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domingo, 20 de setembro de 2009

BALAS "SOFT" - A SERIAL KILLER DE CRIANCINHAS.

Eu sou bastante suspeito para falar de guloseimas infantis. Sejam balas, “confeitos”, pirulitos, chocolates, chicletes... Primeiro que fui uma criança “perigosamente” gulosa e gordinha. E segundo, fui criado num paraíso de “Doces e Brebotes”. Meu pai foi comerciante e dono de mercearias que vendiam tanto no grosso, quanto no varejo. Sentiu o drama né? Eu vivia cercado de tudo, mas só tinha olhos para os doces. E lembro com saudades das BALAS “SOFT”.... Eram deliciosas, porém traiçoeiras, é verdade. Existiam nos sabores abacaxi, limão, cereja, tangerina, morango, uva, café e caramelo (não lembro se tinha mais algum sabor além desses... ). Essas balas revolucionaram o mercado das guloseimas infantis. Virou uma febre no final dos anos 70 e logo depois se estendeu por anos a fora. Redonda, escorregadia, cores vibrantes e de sabor iniguálavel. Foi altamente desejada por milhares de crianças e adultos, mas também muito perseguida por mães zelosas e assustadas. Criou-se um mito de que as Balas “Soft” eram contra-indicadas para o público infantil. Acho que as próprias crianças não deram muita “trela” para esses boatos, tanto é que as Balas “Soft” continuaram adoçando, encantando e engasgando muitas “criancinhas indefesas”. Atualmente não se produzem mais Balas Soft, elas desapareceram do mercado no final dos anos 90. Depois surgiram algumas balas similares com o mesmo formato, mas o sabor já não era o mesmo. O que restou na verdade foi apenas o Mito: “SOFT” – A bala assassina de crianças.
Tem quem afirme que o Mito construído em torno da Bala Soft é a mais pura verdade... Sério! Diziam até que a danada, de tão gostosa que era, primeiro viciava e só depois é que... MATAVA! A “Desciclopédia”, por exemplo, nos trás a informação de que as Balas “Soft” possuíam o diâmetro exato e cientificamente comprovado para o fechamento das traqueias. E acrescenta mais ainda, a sigla SOFT quer dizer: Super Objeto Fechador de Traqueias. Eu também cheguei a escutar horrores dessa bala quando criança. Fiquei sabendo por minha “preocupadíssima tia” que elas tinham sido projetadas – exclusivamente – para exterminar as criancinhas gordas e gulosas da face da terra... Pode? Boba essa minha tia, não? Pensar que gordinhos gulosos - porém inteligentes - cairiam nessa... Nuuunca acreditei! Sempre me engasguei! E continuo aqui no planeta terra. Vivo até hoje! É isso aí minha tiaaa: Sinta-se orgulhosa, viu? Porque EU sobrevivi ao extermínio promovido pelas Balas Soft.
O mais engraçado é que tanto as crianças quanto os adultos - apesar de todo esse boato – não podiam viver sem colocar uma Bala Soft no céu da Boca. Era incrível! Acho que só nossas mães entravam em pânico e nos enchiam de estórias e recomendações. No começou era assim: “Mastiga bem essa bala antes de chupar, viu ?”; “ Cuidado! Esta bala é perigosa, tem que comer partida ao meio..”; “ Não vá pular com a bala na boca que é para não se engasgar”... E depois, já em pânico: “Você esta proibido de colocar essa bala na boca, tá me ouvindo?”; “Não aceite essa bala de ninguém, principalmente a roxa, que é a que mais mata criancinhas”; “Não chupe essa bala! Ela é pior do que um pedaço de vidro. Vai ficando fininha, fininha e depois corta sua laringe...”; “ Você tá lembrado da loira do Banheiro? Aquela que assombra todo mundo, lembrou? Pois saiba que ela morreu engasgada com uma dessas balas, viu?”... E foi daí pra pior. Algumas mães chegaram a proibir a venda dessas balas na frente das escolas. Pobres mães zelosas, mal sabiam elas que nós engolíamos essa bala em tudo quanto era lugar.


Eu perdi as contas de quantas vezes engoli e/ou me engasguei com essas balas. Eu era guloso mesmo, às vezes eu colocava na boca 05 balas de uma só vez. Queria sentir o sabor de todas elas misturadas... Loucura né? Bom, dentre todas as vezes que me engasguei com uma Bala Soft, a pior aconteceu na saída da escola. Eu e meu primo betinho (de Mazé de João Ricardo) só andávamos correndo. Então saímos feito dois loucos, do tipo: “Vamos ver quem chega primeiro na calçada da Igreja? 1,2,3 e jáááá ! Isso cada um correndo com uma Bala Soft na boca, é claro. De repente eu parei de correr. Havia engolido a bala, e de quebra, parecia que as amígdalas tinham ido junto também. Tentei forçar a bala para ver se ela saia do canto e nada. Entrei em total desespero e tornei a correr... Só que desta vez com as mãos para cima e com ares de estabanado. Meu primo me vendo gesticular feito louco, voltou correndo ao meu encontro. Eu já com os olhos arregalados apontei para minha garganta. O máximo que eu conseguia dizer era: Uuuuuuuur, uuuuuuuuur... E de repente meu caríssimo primo começou a rir de mim. Foi acometido de súbito por um daqueles ataques de riso insano. Riu tanto que esqueceu da Bala Soft que também tinha dentro da boca e... Engasgou também. Pronto! Agora lascaram-se os dois... Eu estava sem fôlego e já tinha começado a ver luzes coloridas piscando, algo meio psicodélico... Doidão mesmo! A nossa sorte foi que seu Joãozinho Fotógrafo vinha passando e viu a cena. O “santo homem” enfiou o dedo na minha goela e nada. Depois chegou seu André Bitu para ajudar. Então os dois começaram a dar socos nas nossas costas até as “balas assassinas” descerem goela abaixo. Nossa! Nunca apanhei tanto, quase fiquei com um “pobrema” na coluna pro resto da vida... Enfim, fomos salvos da morte. E não pensem que isso nos serviu de lição. Pois em pouco tempo lá estávamos nós - correndo novamente - cada qual com sua Bala Soft enfiada na boca. Vai entender?
E lá vai mais uma estória das Balas Soft... Tive um amigo de infância que possuía a estanha mania de estudar, “brincar”, rezar e até comer... Adivinhem aonde? Trancado no banheiro da casa dele. Por pouco não fixou residência por lá... Portanto, “Fazer côco na casa do P e d r i n h o????” Nuuuunca meu bem!!! Se existia um local sagrado para ele dentro de casa, era lá, junto ao chuveiro, ao vaso sanitário, ao bidé... E num desses domingos de Páscoa dos anos 70, passei em sua casa para irmos juntos à confissão comunitária das crianças e adolescentes. Como de costume, levei comigo um saquinho recheado de BALAS SOFT. Chegando lá, meu amigo ainda ia entrar no banho. Daí ele colocou “duas” balas Soft de uva na boca e entrou no banheiro com uma revista de sacanagem em baixo do braço... Geeeeeeente! Não deu cinco minutos e o “rebuliço” tava feito. Meu amigo começou a gemer e a gritar – engasgadíssimo – com as balas assassinas presas na garganta e eu do outro lado da porta fiquei sem saber o que pensar. A principio achei que ele estivesse tendo sessões continuas de orgasmos múltiplos e/ou sequenciados a cada seis segundos... Depois é que fui entender que se tratava de gritos de morte. Então corri desesperado até a cozinha e fui chamar alguém para acudir antes que ele chegasse a óbito... Mas pra que eu fiz isso? Em poucos segundos veio pai, mãe, irmã, empregada, avó, dois primos e o cachorro. Nããão!!! Vocês não têm ideia do tamanho do vexame que ele passou. E num é que arrombaram a porta do banheiro e ele tava lá - roxinho-roxinho - completamente NU! E mais, a revista de sacanagem estava aberta, próximo ao bidé... Sinceramente! Eu concordo, é muito trauma para um pré-adolescente: 1) Saber que “quase” morreu humilhado por uma Bala Soft (e de uva...) entalada na garganta; 2) Que foi socorrido "pelado" no chão do banheiro por toda sua família; 3) Descobrir que sobreviveu sem a mínima possibilidade de ser feliz um dia, pois terá que encarar a mãe e a avó para o resto da vida; 4) Ser considerado um adepto inveterado do “onanismo” aos 11 anos incompletos... Enfim, se tivesse acontecido comigo naquela época, não teria a menor dúvida: Preferia ir ao encontro do meu “Glorioso São Pedro das Lajes”! E para finalizar essa traumática história... Bom, meu amigo me culpou duplamente. Uma por ter trazido as “balas assassinas comigo” e a outra por ter feito um verdadeiro escarcéu, chamando até a última geração de sua família para vê-lo pelado. Já entendi tuuudo... Querem saber se me senti culpado, é isso? Claro que NÃO! Fui eu por acaso quem o obrigou a chupar a bala assassina? E ele queria o que? Morrer engasgado e só depois de alguns anos abrirem a porta é? Me poupem...

PS: Sim! Ainda fui me confessar com o Padre (era o Pe Diniz, na época). Daí falei tudo, contei tudo mesmo e fui perdoado... Amém! Depois passei na mercearia de meu pai e peguei mais uma porção de Balas... Como assim que Balas? As Balas Juquinha!! Sou bobo mais não, viu? Balas Soft... Nem trancado no banheiro da casa do P e d r i n h o...
Dedico este post ao meu querido primo "Betinho"( que faleceu jovem aos 12 anos de idade, vítima de leucemia ). Este post é todo seu parceiro... Sei que teríamos dado muitas risadas juntos.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

A LENDA DO NEGRINHO DO PASTOREIO


Caríssimos e Caríssimas... Eu poderia retomar minhas postagens falando de qualquer outro assunto. Mas achei pertinente retornar ao ponto de onde parei... Ah! É provocativo? Claro que sim... E Porque não? Sinto-me hoje “legalmente” apropriado e livre para falar sobre qualquer temática que me venha à cabeça, desde que munido de responsabilidades, direitos legais e respeito mútuo. É bem verdade que permaneci calado, ausente e engasgado todo esse tempo, mas agora que me foi dado “Ganho de Causa” no tocante à Calúnia (art. 138 do Código Penal); Difamação (art. 139 do Código Penal) e Injúria (art. 140 do Código Penal). Onde todas as acusações a mim direcionadas foram consideradas de cunho insubstancial - e consequentemente – Infundadas. Agora faço valer meu direito de “blogar” sem a PREOCUPAÇÃO EXCESSIVA com o politicamente correto. Portanto, ouso contar uma Lenda do Folclore Popular Brasileiro que permeou minha infância:
O NEGRINHO DO PASTOREIO

Esta é uma lenda de origem gaúcha, com fundamentos católicos e europeus. E foi muito contada no final do século XIX por brasileiros que defendiam o fim da escravidão. Conta-nos a lenda que há muito tempo, lá pelos pampas gaúchos, no Rio Grande do Sul... Existia um estancieiro avarento e muito cruel com seus escravos e peões.

"Só para três viventes ele olhava nos olhos: era para o filho, menino cargoso como uma mosca; para um baio cobos-negros, que era o seu parelheiro de confiança, e para um escravo, pequeno ainda, muito bonitinho e preto como o carvão e a quem todos chamavam somente, o Negrinho. A este não deram padrinhos nem nome; por isso o Negrinho se dizia afilhado da Virgem, Senhora Nossa, que é a madrinha de quem não a tem." ( LOPES NETO, Simões. 1960).

Naqueles fins de mundo, o estancieiro fazia o que bem entendia, sem dar satisfação a ninguém. Certa vez, debaixo de um frio desgraçado, o cruel senhor mandou que o Negrinho fosse pastorear os cavalos e os potros, coisa muito comum nos tempos em que os campos de estância não careciam de cercas aramadas. E o tal escravo Negrinho - órfão de pai e mãe – e que era maltratado por todos, principalmente pelos filhos do seu senhor, lá se foi, por entre os campos a pastorear... E era sempre assim, fizesse chuva ou fizesse sol, lá estava o Negrinho do Pastoreio pronto para servir. Mas um dia o pobre Negrinho perdeu um dos cavalos no pastoreio. E foi o suficiente para que ele apanhasse – impiedosamente - amarrado a um tronco. E mesmo cambaleando de dor, ainda foi obrigado a procurar o tal cavalo extraviado. Já se fazia noite, daí ele pegou um toquinho de vela e saiu campeando noite a fora. Mas de nada adiantou! O toquinho de vela acabou, amanheceu o dia e ele teve que voltar a estância sem vestígios do cavalo. Então foi outra vez amarrado ao tronco e barbaramente surrado até a morte. Dizem que o cruel patrão mandou abrir uma vala junto a um grande formigueiro localizado debaixo de uma árvore e jogou o pobre Negrinho lá, para que as formigas dessem conta do que restou de seu escravo. No outro dia, o estancieiro impiedoso foi com os peões e os escravos ver o formigueiro. E qual não foi sua surpresa ao ver o Negrinho do Pastoreio vivo e contente, ao lado de ninguém menos que a Virgem Nossa Senhora. E logo mais adiante, o cavalo outrora perdido. O estancieiro se jogou no chão pedindo perdão, mas o negrinho nada respondeu. Apenas beijou a mão da Santa, montou no cavalo e partiu conduzindo a tropilha. Desde então o Negrinho do Pastoreio ficou sendo o “achador” das coisas perdidas. E para que isso aconteça, basta apenas acender um toquinho de vela e pedir assim: "Foi por aí que eu perdi… Foi por aí que eu perdi… Foi por aí que eu perdi…" Se ele não achar ? Ah, meu bem!!! Ninguém mais acha.
Penso o seguinte: Durante toda minha infância escutei essa história, fosse contada pelo meu avô Albino, por minha mãe e/ou minhas tias; li também por diversas vezes essa mesma história; realizei trabalhos escolares na semana do folclore com o referido tema e até promessa fiz para o Negrinho do Pastoreio... Como é que agora - na casa dos quarenta - iria desconstruir tudo isso? E o que é pior, com a mesma facilidade com que tenho a obrigação de introjetar o politicamente correto no meu cotidiano. Sinceramente, não me imagino tendo que contar para meus futuros netos a “Lenda do Afrodescendentezinho do Pastoreio”. Sei da importância do politicamente correto e do respeito que precisamos ter em relação ao outro, com suas caracteristicas, desejos, formação e experiências. Mas não há como negar que – infelizmente – tem muita gente paranóica que exagera no politicamente correto e se utiliza da hipocrisia para atingir os menos desavisados. Portanto, que o Negrinho do Pastoreio ajude o Sr. Erinaldo Francisco de Almeida Trajano, bem como as Sras. Alexandra Maria Sotero Diniz Sobrinha e Dandara Lethieri Vasco d’Almeida a encontrarem o caminho do bom senso e da verdadeira militância em prol dos Direitos Humanos.


Fontes de Pesquisa:

LOPES NETO, João Simões. Simões Lopes Neto; contos e lendas. 2ª ed. Rio de Janeiro, Editora Agir, 1960. Nossos Clássicos, 5;

CASCUDO, Luís da Câmara. Geografia dos mitos brasileiros. 2ª ed. São Paulo, Global Editora, 2002, p.328-334;

Agradeço a todos os amigos que se manifestaram através dos comentários e em especial aos blogueiros amigos: LUSA VILAR, CRISTINA SIQUEIRA, CARLINDA NUNES E O MARCO SANTOS.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

INDIGNAÇÃO !!!


Deixo de lado o bom humor - que sempre permeou minhas postagens - e abro espaço para manifestar minha total INDIGNAÇÃO. Quero que saibam caríssimos leitores e blogueiros amigos que fui acusado de RACISMO. E em consequencia desta acusação estou sendo processado por um grupo militante dos Direitos Humanos. E querem saber o porquê? Simplesmente porque me recusei a alterar uma postagem que fiz no dia 13 de Janeiro deste ano, intitulada: " SABONETES COM AROMAS DO PASSADO". Nesta postagem eu me refiro ao sabonete PHEBO como "o pretinho básico que me satisfaz..." e mais adiante faço referência ao mesmo sabonete como: "meu escurinho e glicerinado sabonete PHEBO..." Estas poucas linhas foram suficientes para que o meu Blog Caríssimas Catrevagens fosse indiciado como: "possuidor de conteúdo racista e discriminatório". Confesso que isso me deixou bastante triste. Principalmente porque NÃO HOUVE uma intencionalidade racista nas minhas palavras e muito menos pretensão de agredir a quem quer que fosse. Fica claro em meu texto que me refiro especificamente ao sabonete em questão e não a origem racial das pessoas. Enfim, é com enorme pesar que me despeço dos meus fieis leitores e amigos blogueiros por um determinado tempo, até que essa questão se resolva judicialmente. E que fique bem claro que NÃO VOU aceitar a alcunha de RACISTA imposta por esse grupo de defensores dos Direitos Humanos, principalmente porque NÃO me sinto como tal. Apenas acho o seguinte: A partir do momento em que eu "retificar esses trechos" presentes em minha postagem, estarei automaticamente confessando uma intenção que NUNCA existiu. E para mim, tudo isso não passa de uma CENSURA INFUNDADA que vai de encontro à minha liberdade de expressão. E também faço saber que não estou pondo em pauta o mérito da lei que trata da discriminação. Muito pelo contrário, eu CONCORDO que o RACISMO precisa ser combatido e extirpado de nossa sociedade. Minha pretenção é tão somente clarificar a acusação que me foi feita injustamente por essa entidade de classe, pois não chamei NINGUÉM de "pretinho ou escurinho", fiz referência UNICAMENTE AS CORES DO SABONETE que uso e não às pessoas. Portanto, Caríssimos e Caríssimas, exibo novamente a postagem para que vocês possam analisar se o meu texto tem cunho RACISTA ou não. A opinião de meus leitores e amigos é muito mais importante do que o julgamento feito por esse grupo que me acusa. Cujas pessoas costumam exagerar naquilo que chamam de "politicamente correto" e ficam analizando tudo ao pé da letra, vigiando cada ponto e cada vírgula de tudo que é dito e/ou escrito por nós blogueiros. Espero que entendam meu afastamento temporário e meu posicionamento também. Eis o texto:





SABONETES COM AROMAS DO PASSADO





Caríssimos e Caríssimas! Hoje falarei de Sabonetes com marcas e aromas do passado... Tudo isso porque nas últimas festas de final de ano (Natal, confraternizações, amigos secretos...) recebi nada menos que, "nove caixinhas" de sabonetes da Natura. Caríssimos e Caríssimas, eu disse: Nove caixinhas de sabonetes da Na-tu-ra! Quase surtei, só não fiquei sequelado devido ao bom trabalho do meu terapeuta (creia!). Geeente! Qualquer pessoa que tiver acesso a este artigo - imediatamente - vai pensar que sou extremamente fedorento e que não tomo banho há séculos e séculos amém. Esperem, logo entenderão o motivo de tanta indignação... Bom, Imagine que cada caixinha contém três sabonetes, daí 03 x 09 igual a 27 sabonetes, ok! Levando-se em conta que um sabonete nas minhas mãos dura em média 06 dias. Isso quer dizer que 06 x 27 perfaz um total de 162 dias tomando banho com sabonetes da Na-tu-ra... NUUUNCA! Nem sob tortura. E que fique bem claro que não é nada contra a Natura e seus produtos (que por sinal, adoro os perfumes dessa marca). Acontece o seguinte, quem me conhece sabe que – tradicionalmente - e HÁ ANOS, só tomo banho com sabonetes PHEBO, o pretinho básico que me satisfaz. Só ele pode deslizar e fazer espuma no meu corpinho. E não adianta me presentear com sabonetes de outras marcas que NÃO vou usar. Este sabonete me remete aos tempos de minha infancia e possui o cheiro do meu saudoso PAI. E podem continuar me chamando de ultra/brega/radical, mas vou continuar FIEL ao meu escurinho e glicerinado sabonete PHEBO. Portanto, amigos/as presenteadores/as de sabonetes de quaisquer outras marcas, acostume-se com o meu cheirinho de PHEBO por mais uns cinqüenta anos! Foi muita ousadia dos meus amados e caríssimos amigos. Um verdadeiro complô para que eu deixasse de usar PHEBO... Sinto muito! Mas a estratégia não funcionou. Absuuuuuuurdo, me senti uma quase Salada de Frutas. Muito pior, a própria Carmem Miranda com uma fruteira na cabeça. Sim, verdade. Tinha sabonete de tuuuudo quanto era tipo de frutas: manga, pitanga, cupuaçu, maracujá, castanha e até de andiroba e priprioca! Geeente! Cheguei a pensar o pior: "Será que não estão querendo me matar com sabonete envenenado de andiroba com priprioca? Corri imediatamente na Wikipédia pra ver do que se tratava. Então, foi aí que me senti aliviado, pois descobri que Andiroba é uma planta medicinal da região Amazônica que serve para fazer velas que ajudam a repelir o mosquito da dengue (Oxe! como assim? imagina se vou usar um troço desses) e Priprioca, uma planta de raízes aromáticas, também nativa da região amazônica, mais conhecida como Piripirioca ( será que tem algo a ver com o "mêlo do piripiri" da Gretchen?). E eu pensando que se Priprioca não fosse veneno, seria algo do tipo: A prima distante da tapioca... (Eita Dhotta! Menos, menos... Não dispersa! Não! dis-per-sa.) Tá booom! Agora, no dia que inventarem sabonetes com as plantas nativas do meu sertão, tipo: mandacaru, aveloz e xique-xique, pensarei se vou tomar banho com outra marca que não seja PHEBO. Enfim, para encurtar essa estória, eu sou do tempo do sabonete LUX, REXONA, PALMOLIVE, GESSY, SEIVA DE ALFAZEMA,VALE-QUANTO-PESA, ALMA DE FLÔRES, BIO-CREMA, MYRURGIA (Maja, Maderas, Promesa), EUCALOL, LEVER, VINÓLIA, SOLIS, LIFEBUOY, CINTA AZUL, SENADOR, LAVANDA MEMPHIS, SUPER ORIGINAL, ANN BOW, FRANCIS E PHEEEEEEBO !!! Portanto, Caríssimos e Caríssimas, re-visitem agora os aromas, as cores, as embalagens e as propagandas dos Sabonetes que marcaram "ÉPOCA" nas nossas vidas... Divirtam-se.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

" LEITE DE ROSAS - O PREPARADO QUE DÁ IT ! PORTANTO, BOM DIA BELEZA!!!

Foi no Rio de Janeiro em 1929 que um seringalista de nome Francisco Olympio, juntamente com um amigo farmacêutico, criou a fórmula do Leite de Rosas. Mal sabiam eles que esse produto iria se tornar um componente “básico” e agregado da família tradicional classe média. Qual dona de casa nunca removeu a maquiagem do rosto com ele? Quem nunca viu o pai, o avô, o tio, o primo ou o vizinho da esquina ao lado passando Leite de Rosas na cara após fazer a barba? Sem falar que era um ótimo "desinfetante" para aqueles que tinham problemas de “sovaqueira crônica” (Q foi? Sovaqueira vem de sovaco mesmo meu bem...). Eu mesmo usei - d e s e s p e r a d a m e n t e - esse produto na adolescência para acabar com a praga de espinhas que infestavam meu rosto. Sem falar que o Leite de Rosas tem o cheiro das avós de antigamente... A minha avó sempre usou produtos e cosméticos de prateleira de supermercado e ou Pharmácia... E sempre foi feliz e muuuuuito cheirosa. No máximo, usou produtos da AVON. Enfim, O Leite de Rosas já teve o seu tempo de Glamour, era “O preparado que dá IT”, assim diziam os reclames da época.


BOM DIA BELEZA !...
Hoje, Amanhã e Sempre...


"...Seja uma garota de corpo lindo, fresco e saudável. O tratamento com leite de rosas mantém por anos à fio o frescor e o aveludado da cutiz, dando ao semblante mais feminilidade na delicadeza de uma expressão sempre moça, sempre marota". (Reclame de 1956)
Imagina você acordar todos os dias "linda, maquiada e marota", e depois de um pesadelo horroroso ainda dizer: Bom dia Beleza!!! Geeeente, acho isso o máximo! É como acordar num mundo digno de uma "Tolíssima Alice" no país das maravilhas, né não? (RS!)

O Leite de Rosas foi o primeiro anunciante a mostrar moças em trajes “ditos” menores (biquínes) em suas campanhas publicitárias. E ainda na década de 30, com o slogan “O preparado que dá IT”, o produto entrou nos lares brasileiros, transformando o Leite de Rosas no produto mais almejado da época.
Anúncios da década de 40
  Anúncios da década de 40
O Leite de Rosas na década de 50 - à convite do poderoso chefão dos Diários Associados (Chatô) - patrocinou os primeiros concursos de Miss Brasil na Televisão. Isso quer dizer que: As Misses usavam os Maiôs Catalina, se pintavam com Helena Rubinstein e cheiravam a Leite de Rosas. Eu até acredito que as misses da época usaram o Leite de Rosas. O que não dá para acreditar é na Angélica usando Óleo de Amêndoas Paixão e a Xuxa se lambuzando “toda” de Hidratante Monange... Me poupem! No resto, eu acredito.
A Miss Brasil 1957, Teresinha Morango, foi uma das garotas propaganda do produto na época (ver os reclames a baixo). Sinto e acho importante salientar - principalmente para os “mais jovens” - que Teresinha Morango foi a segunda colocada no Miss Universo de 1957 e NÃO tem nada a ver com a Mulher Melancia ou a Garota Samambaia, tá gente!!!
A Miss Brasil Terezinha Morango
A Miss Brasil Terezinha Morango
Carmem Miranda
Carmem Miranda
Em 1967, o Leite de Rosas deixa definitivamente a sua famosa embalagem de vidro e passa a ser comercializado em frascos plásticos. A primeira embalagem plástica possuía a combinação das cores atuais, porém o frasco era branco e o texto rosa. Logo depois, invertendo-se o jogo de cores (o frasco passou a ser rosa e o texto, branco) cria-se então uma forte identidade da marca. Todo mundo hoje em dia é capaz de reconhecer um frasco de Leite de Rosas à quilômetros de distancia, e o cheiro? Esse nem se fala... Portanto, Caríssimas!!! Usem diariamente o Leite de Rosas e acordem belas e marotas. Boooooooooooom Dia Beleza!!!!!!!!

sábado, 6 de junho de 2009

QUEM SE LEMBRA DO BEBÊ DA JOHNSON & JOHNSON ?

Quem não se lembra desse Bebê? Ele estampou durante muitos anos páginas e páginas de revistas como sendo : “O Bebê da Johnson & Johnson”! E qual a mãe coruja que mesmo tendo “O Bebê de Rosemary” em casa, não se identificou com ele? Geeeente! Essa linda criancinha invadiu o imaginário popular de muitas mães na década de 50, 60, 70... Toda revista tinha uma propaganda com o pôster desse Bebê. E quando você abria as revistas, logo dizia: Aí que coisa mais linda esse Bebê da Johnson's !!! Era o Bebê idealizado por 09 entre 10 mães na hora de parir... Até nos consultórios pediátricos era comum encontrar um pôster desse bebezinho pendurado na parede.
O danado do Bebe era tão lindo que parecia ter sido inventado... E o bom de tudo, é que ele era de verdade sim! E era uma bebezinha. O nome dela era: Magda Solange Ferreira. Digo “era”, porque atualmente esse Bebe é uma linda senhora de 53 anos de idade. E segundo minhas pesquisas, ela ainda mora em São Paulo, cidade onde nasceu.
No início, o método “original” de escolha do Bebê Johnsons era apenas fotografar bebês nas maternidades públicas, e a seleção era feita por um júri. E foi em 1957, na Maternidade Leonor Mendes de Barros, que um dos fotógrafos contratados pela Johnson & Johnson descobriu essa linda criança, uma menina de cabelos loiros e olhos brilhantes. A foto impressionou tanto os jurados, que a menina Magda foi escolhida como o primeiro Bebê Johnson brasileiro.

Numa segunda fase e com um novo formato, a promoção Bebê Johnson’s foi relançada no Brasil. A princípio incluiu apenas o Estado de São Paulo e após um ano, participantes de todo o Brasil puderam concorrer. Os pais eram estimulados a enviar cartas com fotos dos bebês nas mais variadas poses: engatinhando, chupando o dedo do pé, sentado no troninho, fazendo caretas, deitado na grama... Enfim, fotos descoladíssimas dos filhotes lançados ao estrelato. A Johnson & Johnson recebia anualmente mais de 10.000 cartas vindas de todas as regiões do país. As inscrições podiam ser feitas durante 3 meses - de julho a setembro - e a partir daí eram selecionados 10 semi-finalistas que participavam da grande final em São Paulo. Os vencedores iam para a mídia ilustrando anúncios e protagonizando comerciais de TV. Alguns desses bebês Johnson’s conquistaram mais de 15 minutos de fama, como é o caso do ator Matheus Carrieri. A grande final do concurso era realizada durante a Semana da Criança, no Parque do Ibirapuera. O critério que determinava a escolha do “Bebê Johnson” era beleza, graça, proporção de altura e peso, saúde, simpatia e expressão. O vencedor da promoção era considerado, durante um ano, o símbolo da criança brasileira. Em apenas cinco anos de existência da promoção – entre 1965 e 1969 – o evento se tornou um dos mais importantes na história da Jonhson & Johnson. A grande vencedora do concurso no ano de 1965, foi a menina Ana Helena (foto a cima).
A geração da década de 60 se encantava com a escolha das lindas misses patrocinadas por Helena Rubinstein e pelos Maiôs Catalina. E nesse clima de culto à beleza e glamour da época empolgava-se ainda com a escolha do mais belo bebê do Brasil, que, como as misses, também era coroado. Os bebês recebiam uma coroa dourada, símbolo de “Sua Majestade”. Era um concurso voltado para a classe média, as fotos costumavam ser produzidas em estúdios profissionais. O Bebê Johnson’s da foto, o sergipano Carlos Kleber Nabuco Teixeira Junior, é hoje um senhor de 40 anos. Ele foi um dos vários bebês a receber a coroa de ouro na década de 60, enquanto os demais concorrentes recebiam diplomas e medalhas. Foi assim que o concurso Bebê Johnson’s marcou toda uma geração e constituiu-se numa das ações promocionais de maior requinte de todos os tempos. Um dia o concurso acabou, mas o estigma do Bebê Johnson’s ficou na memória de gerações e gerações que não vivenciaram a promoção. Pois todos nós já ouvimos falar alguma vez em tom de elogio, deboche, ou mesmo saudade: "E num é que ele parece um bebê da Jonhson’s!"
O Bebê Johnson foi referência de criança bem-nascida e bem cuidada. A promoção estimulava a venda de fraldas, xampus, higiapele, talco, óleo, lavanda, sabonete, cotonetes, calças impermeáveis e os alfinetes Johnson’s, aquelas presilhas (broches) que eram o terror de mães e babás que com freqüência espetavam os dedos, e por vezes, não furava o umbigo da criança.
Como ação complementar a empresa distribuía cartilhas com dicas de cuidados durante a amamentação, sugestão de papinhas, formação de enxoval, decoração do quarto, etc. O folheto continha ainda um diário a ser preenchido pelas mamães com informações como peso, altura, dia do batizado, da primeira palavra, do primeiro passeio, primeiros passos, primeiro dente, primeiro aniversário, primeira travessura...
Enfim, registrava-se tudo que o Bebê fazia ou deixava de fazer. Agora! De uma coisa fiquem certos: Pode passar o tempo que for... Mas sempre haverá uma “mamãe coruja” de plantão, disposta a “coroar” seus filhotes como “Os Bebês mais lindos do mundo”, tal qual os saudosos Bebês da Johnson & Johnson.

terça-feira, 2 de junho de 2009

E O JOÃO TEIMOSO NÃO QUER DEITAR !

Um dia eu ganhei um João Teimoso de meu pai. Ele tinha a cara do Zé Colméia e era um boneco de plástico meio duro (existiam também os insuflados, aqueles cheios de ar...). 
Todo João Bobo possuía a parte inferior arredondada e NÃO DEITAVA JAMAIS... Dava raiva!!! Não sei porque me deram um boneco bobo desses... 
Enfim, quando lhe dava uns tapas ele balançava, balançava e voltava para a posição inicial de antes. Sinceramente! Que bonequinho bobo o tal do João Teimoso. Eu como não era um garoto bobo, nunca que iria gostar de bonecos bobos e sem graça. Meus brinquedos preferidos eram aqueles de montar e desmontar, tipo: Pequeno Arquiteto, Poly (que depois passou a se chamar Lego) e todos os outros que possuíam encaixe.
 Olha o João Teimoso aí gente !!!
 Pode balançar que ele não cai e nem deita...
Mais um dia, cansado de possuir um boneco tão teimoso e tão bobo como aquele... Resolvi então fazer uma “GRANDE” cirurgia no pobre coitado. Geeente!!! Q foi?? Não me olhem assim. Juro que "na época" eu tive a melhor das intenções. Pensei comigo: É hoje que vou curar a teimosia desse danado! Santa pretenção... Logo EU? Curar a teimosia do João Teimoso... Me poupem!!! No fundo eu já sabia que a cirurgia seria irreversível. O boneco iria ficar sequelado para o resto da vida. E foi o que aconteceu. Peguei uma faca peixeira na cozinha, abri o boneco ao meio e descobri o segredo de tanta teimosia: Sua base arredondada era feita de ferro com enchimento de areia. Vê que coisa mais boba!! E ainda levei uma surra da minha tia por ter destruído o boneco. 
E quer saber a verdade? Fiquei com remorso SIM! Pois um enorme sentimento de culpa me invadiu a alma. Me senti o próprio Jack, "O estripador de João Bobos". E hoje eu já acho o João Teimoso super engraçado e nostálgico. Tenho pretenções de um dia colocar na minha sala um João Teimoso bem "grandão". Porque não?? Quem sabe algum designer cool vai desenvolver um João Teimoso com cara de Toy art ou estilo Retrô. Imaginem! Apês descoladíssimos do mundo todo se utilizando do João Teimoso... Seria o máximo!

domingo, 24 de maio de 2009

OS ALMANAQUES DE PHARMÁCIA DO MEU AVÔ - Uma Literatura de Primeira -


Eu NÃO SOU do tempo da "PHARMÁCIA" com PH.... Mas tudo que se relaciona com Pharmácias e Drogarias Antigas me interessam e muito. Nasci numa família literalmente farmacêutica: Meu bisavô materno foi o primeiro farmacêutico da minha cidade natal e depois os filhos e os netos seguiram seu legado. Até meu pai que sempre foi um grande comerciante de estivas e cereais, se meteu com farmácia. Enfim, tudo isso é para deixar claro que esse universo farmacêutico me é muito familiar... E mais familiar ainda, são os ALMANAQUES DE PHARMÁCIA que meu avô colecionou durante anos. Lembro que ao se aproximar o mês de dezembro (período em que começava a ser distribuído os referidos almanaques), o meu avô Albino sempre organizava sua coleção para que os novos números que estavam por vir, se encaixassem bem d-i-r-e-i-t-i-n-h-o. E todo final de ano era o mesmo ritual: Trocar as caixas de papelão, colocar plásticos novos e colocar remédio anti-traça e naftalina em tuuuuudo. Eu e meu irmão ficávamos horas vendo todos aqueles Almanaques: Almanaque Sadol, Almanaque do Licor de Cacau Xavier, Almanaque Dr. Schilling, Almanaque d’A Saúde da Mulher, Almanaque Bristol, Almanaque Capivarol, Almanaque Bayer, Almanaque Cabeça de Leão, Almanaque Catedral, Almanaque Silva Araújo, Almanaque do Colírio Moura Brasil, Almanaque Elixir Brasil, Almanaque Elo Nosso, Almanaque Guaraína, Almanaque de Ross, Almanaque Silveira e o mais conhecido de todos: O Almanaque Biotônico Fontoura. O mais engraçado é que o meu avô lia para nós – sempre - as mesmas piadas, as mesmas adivinhações, as mesmas histórias e assim terminávamos por decorar um montão de coisas. Na minha cabeça, aqueles caderninhos eram poderosos e sabiam de tudo mês-mo! Aprendi nos Almanaques do meu avô que "a unha da mão cresce 04 vezes mais do que a unha do pé"; "que o músculo mais forte do ser humano é a língua"; "que alguns insetos vivem até um ano sem a própria cabeça" (Já imaginou uma muriçoca descabeçada?)... Aprendi à toa, é verdade. Mas o importante é que um dia eu soube que fiquei sabendo de algo que hoje não me serve pra nada (rs!)... Enfim, a tão famosa! A tão criticada! E tão perseguida "Literatura de Almanaque". Acho uma bobagem criticar a literatura popular dos Almanaques!!! Meu avô lia Sartre, literatura de cordel, gibis do tin-tin, almanaques e, sempre foi culto. Se por um lado o almanaque nos ensinou um montão de coisas fúteis, ele ensinou também novos hábitos de higiene, saúde e beleza. E de acordo com o historiador, Mario Luiz Gomes, em seu artigo científico: "Vendendo saúde! Revisitando os Antigos Almanaques de Farmácia", disponibilizado no site http://www.scielo.br, nos revela que os antigos almanaques de farmácia foram capazes de criar novos padrões de comportamento, usos e costumes. E outra coisa, alimentou histórias fantásticas de "enormes lombrigas" dentro de nós... Meu Deus!!! Morria de medo de pegar "amarelão" e terminar igual ao Jeca Tatu... Enfim, o Almanaque de Pharmácia fez parte da vida de muita gente. Fez parte de um tempo em que para tudo havia uma solução: Bastávamos seguir - a risca - o que dizia o almanaque, e pronto! Estávamos salvos.... Hoje nem os almanaques e nem o Brasil apontam tantas soluções assim e as farmácias também não são mais as mesmas. Elas estão hoje mais para as vaidades do que para as enfermidades humanas. Lembro que na farmácia de meu pai, entrava gente passando mal, desmaiando (revirando os olhos, dando birôlas e passamentos), menino chorando com braço quebrado, vomitando e se "obrando todim". Gente pintada de merthiolate, com gaze, algodão e esparadrapo espalhados pelo corpo, gente mancando, puxando uma perna, medindo febre com termômetro debaixo do sovaco, tirando pressão, pedindo fiado, comprando cachete, tomando soro na veia ou fazendo sei lá mais o que... E aquela cliente que vinha da zona rural (sítio goiabeira), freguesa antiiiiiiga com saia na canela e que todo mês vinha tomar injeção na... No músculo glúteo? E aquele cheiro de remédio? E o banco de madeira para jogar conversa fora ou recuperar os sentidos depois de uma Benzetacil mal aplicada? Na época não havia hospital na minha cidade, primeiro se passava na Pharmácia e depois é que se ia para um posto de saúde. Os fregueses que hoje freqüentam e/ou "passeiam" por uma farmácia, dão a impressão de que não precisam de absolutamente nada, que estão esbanjando saúde. Atualmente se entra numa pharmácia para comprar revistas, cartão telefônico e "jujubas"... No máximo, se compra uma camisinha. Geeeente! Onde está o clima das Pharmácias de antigamente? Até as balconistas tem cara de "aeromoças amestradas". Dá vontade de tirar uma sarro da cara delas e perguntar: Ô moça! Já chegou o Almanaque de 2009 do Biotônico Fontoura? E o do Capivarol? O queeeeee!!!! Como assim? Nem o do Elixir de Inhame chegou? Num acredito... Então tá! Diga pro seu gerente meu amor, que esta farmácia está incompleta e eu não volto mais aqui! Passar bem, meu bem... Dou as costas e pronto.

E para você que não sabe do que eu estou falando, explico: O Almanaque de Pharmácia era um livreto publicado anual e/ou mensalmente, dependendo do laboratório farmacêutico que o patrocinava e de sua estratégia publicitária. Tinha um formato de mais ou menos 13x18 e os textos e as ilustrações eram impressas em papel de segunda, bem “póbi” mesmo. Esses “livretos do saber” eram distribuídos gratuitamente pelas empresas e laboratórios em grandes tiragens, fazendo com que seus exemplares chegassem às Pharmácias e regiões mais distantes do país. Suas páginas continham piadas, charadas, calendários, fases da lua, dicas de saúde, receitas culinárias, cartas melodramáticas, jogo dos sete erros, caça palavras, calendário agrícola, horóscopo, santos do dia, histórias diversas, datas importantes e comemorativas, textos poéticos (contos, poesias, crônicas) e claro, PROPAGANDAS DOS REMÉDIOS. Nos Almanaques de Pharmácia você encontrava de tudo um pouco.Tinha para todos os tipos e para todos os gostos. Eles podiam ser ao mesmo tempo úteis, fúteis, tradicionais, modernos... Ou tudo isso junto! Me parece que o objetivo maior era o de responder sempre a todas as perguntas e curiosidades.

Meu avô falava que nas décadas de 30,40 e 50, alguns Almanaques vinham com um cordãozinho que servia para pendurá-lo na parede. Geeeente! O Almanaque era respeitado e tinha o seu valor no aconchego familiar, principalmente na zona rural. Ele era pendurado num lugar privilegiado: na sala ou na cozinha. O Almanaque para quem morava na roça, era o médico, o conselheiro, o humorista, o amigo, o agrônomo... Ele apontava soluções e cura para tudo. Vinha sempre acompanhado de sedutoras possibilidades de realização... Fico pensando o seguinte: Se o Almanaque de Pharmácia foi capaz de implantar novos hábitos, criar novos padrões de comportamento, usos e costumes... E se ele tinha realmente soluções e cura para tudo! Não seria o caso de pendurar no pescoço de cada parlamentar um desses Almanaques? Quem sabe não encontraríamos a cura para a falta de caráter e para a falta de vergonha.... Não custa tentar!

O Almanaque Biotônico Fontoura, lançado em 1920, foi criado (elaborado e ilustrado) por ninguém menos que Monteiro Lobato! Ele criou nas suas páginas o folclórico personagem Jeca Tatu, o caipira que fez tanto sucesso que apareceu também nos seus livros infantis.

"Numa casa de sapé

Lá na beira do caminho

com dois filhos e a "muié"

Mora o Jeca Tatuzinho.

No terreiro uma galinha

um galo velho e um leitão

e o quintal sem plantação

Jeca vive descansando

Nunca tem disposição

Passa o dia se espreguiçando

Diz que pro trabalho

Não tem vocação.

Numa tarde que chovia

Um doutor por lá passou

Vendo Jeca que sofria

Um remédio receitou

E lhe disse: meu amigo,

Não ande mais de pé no chão:

Sua doença é amarelão

Jeca comprou sapato

Prá família e prá a toda a criação

Dava gosto a gente "vê"

galinha de botina

e galo de botinão.

Quem passar pelo caminho

Fica logo admirado

Já não tem mais o ranchinho

No lugar tem um sobrado

Hoje em dia, o Tatuzinho

É o maior dos "fazendeiros"

Tem saúde e tem dinheiro

Sua história é uma lição

Prá quem anda de pé no chão

Sapato no pé
prá não "entrá" os "bichinho"
É a receita do
Jeca Tatuzinho".

A figura da mulher ao lado, segurando e/ou exibindo um frasco de Biotônico Fontoura era uma constante nas capas desse Almanaque. Pessoas de destaque no meio artistico figuraram nas capas do Almanaque Biotônico Fontoura.

Ainda segundo Mário Luiz Gomes, os Almanaques foram desaparecendo à medida que se sofisticavam as técnicas de propaganda e marketing. E dos milhões de exemplares lançados pelo Brasil afora, poucos restam. Representam, atualmente, testemunhos insubstituíveis de época, e um patrimônio comum a toda nossa indústria farmacêutica.

No Brasil - em 1887 - o Almanaque Pharol da Medicina, elaborado com o patrocínio da Drogaria Granado do Rio de Janeiro, juntamente como Almanaque do Dr. Ross – 1891 – criado para divulgação aqui no Brasil, foram os modelos pioneiros dos almanaques de farmácia. As pílulas de Vida do Dr. Ross, amplamente divulgadas pela propaganda radiofônica, bem como o Sabonete Ross, Talco Ross, Pasta Dentifrícia Ross, Quinina de Ross, entre outros... Eram presença constante nas páginas desse pioneiro Almanaque.

Lembro-me das capas com ilustrações e fotos diversificadas, sempre coloridas e exaltando a beleza feminina. E com o passar do tempo foram evoluindo gráfica e tematicamente. Chegando a fazer referência aos componentes culturais e históricos de cada época e região. E na maioria das capas havia um espaço reservado onde o dono da farmácia colocava o nome e o endereço do seu estabelecimento comercial.
E a quantidade de remédios esquisitos que apareciam nos Almanaques: Asardol, Phosphol, Hespiza, Sinolina, Gonolina, Becolino, Vermífugo Kraemer, Eczemol, Jalapa Composta, entre outros... Na verdade, eu adorava esses nomes esquisitos e diferentes. Quanto mais difícil era o nome, mas eu gostava. Decorava tuuuudo!!. E na maioria das vezes nem sabia o significado. O importante na época, era falar bonito. Foi no Almanaque Catedral que li pela primeira vez, aos oito anos de idade, a palavra Gonorréia. Li também que para curar a Gonorréia era preciso injetar uma substancia chamada "Gonolina". E como eu lia tudo e todos os Almanaques da coleção de meu avô, pouco me importava se o ano era 1940 ou 1974 ... Eu queria mesmo era ler e aprender. Daí certa vez eu disse para minha avó:

- Ô vó! Acho que preciso tomar uma injeção de Gonolina...
- Ôxe! Como assim?
- É que eu tô com Gonorréia!! E é das “brabas”, viu...
- O queeeeee!!! Ai meu Deus...
- Besteira vó, eu li que na terceira aplicação os sintomas da gonorréia desaparecem...
- MEU FILHO !!! Você ainda nem completou nove anos...
- Eu sei vó... Mas não precisa se preocupar não! É só uma gonorréizinha de nada...
-Pelo AMOR DE CRISTO JESUS!!! É por isso que você tá amarelo desse jeito...O que foi que você andou fazendo? HEIN!!! Me diga logo... Vou mandar chamar o seu Pai, AGORA!!!!
- Ôxente vó? Pra quê chamar meu pai?
-Pra lhe dá uma SURRA BOA! Porque eu não tenho coragem de bater em neto doente. Ainda mais com uma doença dessas...
- Vóóó!!! Ave Maria... Que foi que eu fiz???
-Você ainda pergunta é!!! Você ainda Pergunta?
- Eu juro! Eu juro! Dessa vez eu não fiz nada ... Só estou com desinteria! E a senhora ainda quer mandar me bater.....
- Ãh????

Enfim! Sentiu o drama né? Gonorréia e Diarréia para mim eram a mesma coisa... Do tipo irmãs siamesas, da mesma placenta e univitelinas.... E o pior é que minha avó ficou olhando torto pra mim durante uma semana. Pode?
A saúde e a beleza da mulher são o destaque principal nas páginas do Almanaque "A Saúde da Mulher". Os assuntos pertinentes ao bem estar feminino foram largamente explorados e enalteceram a vaidade e os sonhos do público feminino. Afinal de contas, era A SAÚDE DA MULHER que estava em jogo...
O Almanaque D' SAÚDE DA MULHER


O Almanaque CAPIVAROL


O Almanaque do ELIXIR PRATA


O Almanaque GOULART


O Almanaque ISA


O Almanaque do BRISTOL e o Almanaque de um Laboratório da DÉCADA DE 30


O Almanaque do Lab. VELMON e o Almanaque do LICOR DE CACAU XAVIER


O Almanaque CALCIGENOL e o Almanaque SILVEIRA


O Almanaque do Dr. SCHILLING e o Almanaque do COLÍRIO MOURA BRASIL


O Almanaque FOSFOTONI e o Almanaque ELO (da pomada Minâncora)


O Almanaque GUARAÍNA


O Almanaque da BAYER e o Almanach PIUMHY


O Almanaque ELIXIR DE INHAME


O Almanaque RENASCIM