntei para ela: O que esta coisa fedorenta, branca, leitosa e com gosto ruim esta fazendo na sua cozinha maravilhosa? E ela me respondeu com a cara mais lavada do mundo: É um fortificante que eu estou dando para os meninos, eles tomam 03 vezes ao dia. JURO! Eu não quis acreditar... Como é que uma mãe em pleno século XXI ainda faz um negócio desses com os filhos? Ela só pode ser mais uma daquelas mães torturadoras do século passado... Igual ás nossas! Que corriam atrás da gente com uma colher cheínha de Emulsão de Scott... 


E o mais incrível!!!  Eu acabo de descobrir que esse remédio é fabricado há mais de 180 anos! E pensar que as crianças bebem (e/ou vomitam) esse fortificante desde 1830. Sinceramente! Como um remédio de gosto tão ruim perdura tanto tempo assim no mercado. Só pode ser – DE FATO - um BOM remédio. Ou, um CASTIGO dos céus para punir todas as crianças... Eu até concordo que o remédio seja realmente eficaz no tratamento de crianças desnutridas. Mas por favor... Deveria vir no rótulo: ATENÇÃO MÃES - “Medicamento de sabor intragável” – EXPERIMENTE ANTES DE DAR AOS SEUS FILHOS. Mais justo, né não?

Propagandas das décadas de 20 e 30... "É com saúde que se evitam as doenças". É mesmo, e é?

Daí eu fico reparando nas propagandas da época (décadas de 20/30)... Eu acho um verdadeiro embuste: Quando que uma "CREANÇA" saudável iria "berrar" - desesperaaaaada!!! - por um vidro de Emulsão de Scott??? Nunca. Só sendo "DEBEIS" mesmo... Sem falar no preconceito explícito: Colocam uma Negra pisando no rabo de um gato (preto) como se fosse uma vilã a roubar uma deliciosa caixa de chocolates... Ora! Me poupem. E o pior de tudo é que os pais acreditavam... E VIVA "A SAUDE DAS CREANÇAS."

Anúncios da década de 20 e 30... "Não haveria crianças debeis, se todas tomassem Emulsão de Scott". 
Perdoe-me àqueles que são fãs de Emulsão de Scott, mas eu não desejo ao pior de meus desafetos uma colherinha de chá desse remédio. Falo sério... Geeente!! Não estamos mais nas décadas de 20/30/40/50/60/70... Tenho certeza que já inventaram um fortificante mais moderno e menos intragável. O mundo hoje evoluiu e os medicamentos também... Até o Merthiolate, que ardia pra danar, hoje já não arde mais! E para quem não sabe ou nunca experimentou, a Emulsão de Scott é um fortificante à base de óleo de fígado de bacalhau (sentiu o drama, né?). E consta na bula que é rico em vitaminas A e D, possui alto teor de ácidos graxos polinsaturados, como por exemplo, o ácido palmitoleico, ácido esteárico, ácido oleico, ácido linoleico e o ácido araquidónico. Bem como o fosfato monossódico, fosfato dicálcico, Hipofosfito de Sódio e... BASTA! Já leram o suficiente. Então penso o seguinte: Quer dizer que esse remédio tem tudo isso é? É mes-mo! Tão simples assim? Im-pres-si-o-nan-te quanta coisa “deliciosa” a fórmula desse remédio contém. Tô salivando até agora... Francamente! Se algum de vocês ainda se impressiona com bula de remédio, achando que vai se dar bem devido ao excesso de nomenclatura contida no frasco, SE LASCOU! Pois saibam que se for assim, o sobrinho do primo da amiga da cunhada da avó da tia da vizinha e agora sogra do “urso” de estimação da professora de um colega meu (ta bom ou quer mais?), vomitava todo dia ao beber Óleo de fígado de Bacalhau... Entenderam o recado, né? Ora!! Me poupem.

Anúncios da década de 40.
Anúncios da década de 50.
Anúncios da década de 50.
Anúncios da década de 50.
Anúncios da década de 50.
Anúncios da década de 60.

Esse remédio pode ter a tradição que tiver; pode ter sido o “aliado mor” da minha mãe em prol de minha saúde; pode até ter sido o maior fortificante na época... Mas meu bem! Tudo isso foi desde o tempo em que Hebe era paquita. Mas hoje, (pelo menos para mim) não é mais!! Eu fiquei com trauma desse remédio até hoje. Ele me provocava na época, ânsia de vômito, nojo e caretas horríveis. Eu tinha que tapar o nariz para beber e depois era só ficar esperando os enjôos e os  arrepios. Eiii! Calmaaa... Não quero aqui parecer um ingrato! Lógico que agradeço a eficácia de sua fórmula! Pois tomei o dito cujo durante anos a fio e... SOBREVIVI. Sobrevivi duplamente, tá! Ao gosto horrível do remédio e a probabilidade de morrer um “erê” nas estatísticas do Ministério da Saúde na época.  Mas enfim, esse remédio foi um terror na minha infância e me deixou sequelado para o resto da vida. Por isso é que ameacei minha MELHOR AMIGA, ou ela parava de torturar as crianças com esse medicamento ou eu nunca mais iria à sua casa. Bom, acho que fiz uma boa ação: Salvei as crianças. Pois ela (a mãe e ex-torturadora) ficou de substituir o tal fortificante por outro menos intragável. E eu continuei sendo seu MELHOR AMIGO. 

quinta-feira, 26 de março de 2009

COITADINHO DO "BIXIM"...

Já nem me lembro de quantas vezes me comportei assim:
- Ô Bããããeee!!!
- Que foi filho? Tá melhorzinho...
-Tô dão! Êu to bem bal... Dem vãlãr eu posso, ãããrrr...
- Eu sei filho, é a garganta... Mas já vai passar.
-Tô Grîbado, com dosse, febre e dariz endubido. (Coff, Coff e Coff.)
- Eu sei filho, mamãe já deu remédio. Agora fique quietinho...
- Ô Bããããee!!!
- Oi Dhotinha, diga... Mamãe ta aqui.
- Abanhã eu dão vou brâ ESCÔLA dão, nê ??
- Vai não. Mamãe já mandou avisar pra sua professora (Dona Raimunda) que você não vai.
- Ããããrrr, tã bom bãe! Tê amo.
- Agora vê se dorme,viu...
- Bença Bããe?- Deus te abençoe, meu anjo.

Geeente!!!! Não me digam que vocês acreditaram nesse anjinho (quase moribundo) de candura? Tudo T- e - a - t - r - o. Verdade! Eu adorava ficar doente para não ir á escola. Bastava um pequeno resfriado que eu fazia aquele drama. E cansei de fazer isso diversas vezes. E aqui pra nós... Qual a criança que nunca exagerou - um pouquinho que fosse - ao ficar doente? Eu mesmo tinha uma receita infalível para transformar uma “gripinha” de nada, numa “gripona”. Eu só precisava fazer um teatrinho básico. E isso incluía um pouco de tudo: Cara de morte, olhos com olheiras enoooormes, o cabelo medonhamente despenteado e principalmente, a voz anasalada. Daí eu ficava emitindo (repetidamente) aquele som fãnho que prolonga as vogais, tipo: Ãããrr. Depois era só ficar ofegante a cada palavra que era dita, e pronto. O restante ficava por conta de assuar o nariz (a cada 05 minutos), tossir e espirrar. E quer saber? Eu acho que no fundo, toda criancinha adoentada (falo das espertas, ta!) sabia tirar proveito da situação e tinha lá os seus ganhos (e perdas também!). O que se ganhava era: Ficar em casa sendo mimado por vó, mãe, tia e Cia; Não ir pra escola; tomar chá, lambedor e mastruz com leite; se melar “todim” de Vick Vaporube (adorava aquele cheirinho de cânfora); ficar na cama fazendo planos para beber o vidro inteiro do Xarope Bromil; ficar olhando para a pastilha efervescente do Redoxon/Cebion (até ela desaparecer no copo); colocar um pano embebido no álcool ao redor do pescoço e assumir o status de “Coitadinho do bixim”. E tem mais, com esse “status pseudo/doentil” você podia exigir de tudo e todos um monte de regalias... “ Ô Bãããee !! EU QUERO banana flambada com calda de caramelo, ta!!! (Sem comentários, por favor!!). Agora! Quando a coisa ficava séria e o resfriado mixuruca se transformava numa quase bronquite. Dossa Bãe!! (digo, Nossa Mãe!!). Era um Deus nos acuda... O Teatrinho básico? Há, há! Num instante se acabava meu bem. Meu pai dizia logo: Vai chamar João dos Passos na Pharmácia... Era INJEÇÃO na certa! E a única saída era se esconder debaixo da cama. Bom, isso já é uma outra estória, um outro teatro... Saúde Caríssimos/as!!!