.

.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

ÁLBUNS, RETRATOS, RISOS E NOSTALGIA!

Esse tipo de álbum ainda esta presente na memória de muita gente. Ele fez história e guardou momentos inesquecíveis dos anos 50/60 e 70.
Existiam vários modelos no mercado e as páginas vinham nas cores azul, verde e salmão. A paisagem bucólica era uma constante nas capas desses álbuns. As cantoneiras para colar nas páginas e depois encaixar as extremidades das fotos eram o máximo. 
E o papel de seda sobrepondo as páginas pra menino de dedo sujo não manchar as fotos? A maioria das famílias possuía um álbum assim. E para quem é saudosista como eu, guarda-os até hoje.
As fotos eram distribuídas de forma cronológica em um ou em vários álbuns. Sempre obedecendo ao sequencial da vida de cada pessoa ou dos membros da família. Toda moça “bem nascida” possuía seu álbum de solteira, e depois de casada, seu álbum familiar. Assim ensinaram os colégios internos das Irmãs Dorothéias... Minha tia que o diga.
Colocar fotos dos rebentos nas mais diversas poses, situações e momentos “sui generis”, era o que havia de mais contemporâneo, moderno e atualizado pra época. E tirar foto do filho varão “nu” com a pitoca de fora... Nooossa! Nove entre dez famílias faziam (e fazem!) isso. Eu acho que era (e ainda é) uma forma de dizer pra sociedade machista: “Meu filho tem – aquilo - roxo...” (lembraram do Fernando Collor?!) Mas enfim, os meninos dificilmente escapavam de uma foto como essa. E como não podia deixar de ser diferente, eu e meu irmão também passamos por isso. Pois é... Só que hoje eu me recuso a mostrar o tal ensaio fotográfico. Até porque não fomos consultados na época. E posar pelado e de graça, nunca. Por isso resolvi mostrar apenas a foto da minha irmã pelada (com o seu devido consentimento, lógico!) . Ou melhor, seminua. As meninas eram fotografadas de calcinhas “bunda - rica”. Entre outros momentos, fotos do Carnaval e do São João, eram presença certa no álbum.
Fazer a primeira comunhão... Uma tradição secular de toda e qualquer Família Católica Apostólica Romana. Portanto, nada mais comum que fotos e mais fotos de todos os filhos em momentos de plena eucaristia. Amém!
Ahhhhh! As recordações escolares sempre mereceram "destaque" nos álbuns de antigamente. Os pais faziam questão de registrar cada momento da trajetória escolar dos filhos (o que não é diferente de hoje em dia...). Desfile de 07 de setembro em “pelotão especial”; apresentações em sala de aula; momentos festivos na escola; primeiro dia de aula ... Entre tantos outros. Agora! Não existe nada mais simbólico pra época do que aquelas fotos intituladas: Recordação Escolar. O aluno ficava “sentadinho” no birô do professor, e ao lado,  uma pilha de livros didáticos. Isso sem falar no Globo Terrestre disputando espaço no birô...  Por traz, como pano de fundo, a bandeira do Brasil exigindo ordem e progresso. Saudades de mim...
Muitos foram os momentos registrados e colados nas páginas desses álbuns... Fotos sentados/as no troninho; cercado pelas latas de leite ninho; no berço; nos cavalinhos dos studios fotográficos; quinze anos...
Dizem que o primeiro carro a gente nunca esquece, né? Então, meu irmão e eu nunca esquecemos os nossos. Fotos com os brinquedos e as  brincadeiras com os irmãos eram devidamente registradas nos álbuns. A maioria das fotos eram tiradas em preto e branco, uma vez que  fotos coloridas custavam caro na época. Mas com o advento e popularização das máquinas fotográficas, ficou bem mais fácil  registrar tudo ao vivo e à cores. 
Álbum típico para as crianças dos anos 50 e 60.
Álbuns para as meninas dos anos 70.
O tradicional “Álbum de Família” tornou-se um acessório indispensável dentro do lar. Era uma forma de agregar, num só lugar, o registro de um passado familiar, bem como, uma vida inteira de lembranças. Mas não era todo mundo que vivia assim, sabe... Tirando fotos e fotos. Era caro! Conheci famílias que só tiravam fotos em último caso. É verdade! Só tiravam fotografias por necessidade ou obrigação. Do tipo, fazer  matricula em colégio, abreugrafia, título de eleitor e alistamento militar... Quando muito, se tirava fotos nos batizados e primeira comunhão. E olhe lá, quem sabe, no casamento. Minha avó materna dizia que no tempo dela, o “retratista”, passava umas três vezes ao ano. Tempo suficiente para fazer roupa ”nova”, engordar e ficar mais “coradim”. Esse negócio de tirar retrato magro e com cara de doente? Valia não meu bem. Em festas juninas, natal e  ano novo a presença dos retratistas era tão certa  quanto uma Roda Gigante e um picolé de k-suco meu bem. E eles faziam de um tudo para que as famílias tirassem retratos e mais retratos. E depois pendurassem na parede da sala, quarto, corredor, escada  e em  tudo quanto era lugar. Daí pesquisando na NET encontrei fotos - interessantíssimas - que retratam a  necessidade de sedimentar no tempo os nossos entes queridos.
Então, com o passar dos anos se tornou comum chamar o fotógrafo e marcar o dia e hora para se tirar fotos em casa. Seu Joãzinho fotógrafo (pai de meu amigo sansão) e seu Erides bateram muitas fotos nossas. Principalmente em aniversários e desfiles de 07 de setembro. Mas quando as fotos careciam de um melhor acabamento, minha mãe chamava um fotografo da cidade de Patos/PA. E haja fotos em tudo que era canto da casa.... No caso das famílias cuja prole era imensa, o único jeito era juntar toda a meninada pra caber numa foto só. (vide foto a cima)
O bom do registro dessas fotos - ao longo dos anos - é que podemos perceber o quão já fomos antenados em relação aos ditames da moda e aos costumes da época. Mas Geeeeente... Fala a verdade! Tem determinadas fotos que a gente não mostra pra ninguém... Sinceramente! Eu tenho uma tão medonha, mas tão medonha... Que eu juro, vai ser enterrada comigo. Mas é verdade! Existem umas fotos que são o “Cão” de feias e nos matariam de vergonha se exibidas hoje em dia. Ei Dhotta! Se é tão feia assim porque você não rasga e joga fora... Hããã? Boa pergunta! Que faço caríssimos/as...
Espalhar retratos pelos quatro cantos da casa era um luxo só. Sinal de abastança caríssimos/as. Retratos de tudo quanto era tipo, tamanho e molduras invadiam as paredes. Muitas vezes retratos enoooormes que mais pareciam cartazes de cinema. E muitos deles, aqui pra nós, bizarros, né não?
A família ocidental retratada ao longo das décadas de 50, 60, 70 e 80 obedecem a um mesmo estilo fotográfico. Tudo muito certinho e padronizado. Exatamente como reza a cartilha de uma típica família de comercial de margarina . E ai de quem ousasse fazer um ensaio fotográfico baseado nas novas configurações familiares. Seria uma afronta! 
Pais e filhos posando para posteridade virou uma constante no cotidiano familiar da época.  Uma vez que tirar fotos dos filhos e em familia dentro dos studios tornou-se uma obrigação para muitos. Principalmente porque o modelo familiar vigente pedia isso. E haja foto meu bem...
Nunca gostei de tirar foto com cara de menininho - bonitinho - comportadinho da mamãe. Esse tipo de foto (que eu me lembre) só tirei na marra, forçado! Eu e meu irmão odiávamos tirar fotos dentro de studio. Já minha mãe adorava fotos assim, do tipo, bem produzidas e com todos os ângulos possíveis da fotogenia. Uma tortura para nós meninos... E naquela época os studios não possuíam ar condicionado. O calor era dos infernos! Sem falar no cheiro de mofo e na poeira entranhada nas cortinas e cadeiras! Era impossível fazer cara de menino - naturalmente - feliz.
Quando chegava a hora da foto era o maior “caqueado”. O fotografo ajeitava a gola da camisa, aprumava a cabeça (a minha? Vivia “troncha” meu bem! Pendendo pro lado esquerdo igual a frei Damião)... E antes de olhar para o passarinho, vinham as recomendações: Fecha a boca menino; olha pra frente; para com esse fungado; abre esse olho e vê se não pisca... Uma tortura que parecia durar horas. Por isso é que as vezes os guris saíam com cara de ódio nas fotos.
Caríssimos e caríssimas, observem esse pose... Então? Quem nunca tirou uma foto assim. Algo bem existencialista: Penso, logo existo! Ou seria? Existo, logo penso! Bom, intelectualidades a parte... Agora! uma coisa é certa, a mãozinha no queixo e o cotovelo sobre a mesa estampou muitos álbuns e porta-retratos da nossa época.
Parece-me que com as meninas tudo era bem mais fácil de conseguir... Bastava “empiriquitá-las” e elas se sentiam princesas. Pelo menos com as minhas irmãs era assim. Tudo era muito mais tranqüilo na hora das fotos. Percebam a alegria dessa garotinha... Um escancaro de tanta felicidade.
E se a foto fosse de corpo inteiro? Os meninos não podiam se remexer ou bulir um dedo sequer. Era para olhar pra frente, juntar as pernas e ficar “todo duro” feito estátua. Nem pensar em coçar a bunda nessa hora... Num sei porque, mas menino tinha dessas coisas, né ?! Quando era hora de rezar o pai-nosso de mãos dadas, tirar foto e apresentações na escola, dava vontade de coçar a bunda... Vai saber! Portanto, 1,2,3... S-e-n-t-i-d-o! E a roupa? Tinha que estar linda, na moda e impecável! Camisa saindo de dentro das calças? Nem pensar meu bem. A cara e a pose tinham que ser de artista... O máximo!
As meninas eram mais comportadas. Adoravam se olhar no espelho e tinham apenas que se preocupar com o cabelo e com vestido para não amassar. O resto era com o fotógrafo... E aí do fotógrafo se a filha não saísse linda na foto.
Lembro ainda que minha mãe e minhas tias costumavam trazer o próprio “pente” de casa. Nada de pentear os cabelos com os pentes do studio. Sabe como é... Piolhos meu bem, Piolhos! Um perigo. Se esquecessem de trazer o bendito pente, melhor seria ajeitar os cabelos com a palma da mão. Usar um pente que todo mundo usa, Jamais! Coisas de mãe e tias zelosas...
Eu adoraria ter tirado uma foto sem os meus dentes de leite... Porteirinha na boca, coisa e tal. Mas somente minha irmã mais nova tirou uma foto assim. Lembro que a foto foi batida no momento em que ela jogou os dois dentes no telhado... Saudades!
Mas o pior de tudo  nessas fotos (pelo menos para mim) era ter que fazer uma cara de "lindo" e ainda  rir sem a mínima vontade. Olha o passarinho...  Diga: Gizzzzzzzzzz. Sorriaaaaaa!!!! Sei... Não tinha como o riso sair natural.
Adorei o detalhe do pano de fundo combinando com a camisa do garotinho... E os olhos dele? Mas uma prova de que meninos não ficam quietos e nem a vontade quando o assunto é fotos em studio. Acho que faz parte do inconsciente coletivo de todo guri.
Era bastante comum a criança, do nada, ser acometida por um ataque de choro... Manha, dengo, capricho e/ou “falta de peia” (como dizia meu vô). E quando isso acontecia, não tinha remédio. Era cara feia e emburrada em todas as fotos... O negócio era voltar para casa e vir outro dia. E mais, as crianças também tinham ataques de “riso insano” que destruía a alegria e a paciência de qualquer fotografo. Exatamente na hora do flash começava o “rinchadeiro sem fim”. Certa vez, eu e minha irmã mais nova, estávamos dentro do studio e cismamos com a cara de um João teimoso que tinha por lá... Pronto, não deu outra. Foram gargalhadas homéricas e dobradas até dizer, basta. Mas nem mesmo a retirada do João teimoso do recinto, adiantou. O danado se fez eterno em nossas mentes e o riso continuou....
Essas sete carinhas performáticas enfeitaram muitos quartos e salas nas décadas de 50, 60 e 70. Tornou-se uma febre entre as mães hávidas por novidades fotográficas. Uma coisa é certa... Enceradeira, panela de pressão e essas sete carinhas, não podiam faltar dento de um lar tido como padrão para a época.
Nenhuma mãe " mega moderna" e tripulante ferrenha do século XXI  se interessa mais  por esse tipo de foto. Acham brega e ultrapassado... Uma pena! Pois essas fotos faziam toda a diferença e eram um charme!
Geeente! E os retratos três por quatro que vinham dentro de carteirinhas plásticas com doze, oito ou seis fotos em cada uma. Saibam os mais novos que - antigamente - tirar uma foto 3x4 para documentos e querer sair “lindo/a” nela, não era algo assim tão fácil como é hoje. A palavra "photoshop" e “deletar” sequer tinham sido inventadas... E não existia nada que garantisse uma foto perfeita. Era um risco que se corria sempre... Saiu feio na foto foi? A boca ficou troncha? Um olho tá maior que o outro é? E é? Sei... Então tire outra foto meu bem. Nessa época o cabra tinha que ser “lindo” pra sair “lindo” de primeira nas fotos.
Na época não tinha esse negócio de revelar as fotos em cinco minutos não! Se você tirasse pela manhã, elas só estariam prontas no final da tarde. E na hora de buscar os retratos na “Foto Beleza” (studio fotográfico bastante popular no centro do Recife) o ritual era sempre o mesmo. As fotos prontas ficavam debaixo de um vidro transparente de um balcão comprido. Daí você ficava na torcida para que as fotos prestassem... O pior é que nunca agradavam. Mas se você estivesse com pressa, querendo a foto pra ontem, o negócio era ir ao lambe - lambe do cais de Santa Rita. Lá eles tiravam a foto rapidinho... Mas você já tirava a chapa  sabendo: a metade da foto ficava escura e a outra metade não era você. Um horror!
Sim! E as dedicatórias na frente ou atrás dos retratos... Escrevia - se o nome, dia, mês e ano. Do tipo: Fulana de tal quando tinha tantos anos; cicrano no dia do seu enlace matrimonial e ou beltrana no dia do seu batizado. Eram oferecidos pros avós, tios, primos, padrinhos e aqueles quase da família. Como no exemplo citado à cima, onde a dançarina de jazz do Ambó, Kerlucyanna Cleyre, ofereceu à sua madrinha. (Lusa, tu conheceu “cleyrinha” do Ambó?)
Já vi muitas fotografias como essa... Lá no sitio de meu avô tinha umas três desse tipo penduradas na parede da sala. Na verdade eram fotos preto e branco que foram retocadas, ampliadas e coloridas não sei como... Esse estilo de fotografia era muito comum na zona rural e interior do nordeste. Sei lá... Tinha um que de mórbido nelas. Mas eu continuo gostando do estilo. Primeiro porque é retrô, e segundo, pelo regionalismo e candura presentes nas fotos. Fico pensando: Não seriam os primórdios do Phothoshop?
Sou “das antigas” mesmo! Adoro um álbum de família, um porta - retrato e um prego na parede com as foto de quem amo penduradas... Essas máquinas digitais são maravilhosas, é verdade. Mas onde está o “glamour” das fotos de antigamente? Hoje você tira centenas de fotos em instantes... E todas perfeitas. Até porque se não gostar, deleta-se tudo imediatamente. Mas e daí? De que adianta tanta foto perfeita se ninguém mais as vê. Fica tudo lá, para sempre, guardada dentro das máquinas ou perdida nas pastas e arquivos do computador. Fazer o que meu bem?

Dedico essa postagem ao meu amigo e fotografo “incontestável”, Paulo Patriota. Ele sabe como ninguém resgatar nuances e singularidades da alma humana através da fotografia. E o que é melhor, sabe transitar entre o novo e o antigo sem se perder ou intimidar-se. Um profissional absurdo, meu bem. Literalmente absurdo.

domingo, 13 de junho de 2010

O DIA DOS NAMORADOS E A "INESQUECÍVEL" PROVA DE AMOR...

Seria o nosso primeiro Dia dos Namorados... Estávamos tão apaixonados um pelo outro que mais parecia um namoro de - no mínimo - três reencarnações passadas. Almas Gêmeas! Sabe aquela paixão roxa de dar agonia e enjôo? Era a nossa! O Primeiro Amor - ETERNO - de Ambos. Um exagero adolescente! Apenas quatro meses de namoro e já tínhamos em mente o nome e sobrenome dos três filhos que teríamos depois de casados. Pode??? Ahhhh! O Primeiro Amor Eterno é sempre assim... (rs!). Exatamente no dia 12 de junho de 1981 faríamos quatro meses de namoro. Decretamos: ESSE DIA É TODO NOSSO! Nada de aula, nem de ninguém... Só Love! Combinamos ir ao Cine Veneza assistir “A Lagoa Azul” (o cúmulo da imoralidade para as mães na época...). Censura reduzida de 16 para 14 anos. Agora, podíamos assistir. Mas pra efeito de pai e mãe, o filme “Os Três Mosqueteiros Trapalhões” era a pedida para o dia... Creia! Mas antes de irmos ao cinema, demos uma passadinha nas Lojas Americanas - o nosso shopping na época - com direito a beijo nas escadas rolante e tudo o mais... (como tive capacidade para tanto, Oh! Deus...). Depois fomos sentar, lanchar e conversar. Tomamos um Milk Shake de chocolate, um sanduíche de queijo e... Mais nada! Dinheirinho pouco, sabe como é. Estudante na minha época meu bem, quando muito, só tinha no bolso a passagem pra voltar para casa.


Enfim, nosso namoro era daqueles de dar enjôos mesmo. Eu confesso: Era um namoro super meloso e cheio de nhen-nhen-nhen. (uiii...) Era tanto do fricote que hoje tenho vontade de “me” dar uma surra... Pensar que ficávamos o tempo todo:

- Ei, “thuco-thucoooo”...
- Fala têtezinha... Meu “carocim de mulungu”
- Ah! Diz que me ama, vai...
- Você sabe que sim!
- Diz que me ama um “tantão” assim...
- Te amo bobinha! Um tatãããão assim... ÓÓÓÓÓ!!!
- Ô meu chiricuthico de Tête amar...
- Vem cá minha fofolete...

Ta booom! Parou, parou... Sentiram o clima né? Muita “passione” e muita frescura. Durante esses quatro meses de namoro tudo era motivo para se guardar. Ela tinha uma caixinha onde colocava tudo referente ao nosso “Eterno Amor”. Dentro dessa caixa ela guardava além dos nossos cartões e bilhetinhos amorosos, um montão de catrevagens. Coisas bizarras mesmo! Imaginem que ela chegou a guardar o primeiro chiclete “ploc” que lhe dei no dia em que nos conhecemos. E eu não estou falando somente da embalagem do chiclete. Falo também do chiclete mastigado, chupado e desbotado que ela guardou. Porcaria né! Mas na época, achei lindo. E tem mais, também guardou o primeiro palito de picolé comprado nas areias da praia de boa viagem. Se o picolé era da Ki-bom? Que nada! Era daqueles que soltava um corante medonho, deixando a língua roxinha, roxinha... Ótimo para beijar depois (rs!). Isso sem falar nas dezenas de figurinhas do álbum AMAR É... Uma camiseta (minha) suada; vários guardanapos e folhas de papel de caderno escrito assim: Tête e Thuco se amam... (exagerados!); fotos; lencinhos perfumados; papel de balas e de chocolates; ingressos (todos!) das nossas idas ao cinema... Enfim, um arsenal de coisas era guardado nesta caixa. Inclusive o próprio canudinho do Milk Shake que acabáramos de tomar no fatídico dia dos namorados... Era a nossa “caixinha do amor eterno”.
Bom, logo após o idílio romântico nas Lojas Americanas, fomos direto assistir ao filme “A Lagoa Azul”. Tipo: 14:30; pipocas quentinhas; primeira sessão; última fileira... A tarde estava só começando! Assistiríamos ao filme logo na primeira sessão, e somente depois, na outra sessão, começariam os amassos pra valer... Mas nem tudo sai como agente quer e planeja. Estávamos ainda no bem - bom da primeira sessão, quando:

- Peraí, peraí, peraí... Num me aperte muito não...
- Que foi thuco-thuco?
- Acho que a mistura do milk shake com a pipoca me fez mal.
- Como assim?
- Minha barriga tá fazendo um barulho esquisito. Parece um "tambor" de tão fofa...
- Ave Maria! Só não invente de fazer "essas coisas" aqui perto de mim...
- Se você me apertar muito, vou pei...
- Nem me fale essa palavra horrorosa... Que coisa mais nojenta! Eu, hein?
- E eu vou falar o que?
- Gases! Soltar gases, pronto... É mais bonito de se escutar. E vamos parar com esse assunto nojento...
- Parar porque Tête? Vou mentir é... Negar que estou com vontade. Que besteira...
- Besteira não. “Nojentisse” e falta de romantismo, isso sim! Coisa mais feia... Logo hoje!
- Tudo para você tem que ser belo, lindo e maravilhoso.
- Claro. Essas “coisas” a gente faz no reservado.
- E a culpa agora é minha é? Essas “coisas” dependem só de mim é? Ora!
- Então vá para o reservado e fique por lá até soltar todos "esses ventos"...
- Como é que é a história? Tu tá querendo dizer que eu tenho que ficar trancado no banheiro do cinema até o peido sair... É isso?
- Psiuuuuuuuu! Já te pedi para não falar essa palavra nojenta perto de mim... Fale baixo! Ninguém precisa saber que sua barriga tá ruim... Tente prender "essa porcaria" até o final do filme. Será possível!
- Então tá bom! Se é assim que você quer... Vou “me prendendo” até onde der. O que eu não posso e não vou, é perder o filme por causa de um p .... De um “pum”! Melhorou?
- Melhorou...
- E se eu prender o “pum” e a “tripa gaiteira” der um nó, feito na música de Luis Gonzaga? Aí é que eu quero ver...
- Eu não tenho nada a ver com a tripa gaiteira de Luis Gonzaga meu bem... Tenho a ver com você, que é meu namorado.
- Escute uma coisa! Se eu morrer por causa de um peido... Pode esperar! Venho peidar toda noite perto de você... He,he,he.
- Engraçadinho você! Num tenho medo de namorado “malassombrado” não senhor... Tenho mêdo é de um futuro marido – vivo - capaz de soltar um “pum” e eu morrer envenenada aqui, no meio do cinema.
- (PUMMMMMM!!!!) Eitaaaa! Desculpa tête... Saiu! Juro que foi sem querer... É que não agüentei prender mais!
- Meu Deus do céu... Socorro! Eu tenho o estomago fraco pra essas “coisas”... Vou vomitar!
- Calma! Não fique nervosa não meu amor! Espere... Eu já tô saindo.
- Ãgora dão adeanta bais dão... Zenta! Zeu borco... Tâ tôdu bundo olhando brá dós dois...
- Ê quê dem eu besbo tô aguendando bais essa gatinga...
- O bior é quê dêm um vósforo eu bosso riscar...
- Debois dêsse "beido" você ãindã me âmba?
- Glaro! Beu bem... Tê âmbo buinto, viu?
- Êndão vambos êmbora beu bem!
- Feliz Dia dos Dãnborados...
- Brá você dambém... TÊ ÃMBO!
É o que minha Avó sempre dizia: “Para quem ama, até o peido cheira bem”. E ela tinha razão... Na intimidade entre duas pessoas o que vale é a cumplicidade. Portanto, deixemos para lá os fricotes e apostemos no correr dos anos. O tempo faz os ajustes necessários.

Dedico esta postagem a minha ex-companheira e hoje, uma grande amiga: Ana Teresa Gusmão de Vasconcellos Lira - minha eterna Tête -

sexta-feira, 4 de junho de 2010

AVON CHAMA !

Quem viveu nos anos 1950/60/70 há de se lembrar desses reclames... Onde sempre se via uma revendedora de produtos da Avon tocando a campainha de uma casa. E foi assim, de porta em porta, e com o slogan: "Avon Chama", que se consolidou no mundo inteiro, o sistema de vendas diretas no setor de cosméticos. Portanto, a história da Avon não existiria sem a venda direta, assim como a venda direta não existiria sem a Avon.
Eu adoro contar estórias... (quem me acompanha por aqui, sabe disso.) Então vou direto ao ponto, contando logo - e do meu jeito - a trajetória da Avon... Tudo começou quando um jovem de 20 anos, David McConnell, iniciou sua carreira comercial vendendo livros de porta em porta. E para agradar sua clientela, passou a distribuir pequenos brindes, entre eles um pequeno frasco de perfume que um amigo seu, farmacêutico, produzia. Sua intenção era fazer com que as pessoas aceitassem ouvir sua apresentação, pois não era tão bem recebido quando oferecia os tais livros de porta em porta na cidade de Nova York. E para sua surpresa, ele acabou percebendo que o perfume fazia muito mais sucesso que os livros. Foi aí então que ele descobriu o “mapa da mina” meu bem... O sucesso de seu negócio estava atrelado a grande aceitação dos produtos de perfumaria e a eficácia do sistema de venda porta a porta.
Chocado e absurdamente feliz com este enorme potencial de mercado, o até então vendedor de livros McConnell, mudou de ramo bem ligeirinho... (gico! Ele não era bobo nem nada...) E fundou, em 1886, a California Perfume Company (CPC - Companhia de Perfumes da Califórnia), com foco voltado para vendas em domicílio. O “abençoado” começou de forma tímida, num espaço bem pequeno, alugado no centro de nova York. Sozinho, ele passou a produzir os perfumes; exercer as funções de administrador, vendedor, caixa, despachante, correspondente e... “Boy”! A partir de então, vendo que não ia dar conta do recado sozinho, convidou uma velha amiga, a viúva Florence Albee, para ser a primeira revendedora de sua nova empresa e vender a “primeiríssima” coleção de perfumes “Little Dot”, com cinco fragrâncias apenas: Violet, White Rose, Heliotrope, Lily-of-the-Valley e Hyacinth. Engraçado... Eu não sei por quê, mas sempre escuto falar que todo perfume que se presa - francês ou não – tem sempre um “Q” de frescura explícita atrelada ao nome... Bom, sei lá! Mas enfim, frescura é o que não poderia faltar – também - na primeira coleção da futura Avon. Penso: O que dizer então do perfume de Andiroba e/ou Priprioca da Natura? Vixe! Essa é uma outra estória...
As revendedoras da AVON eram (e acho que ainda são!) premiadas com bonecas e medalhas. As bonecas - em porcelana inglesa - eram uma homenagem a primeira revendedora da Avon : A viúva   Florence Albee. As bonecas retratavam a Senhora Albee em diversos momentos e épocas, sempre elegantemente vestidas.
Alguns exemplares dessas lindas bonecas... Elas não se repetiam! Eram confeccionadas a ano a ano...   
 Prêmios para àquelas que mais se destacaram durante o ano nas vendas. 
Essas "bonecas/troféus" da Avon são disputadíssimas por colecionadores.
Bom, continuando a História... Durante seis meses a senhora Albee foi a única funcionária da empresa. Viajava de trem ou a cavalo para vender os tais produtos. Somente depois é que teve a brilhante idéia de convidar outras mulheres para compor o primeiro grupo de revendedoras da história da Avon. A partir de então foi implantado um sistema típico e pioneiro em vendas domiciliares de cosméticos. As revendedoras eram treinadas para exibirem os produtos, conversar, fazer charm, caras e bocas e finalmente, vender os produtos as donas de casa . O bom de tudo isso, foi o desenvolvimento de uma atividade comercial, independente e lucrativa para as mulheres. Pois em pouco tempo esse sistema de vendas apresentou resultados surpreendentes.
E vale lembrar caríssimos/as... Que o sistema de vendas porta a porta começou a mudar discretamente o papel das mulheres no mercado de trabalho. Uma vez que naquele tempo - e em todo o mundo - não havia campo específico de trabalho para as mulheres. As funções femininas eram unicamente maternas e domésticas. Elas não eram ouvidas, não tinham voz ativa nas decisões e não tinham direito ao voto.
Sim! E o nome Avon, como surgiu? Eu, antes de pesquisar sobre a marca, pensava que a palavra AVON vinha de um trocadilho com a palavra NOVA. Porque se escrita ao contrário, a palavra NOVA, vira o termo AVON. Sei lá... Bobagem! Pensei isso uma vez que a empresa fabrica “cremes e cremes” para deixar as mulheres cada vez mais NOVAS (...SAVON!). Na verdade, a empresa foi re-batizada com o nome Avon em 1939, e foi uma singela homenagem a William Shakespeare, escritor nascido na cidade inglesa de Stratford-on Avon, de quem McConnell, um amante da literatura, era grande fã. Simples assim.... he,he,he.
Propagandas das décadas de 50/60.
Na década de 50, com o crescente sucesso dos perfumes Avon, a empresa resolveu expandir seus negócios e se espalhou rapidamente pelos cinco continentes. Na mesma trajetória de outras grandes empresas, a Avon deixava de ser apenas uma empresa multinacional para se transformar em uma organização global.
Os produtos Avon - finalmente - aportam no Brasil.
A empresa Avon chegou ao Brasil no final dos anos 50, mas precisamente no dia 06 de agosto de 1959, com a sede na cidade de São Paulo. Tudo começou com a publicação de um anúncio no Suplemento Feminino do jornal Diário de São Paulo, e causou frisson geral. O texto dizia:

“Oportunidade às donas de casa. Para a senhora, que quer acrescentar dinheiro ao orçamento doméstico! Trabalhando apenas 4 horas por dia, representando AVON Cosméticos em seu bairro, a senhora terá uma excelente oportunidade de ganhar mais! Nós a treinaremos. Marque entrevista pelo telefone 36-7201 - São Paulo”.

O anúncio fez enorme sucesso e, desde então, a força de vendas no país só aumentou, espalhando-se – indiscutivelmente - para todos os estados brasileiros.
Se você foi criança, adolescente, adulto ou qualquer outra coisa nas décadas de 60/70 e/ou início dos anos 80, certamente há de se lembrar, ao menos de um, desses produtos da Avon... Impossível esquecer esses frascos de perfumes tão, tão, tão... “De-co-ra-ti-vos”! Digamos assim.
Incrível! Mas vender Avon na década de 70 - pelo menos na minha cidade – virou moda. Sério! O que era de moça andando para cima e para baixo com o catálogo da Avon preso no sovaco. Humm! Uma febre... Na época não se escutava falar em Natura, só Avon. E os catálogos Avon vinham cheios de frascos – originalíssimos - contendo perfumes, xampus e sabonetes. Cada um de um jeito, formato, cheiros e cores diferentes... Era de “endoidar” a cabeça da mulherada, principalmente as menos desavisadas... Isso sem falar nas crianças, que gostavam mais do frasco do que do produto em si...
Geeente! Vocês não têm noção da diversidade dos frascos que a Avon de outrora, oferecia... Coisa de louco mesmo! Hoje não existem mais esses frascos expostos nos catálogos... Foram taxados de “bregas” ao cubo com direito a raiz quadrada e tudo o mais. Aos olhos de hoje, é verdade! São bregas mesmo. Mas era uma tendência da época meu bem... Fazer o que? Atualmente eu os vejo com “ saudosismo” e dentro de um contexto nostálgico/retrô... E sem culpa!
Dia dos namorados era de “praxe” dar alguma coisinha da Avon. Fosse o que fosse, tinha que ser da Avon. Particularmente nunca recebi presentes da Avon no dia dos namorados... Pudera! Era um moleque - na época - para dar e receber presentes... Mas bem que eu queria ganhar esses perfumes...
Dizem as más línguas que o tempo passou (124 anos !) e a coitada da Avon continuou Brega... Tu acha? Durante as décadas de 70/80/90 os produtos da Avon só atingiam o publico C e D, mas de uns tempos para cá a Avon se modernizou e investiu em tecnologia meu bem... Chegou até a desenvolver duas fragrâncias para a francesa Christian Lacroix.
Na minha cidade – interiorzão do vale do pajeu - “arrudiar” a praça cheirando a produtos da Avon era o máximo! E toda noite era a mesma coisa... Um sobe e desce sem fim! E quando os caminhos se entrecortavam, os rapazes sentiam logo o cheiro:
- Hummm! Fulanininha tá usando Sweet Honesty da Avon... Cherôoooooooosa!

E quando do contrário:
-Vixe Maria... Eca!!! Quero o que??? Fulaninho tá usando desodorante e perfume Contouré Limão... Dispenso!
Ps:kkkkkkkkkk... Brincadeira! Mas essa vai para Gilson Marques (Gilson de Gera).
A linha infantil era super alegre e colorida. Tinha “bichinhos” de todo o tipo... Lembro que tive uma escova igual a essa, na forma de uma girafa. A do meu irmão era no formato de um coelho.
Os frasquinhos “de-co-ra-ti-vos” dos perfumes da Avon podem até serem tachados de “brega”... Mas que eram bonitinhos... Ah, Isso eram! E tinham um certo “charm” pra época... Olhem direitinho!
Fragrâncias da Avon que marcaram essa época... Spicy, Wild Cowntry After Shave, Diamante, Charisma, Safira, Wild Musk, Toque de Amor, Topaze, Sweet Honesty, Regence, Classic, Blue Lotus, Excalibur, Timeless… Enfim, foram tantos os perfumes fusionados as inúmeras lembranças, que até mesmo o tempo por vezes me trai... Se lembrar de mais algumas, postarei depois...
O meu pai adorava os perfumes da AVON. Não só ele,  meu avô materno também. Ambos ganharam essa chuteira : "Just for kicks"
E os carrinhos? Nossa! Disputa acirrada entre irmãos para ver quem fica ou não com os frascos secos. 
Quando se aproximava a época do dia dos pais, o catálogo vinha repleto de perfumes com designe e fragrâncias tipicamente masculinas. O meu pai cansou de ganhar perfumes neste estilo... Mas nunca ligou para o frasco! Eu e meu irmão é que fazíamos a cabeça dele... Aproveitávamos a chance para fazer com que ele encolhesse os perfumes de carros, motos, bichos e etc... O perfume da Avon que ele mais gostou de ganhar, foi uma chuteira, cuja fragrância era: Spicy! Saudades...
Esse trio!!!!
Esse era um trio parada dura! Quem nunca escutou falar do perfume CHARISMA? E do perfume TOPAZE? Não vai me dizer que não se lembra do TOQUE DE AMOR? Ah! Me poupe... Se não lembrou, é porque não vivenciou o lado “B” da vida meu bem. Esse trio “incendiava” os salões de festa nas décadas de 60/70. Perfumes de cheiro forte, é verdade! Mas eram (e ainda são) perfumes de mulher guerreira! Somente as corajosas ainda usam (rs!). Confesso que nunca mais senti o cheiro desses perfumes, mas sei que ainda estão no catálogo da Avon. São perfumes clássicos meu bem... Clássicos!!! Possuem tradição, requinte e respeito.
Tinha também os sabonetes que de tão bonitinhos que eram, dava pena de usar. Ficavam ali, guardados ou enfeitando a penteadeira, até um dia perderem o cheiro.
A criançada ficava maluca com esses carrinhos. Era até um pecado a Avon colocar esses carrinhos cheios de perfumes nos catalógos... Pois os guris ficavam malucos, esperniando e arrancando os cabelos para as mães comprarem... Eu e meu irmão camilo, éramos dois desses guris!
Lembro de uma amiga de minha tia que colecionava essas bonequinhas. 
 E essa botinha?  Sinceramente... 
Eu já recebi de presente um cisne desses... Pra mim era uma pata com uma coroa da cabeça...
Era bastante comum encontrarmos essa carruagem enfeitando centros e penteadeiras... 
Sempre achei essas bonequinhas um luxo!
Esse sino, depois de seco, acabava no centro da sala.... Pode?
Perceberam o destino dos frascos (secos) dos perfumes da Avon, né? Esse mesmo que vocês estão vendo à cima... Depois de usados, os frascos serviam para decorar estantes, centros, bufês, criados mudo, escrivaninhas, penteadeiras... Eu lembro de uma carruagem de vidro enfeitando a televisão de minha casa (Jesus!!!). E o que é pior! Para dar aquele “colorido” todo especial ao frasco – agora vazio – as mulheres enchiam o vidro seco com K-suco de uva, morango, abacaxi, laranja... Contanto que combinasse com a cor do bico ou da cianinha que arrematava o paninho ou a toalha da mesa... He,he,he. O fim!!!
Sweet Honesty
Quem nunca usou "Sweet Honesty" na adolescência, não vivenciou os anos 70. 
Essa tampinha em forma de pêssego fez história? Ou seria uma maça?! 
Geeente! Não tem nada que me lembre mais os produtos da Avon do que esse perfume e essa tampinha no formato de um pêssego. Todas as amigas da minha irmã possuíam um perfume assim, com essa tampa.  E por incrível que pareça, ela ainda guarda essa tampinha na sua estante de “bugingangas”... Outro dia eu vi. Eita que saudades de mim e de mais um monte de outras  coisas!!!