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terça-feira, 8 de maio de 2012

O PRIMEIRO JEANS A GENTE NUNCA ESQUECE...

Engraçado! Se chegarmos para qualquer criança e/ou adolescentes de hoje e falarmos que já existiu uma época em que se quer haviam calças jeans... Ah! Nem vão acreditar. Verdade! Para essa geração Bob esponja, Pokemons, Danoninhos e afins, a calça jeans parece ter existido sempre. Como se fosse algo  bem comum à época da adolescência de D. Pedro I e sua impávida corte. O que nem todo mundo sabe é que o tecido jeans, aquele algodão “alonado” tingido com o corante índigo blue, é considerado relativamente novo. Sério! Possui aproximadamente uns 150 anos. Como assim... 150 anos e novo? Claro que é novo. Basta lembrar que a nossa Dercy Gonçalves tinha 101 quando morreu, e ela morreu faz pouco tempo. Todo mundo lembra... E a calça Jeans tem 150 anos! Só 50 aninhos a mais... 
Na verdade, a antiga calça jeans nasceu na Califórnia do século XIX para ser usada por mineradores da região. É que certo dia, um dos mineradores pediu a “Strauss” que lhe fizesse uma calça com uma lona bem resistente, capaz de "aguentar" meses de labuta... Pedido esse que logo virou tendência e acabou sendo adotada por outros mineradores da região. 
Portanto, foi Levi Strauss quem primeiro transformou um tecido de baixo custo (um certo tipo de lona amarronzado) em uma calça adequada para uso de mineradores e vaqueiros. Alguns anos depois, ele passou a confeccionar calças a partir de um tecido francês, um brim azul, vindo da cidade de Nímes, que em seguida transformou-se em denim. Eram calças azuis, tintura obtida a partir de folhas de uma planta chamada indigueiro, daí a origem da palavra índigo, até hoje utilizada para referenciar esta cor. E com o passar dos anos o jeans foi sendo adotado pelos jovens como sinônimo de liberdade e menos rigor nas vestes para o dia a dia... Como no caso de “O Selvagem” (The Wild One/1953) e “Juventude Transviada” (Rebel Without a Cause/1955).  
Aqui no Brasil quem quisesse posar de rebelde sem causa “a lá James Dean”, tinha que viajar e comprar o jeans lá fora meu bem, no exterior... Nessa época, importação em nosso país era coisa rara, proibida mesmo. É claro que já existia o contrabando, mas mesmo assim era difícil. O desejo de se ter uma legitima calça LEE e ou uma LEVI’S - sonho de consumo de muitos rapazes da época - custava caro. Me contaram que o meu tio Adalberto, no final dos anos 50, conseguia comprar essas calças americanas através de uma "aeromoça muambeira", super amiga dele...
Propaganda da marca Levi's nos Anos 50.
Propaganda das calças Lee no início da década de 50.
Propaganda das calças Wrangler em 1957.
A Calça Jeans já foi uma exclusividade dos homens. Só a partir do finalzinho da década de 40 e início da década de 50, é que a LEVI'S resolveu lançar - também - uma linha de calças femininas. E desde então, o público feminino assumiu de vez, o posto de “as maiores consumidoras de calças Jeans do mundo”...
Mas como já dizia o velho ditado: “Quem não tem cão, caça com gato!”.  E em se tratando de terras tupiniquins, tudo se dá um jeito. E foi o que aconteceu... A indústria têxtil nacional ainda não fabricava o tecido, e as mitológicas Calças LEVI'S, LEE e WRANGLER continuavam verdadeiras lendas no imaginário dos consumidores da Classe Média. E foi como solução para esse “perrengue”, que uma tímida confecção têxtil paulista chamada Roupas AB, lançou em 1948 uma imitação bem, mais bem mixuruca mesmo, das Calças Jeans Americanas. Era uma calça grossa de Brim azul que ficou conhecida como Calças Rancheiro.
No começo a tal calça Rancheiro não “aconteceu” como era de se esperar. Pois era uma calça muito dura (encharcada de goma) e que até vinco apresentava. Mas no ano de 1956 a Alpargatas do Brasil estreou uma nova calça de nome Rodeio, já confeccionada com o famoso “BRIM CORINGA”, e um pouquinho mais melhorada do que a calça Rancheiro... Daí eu pergunto: Quem na casa dos "enta" não usou Calças de BRIM CORINGA? Eu e meu irmão - quando bem criancinhas - já no início dos anos 70, chegamos a usar e muito. A vontade de ter uma calça parecida com a dos Cowboys do cinema era tanta, que a tal calça de Brim era o máximo dos máximos para nós. Depois de um tempinho, e com uma exigência maior por parte dos jovens, a Alpargatas lançou um Jeans definitivo: Jeans FAR-WEST. E foi um sucesso total de vendas. Mas... As calças continuavam duras e sem desbotar...
BRIM CORINGA: "feito pra durar uma vida toda". Esse era o slogan que enaltecia as qualidades do BRIM CORINGA. E mais, “o único que não encolhe!”. Minha mãe discorda disso até hoje... Rs!
Propaganda das Calças RODEIO de 1957. (Alpargatas do Brasil).
A chegada da Calça FAR-WEST no mercado brasileiro, como um produto de boa qualidade, foi uma sensação absoluta. Era a única forma, talvez, de se ter um "quase legítimo" Jeans índigo blue... 
Propaganda do início da década de 60 - Calças FAR-WEST.
Dizem por aí que a primeira calça jeans brasileira foi a FAR-WEST. Mas não foi. A pioneira mesmo foi a calça RANCHEIRO. E até hoje o fantasma da calça RANCHEIRO persegue e/ou esta associada aos produtos da centenária Alpargatas. Um grande equivoco! Principalmente porque se trata do pioneirismo do nosso jeans nacional. O pioneirismo se deve mesmo a Confecção de Roupas AB. Justiça seja feita, né!
A “Alpargatas do Brasil” lançou - já nos anos 60 - as calças Topeka (exclusiva para "gente grande")... Nunca usei! Era muito criancinha ainda. Mas quem usou disse que eram "horrorosas e muito quentes". A única vantagem estava nas cores...  
Propaganda das Calças Topeka nos anos 60.
Enfim, comecei a fazer minhas escolhas e entender melhor os meus “gostos e desgostos” no final da década de 70. Eu devia ter uns 12 para 13 anos... E lembro bem que as Calças LEVI’S, LEE e WRANGLER ainda eram a sensação do momento para quem podia comprar produtos importados... Sempre fui muito “enjoadinho” com roupas, é verdade. Mas nunca exigente ao ponto de “querer por que querer” uma legítima calça LEE . Pouco me importava se era ou não de marca americana... O mais importante para mim (um garoto pré – adolescente) era estar lindo, cheiroso, arrumado e muito bem intencionado. Afinal de contas eu pretendia ser "aquele" amante à moda antiga, que apesar do velho tênis e da calça desbotada... Já pensava em mandar flores. Como assim pra quem? Ahhh! Já não interessa mais... Há, há, há. 
A marca LEVI’S é uma lenda americana tal e qual os cawboys do cinema o são. Foi eleita pela revista americana Time como “a vestimenta do século XX”. Dizem que é um orgulho para os americanos... E de fato, é mesmo. Afinal, há mais de 150 anos a marca vem vestindo gerações e ditando moda.
Propaganda da Wrangler no início da década de 70. O Jeans WRANGLER é também um dos mais famosos do mundo. Um jeans extremamente associado ao mundo do rodeio e um verdadeiro ícone do estilo country americano.
Propaganda das Calças Lee na década de 70. O modelito "pacote completo": Camisa, Jaqueta e Calças Jeans LEE... Nossa! Virou febre na época. A LEE até hoje continua sendo uma das marcas mais emblemáticas da cultura americana. Calças e jaquetas que representam muito mais do que uma simples peça de roupa, mas um estilo de vida americano de ser, ou melhor, mistura a moda e o western num pacote só... Muito americanizado pro meu gosto.
Propaganda década de 70 - Jeans LEE.
O Jeans JORDACHE também passou por terras tupiniquins e deixou sua marca... O ano era 1974.
O Jeans MUSTANG, considerado o mais antigo da Europa, também aportou por aqui no Brasil. Era um Jeans de origem alemã que também fez muito sucesso por aqui... 
Geeente! Falar das calças US TOP me remete a um tempo em que eu era liso, virgem e feliz. Nossa!!!! Como eu gostava dessa marca... Juro! O Jeans da US TOP foi algo muito presente na minha adolescência. Não tenho a menor vergonha em afirmar isso. O preço agradava no bolso da classe média e nos permitia ter mais de uma calça Jeans. Lembro de uma calça da US TOP que ganhei de aniversário que era uma coisa de louco... Sabe aquela calça que você adota e não quer mais sair dela? Ela só tinha duas paradas meu bem, varal e meu corpo. Acho uma pena a Alpargatas ter posto a marca na geladeira, podia estar agora aproveitando essa onda retrô na moda brasileira.
A Us Top foi um jeans também fabricado pela Alpargatas do Brasil, surgiu nos anos setenta para fazer frente a esse mercado dominado, na preferência e no estilo, pelas calças importadas americanas. O Jeans US TOP já era "bem mais molinho", e o melhor de tudo, desbotava feito as calças americanas. Caiu no gosto popular e fez um sucesso tremendo!!!
Para quem viveu essa época, carente de livre-arbítrio, sobretudo de expressão, os valores de liberdade tinha uma importância impar, até mesmo na forma de vestir-se...
E tinha uma propaganda que era voltada para esse público jovem que sonhava por liberdade em tempos de ditadura. A música, de Sérgio Mineiro e Beto Ruschel, foi um mega sucesso em 1976.


“Liberdade é uma calça velha / Azul e desbotada / Que você pode usar / Do jeito que quiser / Não usa quem não quer / US Top / Desbota e perde o vinco / Denin Índigo Blue / US Top / Seu jeito de viver / Não usa quem não quer / US Top / Desbota e perde o vinco.”
E essa expressão: “desbota e perde o vinco”, fala de um modo de vestir mais descolado, era antagônica ao visual comum dos homens que seduzidos pela praticidade do Nycron (sintético), que na campanha publicitária era vendido como: aquele que não desbota e nem perde o vinco. (ver meu antigo post sobre as calças de Nycron).
Quem não lembra dessa etiqueta no cós das calças? Me diga, vá...
Acho o máximo encontrar propagandas antigas e rever como eram determinados artistas em épocas bemmm remotas... Como essa da US TOP onde Angélica e Tob do Balão Mágico participaram. Fantástico não?
Outra marca de Jeans que eu adorava quando adolescente era STAROUP. Para quem não se lembra, a STAROUP era uma marca nacional que - na época – transformou-se em objeto de desejo de muitos jovens da classe média brasileira. A STAROUP foi uma empresa paulista sediada na cidade de Botucatu. A marca STAROUP e seus produtos fizeram tanto sucesso que chegou a ter filiais nos EUA e na extinta União Soviética. A novela Dancin' Days foi uma de suas  maiores divulgadoras. 
Lembro bem dessas cenas, bem como, de seus famosíssimos comerciais de Tv. Um deles chegou a receber um prêmio internacional, visto que mostrava um grupo de jovens lutando contra o Regime Militar da época. O premio foi nada mais nada menos que o Leão de Ouro em Cannes... Brinque!!!
As músicas presentes nos comerciais da STAROUP faziam tanto sucesso que viravam discos depois...
Mais um disco da Staroup...
E quem não lembra desse comercial da ELLUS Jeans?  Virou mania... Mania de Você!!!
Calça Jeans Cukier... "Use calça Cukier, feita pra você! Cukieeeeer..." Quem não lembra dessa marca? E o tema cantado por Kim Carnes... Lembrou?
E o Jeans Pool? A mulherada adorava a marca... O Pool da Gata!
A marca do Jeans Pool surgiu na década de 80, mas precisamente  em 1982.
Aportou por aqui e fez o maior sucesso nos Anos 80. E Brooke Shields era a sua garota propaganda. 
Calvin Klein, dizem que foi o primeiro Jeans a subir numa passarela de moda...
O Jeans da DIJON existe desde o final da década de 70, mas foi na década de 80 que  assumiu o protagonismo do Jeans metalizado e fez  sucesso!
O Jeans metalizado no Brasil e a sua maior representante... A Dijon! Ou seria a Luiza Brunet?
Engraçado! O dono da marca DIJON, Humberto Saade, fazia - sempre - questão de aparecer junto com a Luíza Brunet... E quem não faria questão, né? A Luíza aparecia vestindo unicamente o Jeans!
A Monique Evans e a Vanessa de Oliveira também foram garotas propagandas da DIJON.
Com o correr dos anos foram surgindo outras marcas de Jeans como: PHILIPPE MARTIN, MACKEEN (caríssima no final da década de 70), FIORUCCI, DIMPUS, CANTÃO, ZOOMP entre tantas outras. Pois é... E pensar que o nosso jeans já foi um dia uma calça de lona grossa, dura e de cor “amarronzada”. E que hoje é confortável e veste mais da metade da população do mundo inteiro. Nesses 150 anos de existência já aprontou e muito ao longo de sua trajetória. Foi lavado, pré-lavado, desbotado, rasgado, desfiado. A cintura já foi alta e já foi baixa. Já foi vermelho, mostarda, preto e de cores que ninguém nem sabe o nome. Já foi até pantalona, boca de sino, cigarrete, bag, semi-bag e com elastano. E mais, usava-se com bolso ou sem bolsos. Olhe!!!! Ao longo desses anos ele já fez de um, tuuudo!!!! O jeans já enfrentou regimes ditatoriais, patenteou estrelas de cinema e foi emblemático nas revoluções sociais, sexuais e culturais. Vestiu pobres, ricos e muita gente famosa. E o que é melhor, acabou com todo tipo de preconceitos meu bem. Salve Jeans!!!!! O Jeans tornou-se uma peça tão fundamental no cotidiano das pessoas que eu acho até que o Papa tem lá a sua calça jeans guardada no armário... Geeente! Por que não?  Será que é pecado usar jeans... Falei besteira, foi? Ah! Quer saber... Deve ser muito chato mesmo passar o dia todo arrastando aquela batina comprida nos salões do vaticano. Com todo respeito! O Santo Papa merece usar Jeans sim! Ora bolas... E porque não? Afinal de contas alguém disse, não sei quando, que o Papa era pop, né mesmo?! Agora relembrem alguns comerciais inesquecíveis... Realmente inesquecíveis !!!! 



Click na "setinha" (abaixodo lado direito para ver todos os comerciais das décadas de 70 e 80... Bom passeio.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

AS LATINHAS DE BISCOITOS AYMORÉ, PIRAQUÊ, DUCHEN E SÃO LUIS.

Sempre fui um “papa-biscoito” assumido. Até hoje não posso ver um pacotinho por perto que logo encosto sem o menor pudor. Culpa? Nunca tive. Colesterol alto? Sempre vou ter... Mas isso é uma outra história. Ahhh! Desde que me entendo por gente que devoro todo tipo de biscoitos. E qual a criança que não gosta de biscoito? Vai me dizer que nunca ficou deitado no sofá da sala vendo televisão e comendo Biscoitos? Ora, ora! No meu tempo já era assim meu bem... É certo que ainda não existiam biscoitos recheados de "mousse de limão" e/ou "delícia de abacaxi", comíamos mesmo eram os biscoitos “maria” como se estivéssemos degustando amanteigados dinamarqueses. Delícia!!! Mas lá em casa, quando o meu pai e meus tios viajavam, eles traziam para minha avó e para minha mãe, belíssimas latas de biscoitos Aymoré, Piraquê, Duchen e São Luis. Era uma festa só...
Lembro como se fosse hoje meu pai chegando de viagem e entregando pra minha mãe aquelas belíssimas latas, todas abarrotadas de biscoitos... E não adiantava insistir, elas só seriam abertas no final de semana. 
E quando minha mãe abria a lata... Hummmmmm! Aquele cheirinho de manteiga invadia a cozinha. Os biscoitos vinham bem arrumadinhos e distribuídos em forminhas de seda sanfonadas. Nossa! E o sabor? Maravilhoso... Uma pena que esses biscoitos durassem tão pouco dentro da lata (rs!). E quando as latas ficavam vazias, minha mãe as utilizava para outros fins. 
E mais, quando essas latas ficavam velhinhas, velhinhas... Minha mãe nos dava para guardar as nossas catrevagens. Ô Deus! E num é que bateu uma saudade danada daquele tempo, do tempo da meninice.
Lata de biscoito Duchen.
Lata de biscoito Piraquê.
Lata de biscoito Petybon.
Lata de biscoito São Luiz.
Lata de biscoito Bauducco.
Minha irmã possuía uma latinha - exatamente - igual a essa.
Existiam também as latinhas de biscoito no formato lancheira... Lindas não?
O sonho de minha irmã mais velha era possuir uma dessas lancheiras. Mas como morávamos distante da capital, ficava difícil ter uma. Era raro aparecer em nossa cidade novidades assim...  Restou apenas o desejo.
Latinha de biscoito Piraquê no formato de Caixinha de Costura... Saudades da minha avó Maria !
Lata/Lancheira da Piraquê. Anos 60.
E os Biscoitos Sortidos que vinham super “empacotadinhos” em caixas? Esses também eram deliciosos... E bem mais baratos que os das latinhas. Eu, igual a toda criança gulosa, passava a tarde inteira comendo esses biscoitos. Existiam (e acho que ainda existem!) diversas marcas que se intitulam assim: Biscoitos Sortidos! Esse tipo de “Biscoitos Sortidos” em caixa (amanteigados ou não) começou a ser comercializado nos antigos cafés, bem como, nas antigas padarias e/ou confeitarias, lá pelos idos de 1800. E daí não parou mais...
E o nosso tão popular biscoito Maria chamava-se anteriormente biscoito "Marie"... Somente no final dos anos 50 é que abrasileiraram o nome, passando a se chamar biscoito "Maria".
O biscoito "Marie" da Aymoré.
O biscoito Cream Cracker não conseguiu a nacionalidade brasileira (rs!). Nasceu Cream Cracker e acho que vai morrer Cream Cracker aqui no Brasil.
A empresa Confiança foi fundada em meados de 1875, e até 1940 chamava-se Gomes e Companhia. A partir da década de 40 a empresa mudou de nome e passou a se chamar Companhia Produtos Confiança. Fazendo surgir o carro chefe da empresa: Os Biscoitos Sortidos Confiança. Na sua embalagem vinha o “clássico rótulo” criado pelo artista plástico pernambucano, Lula Cardoso Ayres.
Gente! Eu cresci lanchando biscoitos Sortidos Confiança. Para mim esses biscoitos têm o sabor da nossa infância... Pelo menos da infância das crianças daqui, do nordeste brasileiro. Eu lembro que abria a caixa e me deparava com 05 tipos diferentes de biscoitos: Maria, Chocolate, Leite, Sequilho e – apenas - dois biscoitos Champagne (nunca entendi o porquê de vir apenas duas míseras unidades...). Eu acho que era só para promover brigas entre eu e meus irmãos... Ou será que o biscoito “champangne” levava em sua receita algumas taças de um legitimo Dom Pérignon?  Vai saber...
Estes foram (e ainda são!) os biscoitos que embalaram minha infância: Maria, Maizena, Champangne, Leite, Waffer e Cream Cracker... Ainda encontramos esses biscoitos nas prateleiras dos supermercados, mas não com o sabor de antigamente... 
Tinha também os amanteigados, os sequilhos e os recheados, que só existiam nos sabores chocolate e morango. Lembro de um outro biscoito chamado "Brasília" (rótulo azul) e Wembley (rótulo xadrez) da fábrica de biscoitos  "Pilar". Por onde será que andam esses sabores??? Pois é, nem o tempo há de nos dizer. E dessa história toda só nos sobrou a saudade... Saudade do sabor dos biscoitos da nossa infância. De agora em diante e para todo sempre... Ah! Um pouquinho de biscoito para o meu coração, por favor.

segunda-feira, 26 de março de 2012

RECREIO - A REVISTA BRINQUEDO DOS ANOS 70. QUEM LEMBRA DELA?

Que saudades da revistinha Recreio! Esta revista foi uma publicação, a princípio quinzenal, da Editora Abril. Um ano após seu lançamento, passou a ser semanal. Era feita para crianças em fase de pré-alfabetização e promovia o incentivo a leitura através de curiosidades, jogos e brincadeiras. Por isso é que se intitulava: Recreio - a Revista Brinquedo!
A revista Recreio teve seu primeiro exemplar publicado em maio de 1969. E a partir daí foi só sucesso... É praticamente impossível - ter sido criança na década de 70 - e não lembrar dessa revistinha infantil. A revista Recreio ajudou a inovar o panorama da literatura feita pra criança. Sério! Esta “Revista Brinquedo” tinha como finalidade educar e divertir a todos nós. Era do tipo: Leia, recorte, cole, pinte, destaque e brinque... Um barato! Ela preparava a criança para a alfabetização e fazia isso de uma forma super descontraída... Tenho muitas saudades dessa revistinha que tanto me ensinou e me divertiu.
A revista Recreio sempre trazia uma “historinha bem boba e dela saíam todas as subdivisões da revista. As páginas vinham recheadas de brincadeiras e encartes para montar, recortar e colar... Tudo era baseado nessas ingênuas estórias cujos títulos eram os mais variados possíveis.
Toda a revista vinha com brincadeiras, inclusive na última capa. O que me deixava super apreensivo... É que para montar os brinquedos - quase sempre - tínhamos que recortar a última capa. E como bom colecionador que era não gostava de picotar minhas revistas. Essa era minha única queixa da Recreio (rs!).
Revistas Recreio da década de 70.
Essa revista eu lembro bem... Contava a história de um boneco feito de lata que era apaixonado por futebol.
Aqui o encarte para se fazer o boneco... Quanta saudade!
Algumas capas da revista Recreio para matar a saudade...
Revistas Recreio - Década de 70.
O grande barato das revistas Recreio - e que a criançada adorava - eram os kits de montagem presente em todas as revistas. Variavam de meros bonecos a cidades inteiras. Todas na base do recorte e cole!  
Encartes da revista Recreio
As propagandas da revista Recreio presente nas demais publicações da Editora Abril era uma constante... O que aguçava mais ainda o desejo da criançada.
Nossa!!! Essa tabuada divertida eu também lembro.
Revistas Recreio - Década de 70.
 Revistas Recreio - Década de 70.
 Revistas Recreio - Década de 70.
E havia os concursos premiados também! Imagine ganhar uma bicicleta em plena década de 70... Nossa! Era o sonho da mulecada na época.
Recreio - a revista brinquedo - saiu de circulação em 1981 e deixou muitas saudades.
Existiam também os álbuns Recreio exclusivamente para colorir... Suas páginas eram em preto e branco. Nesse álbum aqui veio grátis seis Canetinhas Sylvapen. Lembram dessas canetinhas também? 
Aqui um kit montado da Recreio. Dezembro de 1973...
Em 2000 foi lançada uma segunda versão da revista Recreio. Ela retornou as bancas com outra filosofia e em nada se parece com a revista Recreio da década de 70. O tipo de texto é outro (nada de contos e historinhas bobas de bicho papão). A Recreio atual foi idealizada para crianças e pré-adolescentes alfabetizados, ou seja, que não mais precisam do recurso da fantasia para brincar... Uma pena!
A criança da revista Recreio de antigamente vivia em um mundo de fantasia, enquanto a da Recreio de hoje, de outra faixa etária, vive em um mundo mais palpável e real. Será? Bom, é o que se fala por aí...