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terça-feira, 31 de agosto de 2010

ASSEGURE SEU FUTURO !!! ESTUDE NO IUB - INSTITUTO UNIVERSAL BRASILEIRO -

Quero acreditar que a maioria de vocês, algum dia, já se deparou com um encarte do Instituto Universal Brasileiro. Eu quando criança, sempre que comprava um gibi, fosse da editora Abril/ Vecchi/ Ebal/ RGE e etc... Lá estava o tal encarte dizendo: “Assegure o seu Futuro! Estude por correspondência no Instituto Universal Brasileiro”. E eu achava o máximo essa estória de estudar por correspondência. E de acordo com meus “miolos” de criança atropelada das idéias, estudar no IUB era tudo que havia de mais moderno. Principalmente por se tratar de um Instituto que falava de algo assim... Como direi: Tão Universal, tão Brasileiro, tão abrangente... E tão presente em TODOS os meus gibis. E eu juro, fiquei muitas vezes “angustiado” pensando que o meu futuro só estaria garantido através dos cursos do IUB. Verdade! Eu ficava super preocupado cada vez que abria as páginas dos meus gibis e a propaganda era sempre a mesma: “Assegure o seu Futuro...” Isso era um tormento dentro da minha cabeça. E querem saber o porquê desse tormento todo? E o que tinha a ver minha “angustia” com o IUB? Ora! Tinha tudo a ver... Eu era um garoto que aspirava ser um astronauta da NASA para fazer pesquisas nas crateras lunares e infelizmente, o Instituto Universal Brasileiro só oferecia cursos de torneiro mecânico, corte e costura, mecânica e elétrica de automóveis, rádio, televisão, eletricidade e tantos outros. Menos, o meu curso de astronauta. Somente depois é que vim entender que a proposta do IUB era o de aperfeiçoamento técnico com bases profissionalizantes. Atualmente eu não moro na lua e morro de medo de choque elétrico.
O Instituto Universal Brasileiro foi fundado em 1941 e é um dos pioneiros no ensino à distancia no Brasil. Com o passar do tempo, veio a se tornar a maior escola do gênero no país. Já formou milhares de alunos nos Cursos Profissionalizantes, Supletivo e Cursos Técnicos. Ele faz parte da primeira geração de ensino à distancia (o ensino por correspondência ) caracterizado pelo material impresso e distribuído por meio de empresas de correio, modalidade na qual ele é destaque no Brasil. Atualmente o ensino à distancia envolve toda uma tecnologia via internet. É praticamente tudo on-line e com altos recursos de multimídia.
O Instituto Universal Brasileiro há quase 70 anos, vem desempenhando (ainda) um papel relevante no método de ensino à distancia. Pois em nosso país existem pessoas que, por vários motivos, não podem freqüentar as escolas regulares e nenhum  curso profissionalizante.
Propagandas como esta sempre afirmavam que: “Estude nas horas de folga. E logo aprenderá a montar e consertar rádios, televisores, transistores, toca-discos, radiolas, três em um e etc. Vossa senhoria poderá GANHAR MUITO DINHEIRO com trabalhos fáceis e muito procurados.” Eu mesmo conheci muita gente em minha cidade que sustentou famílias inteiras após terminar os cursos da IUB.
O que eu achava engraçado eram os depoimentos com as fotos estampadas nos encartes do IUB... Tipo: Onezindo C. dos Santos, Tupã – MG. Ganhava o salário mínimo e hoje tem oficina de rádio e Tv e uma perua KOMBI. Chega a ganhar até Cr$: 600,00 por mês; José Lopes de Freitas, Furnas – MG. Diz que graças ao curso de Rádio e Tv, chega a ganhar Cr$ 100,00 por mês. O máximo não?
Existiam cursos específicos para mulheres como: Corte e costura (o mais procurado), bordado, tricô, crochê, secretária particular entre outros. O curso de corte e costura promoveu a independência financeira de muitas mulheres na época. O kit do curso vinha completo, com moldes, fita métrica, tesouras, papel de seda e manilha, régua, carretilha, figurinos para adultos e crianças e até carteiras de estudante, bem como, os com os cartões de visita. Um luxo.
Aproveite! Preencha o cupom agora mesmo e assegure o seu futuro com o Instituto Universal Brasileiro. Boa sorte!

sábado, 8 de maio de 2010

O DIA DAS MÃES E AS FESTINHAS NA ESCOLA.

Quando ia se aproximando o mês de maio nas escolas - ou melhor - nos “Grupos Escolares” da década de 70, era sinal de que as “festinhas” em homenagem ao “Dia das mães” teriam que acontecer. Daí as professoras entravam em alvoroço total. O clima na escola era de festa, preparação e ensaios. A meninada se ouriçava... E o rebuliço era geral! Haja cartolinas coloridas para fazer os painéis e os cartazes; papel crepom na cor vermelho/carmim/paixão para fazer os coraçõezinhos, os frufrus e as coisas e tal; hidrocores; pincéis pilot; tintas; tesouras; colas e recortes de revistas. E sem falar nas lembrancinhas artesanais que eram feitas pelos próprios alunos: Flores de papel recortadas e pintadas com tinta guache, caixinhas trabalhadas, potinhos de barro pintados à mão, crucifixos e cinzeiros confeccionados com palitos de fósforos e/ou de picolés... E os brindes sorteados? Todos! Eram apetrechos para co-zi-nha: Panos de prato com estampas de flores, verduras, frutas e/ou com os dias da semana pintados com tintas acrilex para tecidos (rs!). E mais, colher de pau, conjuntinho para temperos, potinhos e produtos de plástico da marca "Flexa Carioca" (produtos da tapawere?! Nem pensar meu bem... Caríssimos!). Quando muito, sorteava-se uma caixa com cinco sabonetes Lux ou um "kit completo" Alma de Flores (sabonete, desodorante e talco). Não era o máximo tudo isso?
Geeeente! E no dia dos ensaios para a apresentação? Um inferno! Era tanta da criança amontoada num só lugar; atropelando-se umas com as outras que dava a impressão de ser uma pequena revolução infantil. Sério! Um motim de crianças desesperadas. Rebentos do antigo primário... Sabe como é, né? A maioria desorientada por vida e à mercê das expectativas “artístico/dramáticas” impostas e/ou sugeridas pelas tias professoras. Oh Deus! Coitadas dessas mestras do saber. Verdadeiras heroínas da boa vontade que davam o sangue para que tudo saísse a contento. Semanas de ensaio e muito “aperreio”... Ensaiavam exaustivamente as falas, os gestos e os passinhos. Treinavam as crianças num dia e quando chegava no outro... Santa paciência! Parecia que nada tinha sido ensaiado. Tudo e-s-q-u-e-c-i-d-o! As crianças de repente - do nada - ficavam mudas, duras e empancadas sem querer mais sair do lugar. E a letra da música que foi ensaiada durante horas a fio? Nossa! Criança nenhuma lembrava mais... E quando lembrava, cantava de trás pra frente. Tinha os meninos “vexados” que se adiantavam e misturavam os passos. Meninas amostradas roubando a fala das outras... E a partir daí vinham os choros, as manhas, os gritos, puxões de cabelo, confusões, brigas... Enfim, um delicioso “purgatório escolar” para nossas professoras.
Finalmente era chegado “O Grande Dia”... Ensaiadas, adestradas, domesticadas ou não, as crianças teriam que se apresentar de qualquer jeito. Nada tiraria o brilho da festa do “DIA DAS MÃES”. E tudo sempre ficava organizado no final. O pátio interno da escola ficava repleto de cartazes produzidos pelos alunos. Cada um com uma frase diferente enfatizando os atributos maternos. Na maioria deles reforçava-se a ideia de que a mãe seria para sempre “UMA ETERNA RAINHA DO LAR”.

Aqui pra nós, uma visão extremamente machista que limitava as mulheres apenas à condição de casa/sala/quarto e cozinha... Mas isto é uma outra estória. Estórias do século passado. Rs!
Bom, as mães dos alunos já chegavam emocionadas na festa, como também, “preparadíssimas” para chorar horrores. Não era novidade alguma para elas que a "emoção" iria tomar conta de tudo e reinar absoluta. Já sabiam! E para tanto, traziam consigo lencinhos dentro da bolsa. E enquanto a festa não começava, elas permaneciam sentadas escutando pelo sistema de som (a cada cinco minutos) a quarta música do lado B do “Long Play” de Agnaldo Timóteo, intitulada: “Mamãe estou tão Feliz”, de autoria do próprio. Eis a letra:

"Mamãe estou tão feliz./ Por que voltei pra você./Alguma coisa me diz./ Que hoje eu volto a viver./Penso feliz ao seu lado./Viver distante por que./Mamãe só pra você eu cantarei Agora./ Mamãe a solidão foi para sempre embora./Essas palavras de amor que./ Digo nesta canção./Creia mãezinha querida. /Nascem no meu coração./Mamãe a chama viva que me aquece é você./Toda minha vida./Eu só desejo ao seu lado viver./Sinto tremer sua mão./E a voz cansada falhar./Ao me fazer um carinho mamãe./Numa canção de ninar./ Sua cabeça esta branca./ Mais há luz em seu olhar./Mamãe só pra você eu cantarei. Agora./Mamãe a solidão foi para sempre embora./Essas palavras de amor que digo nesta canção./Creia mãezinha querida. /Nascem no meu coração./Mamãe a chama viva que me aquece é você./Toda minha vida./ Eu só desejo ao seu lado viver."
Sentiram o clima do local né? Impossível descartar a possibilidade de não chorar. Mas a festa só começava depois do discurso da diretora, da vice, da supervisora... E se deixassem, até a tia da cantina queria discursar também. Afinal de contas, era o dia delas. Dia de todas as mães do mundo. Depois dos discursos e antes das apresentações principais, eram eleitas as cinco melhores redações da escola. O tema da redação? Ora! Nem preciso dizer (rs!). Então, cada aluno ia lá à frente, lia nervosamente sua produção e depois corria para abraçar emocionado/a sua mamãe. Confesso: Por “duas” vezes estive neste lugar. Eu era metido mesmo! Fazer o que?
Mas a festa só estava começando. Logo após as redações premiadas, era a vez do coral formado por meninos e meninas da terceira série. Com direito a “passinhos” e gestos afetuosos. O “show” era o seguinte: Todos os alunos entravam com as mãos para trás (escondendo uma flor). Depois se posicionavam de frente para a plateia e começavam a cantar a música “Flor Mamãe”. E exatamente na hora em que se falasse a palavra “flor”, dar-se-ia um passinho para frente e - num gesto de mão “inesperado” (rs!) - seriam ofertadas as flores para as mães... E de forma alternada, entre um passinho e outro, a meninada ia se esgoelando a cantar:

“Andei por todos os jardins,/ procurando uma flor pra te ofertar. /Em lugar algum eu encontrei, /a flor perfeita pra te dar./ Ninguém sabia onde estava,/ esta flor, mimosa perfeição... /Ela se chama flor mamãe, /E que só nasce no jardim do coração. /Ennfeitaaaaaaaaaa nossos sonhos,/ peerfumaaaaaaaaaa nossa ilusão...”
Ao terminar a música, era mãe chorando pra tudo quanto era lado. E um verdadeiro festival de funga-funga tomava conta do recinto. E mais, tinha diretora que era perversa. Apelava mesmo! Massacrava as pobres mães. Normalmente colocava o aluno mais “entoadinho” da escola para cantar adivinhem o que? A música “Coração de Luto” de Teixeirinha. Pode? Essa era pra matar mesmo! E pra quem não se lembra dele, Teixeirinha era um cantor gaúcho que teve a mãe queimada no fogo. O cúmulo do sofrimento... A música era uma tristeza só, ei-la :

"O maior golpe do mundo/Que eu tive na minha vida/Foi quando com nove anos/Perdi minha mãe querida/Morreu queimada no fogo/Morte triste dolorida/Que fez a minha mãezinha/Dar o adeus da despedida/Vinha vindo da escola/Quando de longe avistei/O rancho que nós morava/Cheio de gente encontrei/Antes que alguém me dissesse/Eu logo imaginei/Que o caso era de morte/Da mãezinha que eu amei/Seguiu num carro de boi/Aquele preto caixão/Ao lado eu ia chorando/A triste separação/Ao chegar no campo santo/Foi maior a exclamação/Taparam com terra fria/Minha mãe do coração/Dali eu sai chorando/Por mãos de estranhos levado/Mas não levou nem dois meses/No mundo fui atirado/Com a morte da minha mãe/Fiquei desorientado/Com nove anos apenas/Por este mundo jogado/Passei fome passei frio/Por este mundo perdido/Quando mamãe era viva/Me disse filho querido/Pra não roubar, não matar/Não ferir, sem ser ferido/Descanse em paz minha mãe/Eu cumprirei seu pedido/O que me resta na mente/Minha mãezinha é teu vulto/Receba uma oração/Desse filho que é teu vulto/Que dentro do peito traz/O seu sentimento oculto/Desde nove anos tenho/O meu coração de luto.”
Depois de mais essa tortura... Um mar de lágrimas inundava o pátio interno do Grupo Escolar. “Tsunamisava” tuuuudo! Tinham mães que passavam mal de verdade. E que de tão nervosas e descontroladas, iam pra garapa (água com açúcar) ou para o k-suco mais doce que tivesse no momento (o mesmo que seria servido na hora do lanche junto com o bolo). Eu próprio já presenciei mães estéricas, urrando, chorando alto e sem controle algum... Vexame total! Mães que acabavam assustando as crianças de tão exageradas que eram. A emoção que tomava conta do momento era tanta, que se “COSTINHA” estivesse por lá e recitasse: “batatinha quando nasce, se esparrama pelo chão...” Elas iriam chorar e se emocionar do mesmo jeito... Ah! Essas nossas mães tão amadas e tão exageradas (rs!).
Havia dois momentos que jamais podiam faltar numa festa em homenagem ao “Dia das Mães”. Eram os momentos mais esperados durante as apresentações. Um, era o “DRAMINHA” meloso e triste que era encenado ali mesmo. Na maioria das vezes contava a história de duas meninas. Uma era “póbi, póbi, póbi de marré, marré, marre...” E sequer tinha uma “calunga” de plástico para brincar. No entanto, possuía uma mãe “viva” em casa. A outra menina era “rica, rica, rica de marré decê...” Tinha a coleção completa das bonecas Susi, mas a mãe tinha morrido. Lembro que era uma mistura de drama, cantiga de roda e lamentos infantis. Moral da estória: “Quem tem mãe possui o maior tesouro do mundo”. Isso é uma verdade.
O outro momento esperado pelas mães era a coreografia apresentada pelas meninas da quarta série. Elas vestiam saínhas (plissadas) azuis, combinando com os congas, também azuis. “Colant” branco e cabelos amarrados com marias-chiquinhas bem à cima da cabeça. A coreografia era simples e bem ensaiada. As mães ficavam admiradíssimas quando as filhas rodopiavam, rodopiavam e... De repente, PLAFT! Abriam uma "escaaaala" bem no meio do salão. Era de fazer inveja as "mulé" do circo... "Ohhhh!!! Tão novinhas e tão flexíveis". Eram aplaudidas de pé. E a música da coreografia - mais uma vez - era do “Rei das Mães”, Agnaldo Timóteo. E dizia assim:

“Mamãe, mamãe, mamãe /Tu és a razão dos meus dias /Tu és cheia de amor e esperança/ Mamãe, mamãe, mamãe /Eu cresci e o caminho perdi. /Volto a ti e me sinto criança /Mamãe, mamãe, mamãe /Eu te lembro de chinelo na mão /De avental todo sujo de ovo /Se eu pudesse/ Eu queria outra vez, mamãe./Começar, tudo tudo, de novo.”
Confesso que Agnaldo Timóteo - o tempo todo e todo o tempo – devia dar nos nervos de qualquer cristão. Minha mãe, que sempre trabalhou fora, não simpatizava muito com essa música e nem com a idéia de atrelar à imagem das mães a “um avental todo sujo de ovo...” Mas tinha mães que se viam tal qual a música. Sentiam-se “Rainhas do Lar” no sentido literal da palavra. Era uma questão de dom, uma dádiva de Deus ser apenas e tão somente, donas de casa... Atualmente as mães se transformaram, é verdade. Tiraram o avental e finalmente fugiram do “borralho”. E ao descobrirem o caminho da rua, passaram a enxergar que podiam ser independentes e provedoras também! Uma maravilha tudo isso, né não?
Mas meu bem... Nem tudo é passível de mudanças numa mãe. Tem uma coisa que em "mães" nunca se muda. Até mesmo o tempo reconhece sua insignificância... Falo do AMOR MATERNO! Esse é um dom de verdade, que resiste ao tempo e as mudanças. Portanto, O AMOR DE MÃE É ATEMPORAL ! Somente ele, O AMOR DE MÃE, atravessa gerações, gerações e gerações... Permanecendo i-m-u-t-á-v-e-l! E para as mães contemporâneas e antigas, jovens e senhoras, típicas e descoladas, agitadas e quietas, presentes e ausentes, intransigentes e frouxas, ciumentas, de todas as raças, cores e credos, fica a minha sincera homenagem. E que o Dia das Mães seja - SEMPRE - E que vá muito mais além do que o consumismo dessa data.
Dedico esta postagem especialmente a Minha Mãe, Minhas Irmãs, Minhas Tias e a Minha Amiga Lusa Vilar Piancó. Exemplos de mães que com certeza, foram muito mais além do que um simples avental sujo de ovo.

domingo, 1 de março de 2009

FUI UM ALUNO DOS ANOS 70...



Recordo-me de uma semana antes do meu primeiro dia de aula - na década de 70 - quando minha irmã mais velha sentou-se à mesa comigo e com plásticos, papéis, durex e tesoura à mão, ensinou-me uma lição que jamais esqueci: Encapar cadernos e livros com papel de presente (os cadernos dela eram sempre cobertos com pôsteres de artistas da época). E após cobertos, a segunda etapa era “organizar” os cadernos por dentro. Então se dobrava a primeira página na forma de um “meio triangulo” e depois se colava um decalque ou uma figurinha qualquer recortada de revistas e livros velhos (Quê? Figurinhas “frufru” adesivas da Barbie, Garfield , Moranguinhos, Loly Pop e tal? Nem existiam! Ela gostava mesmo era de recortar e colar as figuras dos pratinhos de festas de aniversário, rs!).




Figuras recortadas de antigos livros e revistas. Bem como, decalques que se soltavam na àgua e eram colados nas páginas dos cadernos, livros, trabalhos escolares e agendas femininas. E tudo ficava tão lindo! Santa Nostalgia...

E daí eu escrevia abaixo da figura: Grupo Escolar Teresa Tôrres, Caderno de Linguagem, 1º Série Primária, Turma “A”, No: 17, Professora: Dona Raimunda ( ainda tenho esse caderno)... Era um tempo em que tudo era novidade. Eu levantava de manhã bem cedo (com um cabelo “medonho” e uma cara de ódio, tá!), escovava os dentes, enquanto minha tia preparava a lancheira. Daí tomava café e saia junto com meu irmão (também com cara de ódio). E durante o caminho - que por centenas de vezes eu fiz – imaginava que no mundo “tudo era lindo e maravilhoso”. Naturalmente que eu não sabia de nada do que rolava pelo país a fora. Os anos de chumbo caíam nas costas do povo brasileiro, pois imperava o auge da Ditadura Militar. Governo Médici. Imprensa censurada. Lei de Segurança Nacional.


Enfim, enquanto tudo isto acontecia, lá estávamos nós no pátio interno da escola: Todos trajando camisa branca de mangas curtas (com o escudo da escola no bolso), calças também curtas (de tergal) ou saias azul-marinho. Meias brancas e os inesquecíveis e confortáveis sapatos “conga” ou sapatos preto tipo colegial, nos pés. Ficávamos todos na fila, e antes de entrar cantávamos o Hino Nacional e o Hino de Pernambuco. Durante a Semana da Pátria era pior! Porque além dos dois Hinos já citados, cantávamos também: O Hino da Bandeira, o Hino da Proclamação da Republica e o Hino da Independência do Brasil. E tinha mais, existia uma tal de “Alvorada” em plena madrugada do dia 07 de setembro - para o hasteamento das Bandeiras - que era uma “tortura”para todos nós. Principalmente para os filhos das professoras da Escola (eu e meus irmãos) que tinham que dar o exemplo. E acreditem!! Em plena madrugada da semana da pátria estávamos todos lá, fardados e a postos. Cabeça erguida, postura ereta, mãozinhas em cima do peito esquerdo e a cantar em altos brados todos os Hinos possíveis e imagináveis.... Eita!!! Acabo de lembrar de outro Hino. Isso mesmo!!! Foi o Hino dos 150 anos da independência do Brasil – O Hino Sesquicentenário da Independência – e num é que até hoje me lembro dele. Pense numa lavagem cerebral da “gôta serena" que fizeram conosco. Eis o Hino:


O engraçado foi que gostei bastante desse Hino na época. E aqui para nós, era o mais animadinho, mais curto e fácil de ser cantado. Enfim, tenho saudades de mim mesmo; do bom aluno que fui (creiam!) e daquele tempo em que eu achava o “Emílio Garrastazu Médici” o cabra que tinha o nome mais bonito da face da terra. Geeente!!! Que foi? Calma... Não me olhem assim... Eu era apenas uma criança alienada politicamente. Nem sabia o que era ditadura... O problema é que sempre fui um garoto deslumbrado com tudo que era novo e diferente. E daí? E daí que Gostei do nome esquisito do presidente e resolvi, na época, batizar o meu pinto, ou melhor, batizar UM PINTO que havia ganhado de Rosa de Dona Genésia... (esclarecido?). E para encurtar essa estória: O pinto “Emílo” morreu de “gôgo”; Garrastazu Médici também morreu; a Ditadura acabou ; o Brasil continua fazendo coisas que ninguém imagina que faz e... Eu sobrevivi !!!!!

Lembram dessa cartilha? Caminho Suave (de Branca Alves de Lima). Ela nos últimos 60 anos alfabetizou cerca de 40 milhões de brasileiros. O que significa dizer que aproximadamente 1/3 da população adulta brasileira foi alfabetizada por essa cartilha. A Caminho Suave foi retirada do catálogo do Ministério da Educação no ano de 1995 (portanto, não é mais avaliada) em favor da alfabetização baseada no "Construtivismo".

Essa cartilha atravessou gerações, mas sempre exibindo as duas crianças (um menino e uma menina) rumo à escola. A Cartilha Caminho Suave deixou saudades... Um verdadeiro “marco” na alfabetização brasileira.

Assim como eu, quem ousa esquecer que a letra "a" está inserida no corpo de uma abelha, a letra "b", na barriga de um bebê, o "f" fica instalado no corpo de uma faca, a letra "o", dentro de um ovo e assim por diante. Como não se lembrar daqueles cartazes que acompanhavam a cartilha, e que nossas queridas professoras espalhavam pelas paredes. Uma das gravuras era a de um cachorro bebendo água na cuia. Se o construtivismo deu certo ou não, a verdade é que com essa cartilha, a gente terminava a primeira série A-L-F-A-B-E-T-I-Z-A-D-O.

Uma outra cartilha que também deixou saudades foi a Cartilha Sodré da professora Benetita Stahl Sodré. A maioria dos especialistas em pedagogia afirmam que a "Cartilha Caminho Suave" e a "Cartilha Sodré" são os únicos métodos realmente brasileiros de alfabetização em português. O método dessas cartilhas começa pelas vogais, formando encontros vocálicos e depois é que partem para a silabação. Lembro que minha tia e madrinha, a professora primária Maria Sousa, nos dava aulas de reforço utilizando a Cartilha Sodré. Nunca esquecerei quando ela cantava aquela “musiqueta” que dizia assim: “O ba, be, bi, bo, bu vamos todos aprender... O la, le, li, lo, lu vamos todos aprender...” E nós, “pequeninos sacanas”, cantávamos baixinho : “O ca, ce (que), ci (qui) , co , cuuuuuuu vamos todos aprender”, kkkkkkkkkkk. Era o máximo! Mas tudo começou bem antes dos “encontros vocálicos” da Caminho Suave e Sodré (quando o vovô – ainda - não tinha visto a uva)... Antigamente as cartilhas eram praticamente todas baseadas no método sintético e/ou analítico de aprendizagem. A primeira focalizava as partes e depois o todo e a segunda, fazia o inverso. E hoje em dia essas e outras cartilhas são raridades disputadíssimas por pesquisadores e colecionadores. Aqui vão algumas dessas cartilhas, que sabe você não encontra aquela que o/a alfabetizou?









Estas cartilhas são mais recentes, minha irmã caçula estudou na cartilha “No Reino da Alegria”. E por diversas vezes me percebi, ao ensinar-lhe a tarefa de casa, resgatando-me enquanto ex- aluno do antigo curso primário. Tempos, tempos idos !

Se minha letra hoje é “engraçadinha”, devo isso a minha tia Maria Sousa. Ela comprava Cadernos de Caligrafia e nos obrigava a exercitar - até a exaustão - cada letrinha, cada numero. E tinha que ser bem desenhada, redondinha, uniforme e absolutamente legível. Se não... Humm!!! Eu e meu irmão Camilo mantivemos a letra “engraçadinha” até hoje. No entanto, a coitada da letra da minha irmã mais velha - que era simplesmente linda - o exercício da medicina fez uma “desgraceira” com ela ( falo da letra, tá!). E juro! Não tem cirurgia ortográfica no mundo que dê jeito mais... No próximo aniversário dela, acho que já sei o presente que vou lhe dar: Uma Cartilha de Caligrafia. Bom, não custa tentar...


Caríssimos e caríssimas! Vocês acreditam que ainda guardo estes cadernos da década de 50/60? E o pior de tudo, amareladamente novos! Eles pertenceram as minhas tias Matilde Dagmar e Elba Costa (Udo), e nunca foram usados. Quem foi aluno e estudou nesse período deve lembrar - com certeza - do Caderno Avante. Na capa tinha cinco rapazes vestindo uniformes padronizados na cor caqui (possivelmente escoteiros). A Bandeira Brasileira na mão de um deles passava – pelo menos para mim – a seguinte mensagem: AVANTE! Vamos todos derrubar a floresta em nome da pátria... (se dermos um zoom, tem até um escoteiro desesperado enganchado num coqueiro... pode?) E na parte de trás do caderno, vinha a letra do Hino Nacional.

Já na capa do caderno da marca Colegial, havia três garotas e quatro garotos. Eram jovens aparentemente felizes e passavam à impressão de que era "lindo e maravilhoso" ir para a escola. Existiam também os cadernos específicos para as moças, tipo: Primavera e Normalistas. Agora, segundo minha tia Matilde, ter um caderno Companheiro e/ou um caderno Espiral, era tudo que havia de bom em matéria de cadernos. Bem mais caros que os cadernos Avante e Colegial, o caderno Companheiro possuía um toque diferente, as capas eram variadas, sempre com paisagens dos estados brasileiros.



E quanto aos cadernos espirais? Esses eram absurdamente elegantes, só quem os tinha eram os alunos e alunas filhinhos/as de papai. Um abuso de tão chiques!


De todas essas catrevagens escolares postadas à cima, as que eu guardo com mais respeito e carinho são, a Carta do A B C e a Tabuada de Landelino Rocha, pertencentes ao meu avô Albino Costa. São livretos de bolso com 15 centímetros e impressos em papel jornal, tipo cordel. A Carta de A B C tinha (e tem!) apenas 16 páginas e era vendida nas feiras livres. A primeira edição desta carta, segundo pesquisas feitas por mim, data de 1880. Pense! É ou não é uma Caríssima Catrevagem? E quanto aos livros infantis das décadas de 50 e 60 que se perpetuaram na década de 70 ...

Cheguei a ler muitos desses livros... Livros antigos pertencentes a minha tia Maria Sousa. Lembro com saudade das estórias de João Bolinha, João Felpudo e João Pestana. Eu adorava principalmente o livro: No reino da bicharada. Era uma época mágica sem os デジタルモンスタ (pokémons, digimons e sua turma). Um tempo em os livros infantis eram verdadeiros passaportes para a fantasia.


Os livros infantis sempre me fascinaram - principalmente os antigos - e ainda hoje me despertam interesse, curiosidade e lembrança afetiva. Era um tempo de literatura saudável e sem violência. Quantas Saudades! E o Material Escolar daquela época... À começar pelas maletas, bolsas e bauzinhos escolares.






Todo início de ano letivo era uma festa, principalmente na hora de comprar o material escolar. Eu sempre gostei daquele “cheirinho” de tudo novo: Cadernos, lápis, borrachas, réguas, cartolinas, livros, papel pautado... Na minha época era tudo muito simples, não tinha tantas variedades e/ou novidades como as que se tem hoje nas livrarias. E se tinha, não chegava às pequenas lojinhas da minha cidade. O Caderno espiral (esses de araminho), fui ter um na 5º série, e nem era capa dura... Imagina sonhar (em plena década de 70) com um fichário mega/moderno, todo afrescalhado do tipo Piu Piu, Ursinho Puff e tal... Impossível! Nem nos pesadelos de Alice no país das Maravilhas (rs!).
Os cadernos que tínhamos na época eram tipo os mostrados à cima (Avante e Colegial), conhecidos como cadernos de brochura (cujas folhas pautadas eram presas - no centro do caderno - por dois grampos enormes). E era só arrancar uma folha do dito cujo, para despencar o caderno inteiro. Uma coisa horrorosa! Escrevíamos nervosamente e ninguém podia errar ou copiar de novo. Os erros tinham que ser para todo o sempre, amém... A não ser que copiássemos primeiro num “caderno de borrão”, para depois “passar à limpo” em casa. Meus cadernos de borrão eram feitos com o restante das folhas de cadernos velhos. Já os cadernos de borrão da minha irmã mais velha eram todos organizados, com direito a frases originais e de cunho afetivo. Lembro de uma frase que ela colocava no borrão e que virou chavão na época: “É borrão mais não é lixo, trate-o com carinho” (impagável essa minha irmã!).


























Em relação às canetas e os lápis grafites (no meu tempo se dizia lápis comum), esses não podiam faltar “de jeito nenhum” na minha caixa de lápis de madeira. Eu tinha canetas BIC na cor azul, vermelha, preta e verde (apesar da professora primária não gostar muito que as usássemos), bem como lápis grafite da Johann Faber e/ou Fritz Johansen (... Chic, né não?), lápis tabuada (...e como me ajudou!) e os lápis e canetas de propagandas que sempre ganhávamos (eu tinha um que era da pitú, pode?). E as Lancheiras! A minha era do homem de ferro, do meu irmão era do homem aranha e da minha irmã mais velha era do Topo Gigio... Quantas lembranças, quantas Caríssimas Catrevagens...














A minha caixa de lápis de cor era da “Johann Faber”... Eu imaginava que Johann Faber era um menino de verdade. Sabe daqueles meninos tipo “riquinho” do gibi, com carinha de bobo e bem bonitinho. Então, eu achava que o pai dele era “podre” de rico e dono das fábricas de lápis de cor. Sonhava em ser o melhor amigo dele para ganhar um estojo enooooorme, com duzentos lápis de cor. Já para enfeitar e dar um colorido todo especial aos trabalhos escolares, cartazes e tudo o mais. Eu adorava (e acho que ainda adoro!) hidrocores, mas o que eu mais gostava era os que vinham dentro de uma caixinha de plástico branco e duro, cuja tampa era transparente... A caixinha de hidrocor da silvapen, lembram?
E quanto às borrachas? Quem não se recorda... Tinha umas ponteiras feias de borracha (bem “póbi”) com um furo no meio para encaixar na ponta do lápis. Eu, nervoso, numa prova de matemática? Comia uma “todinha”. No entanto, as minhas preferidas eram aquelas verdinhas rechonchudas e em especial, as branquinhas da marca Mercur (eu nunca descobri se aquele desenho era um homem, uma mulher ou um índio). Lembra de quando essa borracha ia ficando preta e manchando nossos cadernos? E o único jeito era esfregar a coitada da borracha na parede até ela voltar a sua cor antiga (e de tanto esfrega-esfrega, a borracha que era quadradinha, ficava redondinha, redondinha... rs!). Tinha também a borracha de duas cores, a parte rosa apagava lápis e a parte azul (diziam!) que apagava tinta de caneta. Tudo mentira! A desgraçada da borracha em pouco tempo se partia ao meio e não apagava porcaria nenhuma. A parte rosa soltava tinta, a parte azul eu tinha que lamber (vê que porcaria!) para apagar a tinta de caneta. E o que era pior, depois de toda a lambança é que vinha perceber o estrago feito: Um rombo do tamanho do “cão” na folha do meu caderno. Enfim, eu odiava a tal borracha de duas cores. Uma pena o “erroex” e/ou “líquid paper”não existirem na época.
Um outro fato que lembro, era na hora de fazer a ponta do lápis. Usar a lapiseira? Hummm! Sei não... Eu sinceramente não gostava, preferia fazer a ponta do lápis com a Gilette (até então nunca tinha visto um estilete na vida). E engraçado, na minha época se permitia levar objetos cortantes (tipo Gilette) para a sala de aula. Bom, isso foi há muito tempo. Tempo em que a violência escolar passava por longe, e ninguém pensava em ferir o coleguinha ao lado, muito menos agredir os professores. Agora, verdade seja dita, o que ia de criança teimosa, de dedo cortado e aos berros para a diretoria... Ah! Isso ia sim. E aos montes! (inclusive EU!). Agora, sabe qual era o máximo dos máximos? Era ter uma caneta de 10 cores (dessas que hoje se compra em camelô, banco de feira ou em qualquer esquina) Geeente!!! Essa caneta era uma super/mega novidade na época. Bastante caras e um luxo para quem as tinha. Na minha sala quem primeiro teve essa caneta foi Coca de Branca (a menina mais inteligente da turma).







E os estojos de lápis, aquarelas, carimbinhos pra pintar, massa de modelar... Como assim! Massa de modelar? (Que mentira da gota é essa? Levávamos pra escola e brincávamos mesmo era com cera de abelha feita para lacrar depósitos de armazenar milho e feijão - rs!). Tinha os decalques, tesourinhas, caderno de desenho entre outros. Tudo isso fazia parte do nosso universo de materiais escolares.






















Hoje em dia fico impressionado com a quantidade de material exigido pelas escolas. Esse ano minha irmã comprou - pra meu sobrinho de apenas 05 anos - uma lista de material escolar que daria para educar uma classe inteira na minha época. Fiquei impressionado, juro! Na lista tinha até prendedores de roupas e sacos de palitos de picolé, pode? Pensei: Não é possível que vão colocar um menino de 05 anos pra lavar, estender roupas e ainda por cima vender picolé... Sinceramente. Eu compreendo que os tempos são outros e que tudo mudou, mas tem certas coisas que são um exagero. A cola por exemplo, passei minha infancia inteira colando figurinhas, pequenos objetos e cartazes escolares com Cola Tenaz. Hoje Tenaz não pooode! Tem que ser uma cola toda especial, anti- inflamável, a base de água, a-t-ó-x-i-c-a e feita Exclusivamente para uso escolar! Quer dizer que se o meu sobrinho usar uma cola que NÃO possua todos esses predicativos, ele corre o risco de repente fazer: BUUUM! E explodir junto com a cola, é isso mesmo? Ah, tá! Me poupem... E tem mais, NUNCA que eu iria imaginar meu sobrinho de 05 anos "doidão" e dependente químico de Cola Tenaz... Enfim, eu sou do tempo que criança colava tudo com tenaz, goma arábica, grude de goma e até com leite de aveloz... Eu faço graça com tudo isso, mas compreendo e sei da extrema preocupação dos educadores modernos. E para finalizar, revisitem as imagens postadas à cima e vejam até onde vocês se reconhecem... Boas recordações!