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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

AS BOLAS QUE FIZERAM PARTE DAS NOSSAS VIDAS...

 
Nunca fui um primor de criancinha graças a Deus... E minha mãe - felizmente - teve que se acostumar com o meu jeito espontâneo. Era um chato, metido e porque não dizer, bastante sincero. Sincero o suficiente para não levar desaforo para casa. Eu comentava tudo o que me desagradava e, confesso, adorava brincar e tirar onda. Contudo, sem perder a classe (as vezes!) e a educação. Certa vez fui a um aniversário de um de meus melhores amigos da escola, um cara super tímido e bem educado... Eu, juntamente com Zé Junior (outro amigão da escola), ficamos de olho nos presentes que o menino ganhava. Que coisa feia, né! Eu sei... Mas e daí, já passou tanto tempo e ninguém tem mais nada a ver com isso. Enfim, não tiramos o olho da caixa de presentes... E para nossa surpresa! Só eu contei onze bolas que o garoto ganhou. Zé Junior contou doze bolas... Agora me digam, sinceramente. O que um garoto vai fazer com doze bolas ganhas num aniversario de 07 anos, se nem irmã caçula ele tinha... Absurdo! Mas parece que na década de 70 o presente mais fácil e mais em conta era uma bola. E todo aniversário era a mesma coisa, fosse de quem fosse, tinha que haver ao menos uma ou duas bolinhas de presente. Agora imaginem vocês, uma criança de 07 anos no dia de seu aniversário, cheia de expectativas para abrir os presentes... E de repente a cada presente que ele abria era uma bola atrás da outra. Nem queiram imaginar a cara do coitado do meu amigo agradecendo... “Obrigado fulano, é linda”; “Ôxe! Nem precisava se incomodar”. “Era o que eu queria realmente”... Mentira! O menino, coitado, era muito educado. Foi ai que eu me intrometi sem ter nada a ver com a história... É que teve uma mãe de um dos convidados que mandou o filho entregar o presente (mais uma bola, lógico!) e ainda pediu para o filho dizer: “Minha mãe mandou dizer que você nem ligasse, porque era só uma lembrancinha, uma besteirinha de nada, viu.” Daí eu não me aguentei...  Peguei a bola que nem minha era, e disse: É mesmo? Uma besteirinha de nada, e é?... Então tá. Dei um bicão na bola que ela foi bater na outra esquina ainda enrolada com papel de presente e tudo. Ah! Tenha dó... Coitado do meu amigo!!! 12 bolas, uma para cada mês... Quando cheguei em casa levei uma pisa e tive que pagar um outro presente pro meu amigo, mas evitei dele ganhar mais uma bola... Ora bolas! Daí minha mãe comprou uma lancheira "arretada" para ele, era da série "perdidos no espaço". Ele adorou o novo presente e até hoje somos grandes amigos. Né, Carlinhos...
E já que o assunto são bolas, bolas, e bolas... Vamos relembrar de algumas bolas  da nossa infância?
Essa bola aqui, tadinha... Era a pior de todas! Somente criancinhas desorientadas e abaixo dos 03 anos de idade pediam para a mãe comprar esse tipo de bola... Acho que eram feitas de plástico de cortinas de banheiro e coladas com não sei o que... Comprava-se num dia, e no outro, amanhecia murcha. Eu também já passei por isso. Já tive minha fase desorientada aos 03 anos de idade também,  né?
Eu me lembro que essas bolas eram vendidas em festas de padroeira, São João e nos parques de diversões... Os bebezinhos se "esgoelavam" querendo essas bolas e outras coisas mais. E como essas bolas eram bem baratinhas, tornava-se a melhor opção para calar a boca dos guris.
Ah! Já perceberam o pito e/ou canudo usado para encher a bola?
Uma coisa medonha... Nem Freud e suas fixações fálicas aprovariam tal "canudinho" de sopro. 
E essas aqui? Bolas que não podiam ver um prego ou qualquer outra coisa de ponta nem de longe.. Um estouro só! 
Essas bolas eram bem grandonas. O tipo de bola que só as meninas gostavam de ganhar. O menino que ganhasse uma bola dessa, não pensava duas vezes, ou vendia, trocava, estourava e em ultimo caso, dava para irmã na mesma hora. 
Minha irmã e suas amigas passavam horas brincando com elas... Ficavam em círculo jogando uma para a outra, de mão em mão. Era um joga pra lá, um joga pra cá que não tinha fim. Uma chatice... O bom era quando a bola estourava... Buuuum!  Era tanta da menina chorando, pois nenhuma queria assumir a culpa. Coitada da dona da bola, tadinha. 
Essa bolinha aqui era aquele tipo de bola que se jogava na garagem, na varanda e nos corredores em dias de chuva. Jogar bola na chuva era a mesma coisa que escutar o eco de todas as mães do mundo gritando: Olha a chuva... Acabou a brincadeira! Já pra dentro... Agora! 
Quem não se lembra de pelo menos uma dessas bolas nas décadas de 70, 80 e 90.  Até hoje elas parecem nos dizer: Ei, lembram da gente?  
E as bolas de meias? Quanta saudade... Há quem preferisse jogar sempre com elas. Era fácil de fazer uma Bola de meia ou Bola de trapos, como muitos a chamavam também. Bastava uma ou duas meias de nylon usadas e uma quantidade suficiente de jornal velho amassado para servir de enchimento. Na falta de uma bola oficial, a improvisada bola de meia servia, e como servia.

“Bola de meia, bola de gude
O solidário não quer solidão
Toda vez que a tristeza me alcança
O menino me dá a mão
Há um menino
Há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto fraqueja
Ele vem pra me dar a mão”

(Milton Nascimento)


Essa era a bola que levávamos escondido para jogar no pátio da escola. Na minha época era proibido jogar bola na hora do recreio. Imaginem! A criança não podia entrar suja nem suada em sala de aula.  Criança limpa e devidamente fardada era uma questão de "Ordem e Progresso" para o sucesso e futuro da Nação. Coisas da Ditadura dos anos 70... Arg!!!
Ah!  A Bola Dente de Leite... Essa bola sim, dava gosto  ganhar de  presente.
E a bola oficial dos anos 70... Nossa senhora! Era um sonho distante para muitos. Dedico este post a Zé Júnior e a Carlinhos (que continua educado e um péssimo jogador, tanto quanto eu).

7 comentários:

Paulo Roberto Figueiredo Braccini . Bratz disse...

faltou uma ... um balão de borracha por dentro e revestida em feltro em gomos coloridos ... lembra desta?

adorei lembrar das de plástico ...

omg!!! rs

bjão

Paulo Roberto Figueiredo Braccini . Bratz disse...

Ops Marcos ... obrigado pelo carinho ... vou procurar uma foto dela na net ... eu tive uma lá pelos meus cinco anos ... rs
Saudades tb ... estás muito preguiçoso para postar ... rs
Falando das bolas lembrei das "piorras" lembra disto? um bom tema para relembrar ... tive uma q qdo rodava tocava Noite Feliz, toda de lata com aquele cabo de dar corda ... rs ... putz qta coisa legal ...

bjão

JAN disse...

ORA BOLAS...;-))))))))

GOSTEI DO POST!

Abração
Jan

Ro Fers disse...

Muito bom relembrar as bolas do passado.
Bacana e bem criativo.

Dil Santos disse...

Oi Marcos, tudo bem?
Era padrão o aniversariante ganhar bolas. Já ganhei tantas e sempre caia no quintal ou no jardim do vizinho e o cachorro rasgava. Era revoltante kkkkk
Gostei daqui
Abraços

AninhaintheSky disse...

Olá! Adoro o seu blog! É muito gostoso relembrar coisas do nosso passado até mesmo de um passado que não vivemos! Nostalgia boa! Sobre as bolas, e me lembro de uma bola de borracha grandona que meu pai comprou pra mim numa festa tradicional de minha cidade... uma dia brincando de jogá-la na parede, não vi que tinha um preguinho de um quadro que fora retirado e então a bolona estourou bexiga ao entrar em contato com ele! Lamentei, mas o que eu podia fazer?! rsrsrs
abraços!

Renata disse...

Amo o blog, Marcos! encontrei e virou mania :D Parabéns!!!