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domingo, 24 de maio de 2009

OS ALMANAQUES DE PHARMÁCIA DO MEU AVÔ - Uma Literatura de Primeira -


Eu NÃO SOU do tempo da "PHARMÁCIA" com PH.... Mas tudo que se relaciona com Pharmácias e Drogarias Antigas me interessam e muito. Nasci numa família literalmente farmacêutica: Meu bisavô materno foi o primeiro farmacêutico da minha cidade natal e depois os filhos e os netos seguiram seu legado. Até meu pai que sempre foi um grande comerciante de estivas e cereais, se meteu com farmácia. Enfim, tudo isso é para deixar claro que esse universo farmacêutico me é muito familiar... E mais familiar ainda, são os ALMANAQUES DE PHARMÁCIA que meu avô colecionou durante anos. Lembro que ao se aproximar o mês de dezembro (período em que começava a ser distribuído os referidos almanaques), o meu avô Albino sempre organizava sua coleção para que os novos números que estavam por vir, se encaixassem bem d-i-r-e-i-t-i-n-h-o. E todo final de ano era o mesmo ritual: Trocar as caixas de papelão, colocar plásticos novos e colocar remédio anti-traça e naftalina em tuuuuudo. Eu e meu irmão ficávamos horas vendo todos aqueles Almanaques: Almanaque Sadol, Almanaque do Licor de Cacau Xavier, Almanaque Dr. Schilling, Almanaque d’A Saúde da Mulher, Almanaque Bristol, Almanaque Capivarol, Almanaque Bayer, Almanaque Cabeça de Leão, Almanaque Catedral, Almanaque Silva Araújo, Almanaque do Colírio Moura Brasil, Almanaque Elixir Brasil, Almanaque Elo Nosso, Almanaque Guaraína, Almanaque de Ross, Almanaque Silveira e o mais conhecido de todos: O Almanaque Biotônico Fontoura. O mais engraçado é que o meu avô lia para nós – sempre - as mesmas piadas, as mesmas adivinhações, as mesmas histórias e assim terminávamos por decorar um montão de coisas. Na minha cabeça, aqueles caderninhos eram poderosos e sabiam de tudo mês-mo! Aprendi nos Almanaques do meu avô que "a unha da mão cresce 04 vezes mais do que a unha do pé"; "que o músculo mais forte do ser humano é a língua"; "que alguns insetos vivem até um ano sem a própria cabeça" (Já imaginou uma muriçoca descabeçada?)... Aprendi à toa, é verdade. Mas o importante é que um dia eu soube que fiquei sabendo de algo que hoje não me serve pra nada (rs!)... Enfim, a tão famosa! A tão criticada! E tão perseguida "Literatura de Almanaque". Acho uma bobagem criticar a literatura popular dos Almanaques!!! Meu avô lia Sartre, literatura de cordel, gibis do tin-tin, almanaques e, sempre foi culto. Se por um lado o almanaque nos ensinou um montão de coisas fúteis, ele ensinou também novos hábitos de higiene, saúde e beleza. E de acordo com o historiador, Mario Luiz Gomes, em seu artigo científico: "Vendendo saúde! Revisitando os Antigos Almanaques de Farmácia", disponibilizado no site http://www.scielo.br, nos revela que os antigos almanaques de farmácia foram capazes de criar novos padrões de comportamento, usos e costumes. E outra coisa, alimentou histórias fantásticas de "enormes lombrigas" dentro de nós... Meu Deus!!! Morria de medo de pegar "amarelão" e terminar igual ao Jeca Tatu... Enfim, o Almanaque de Pharmácia fez parte da vida de muita gente. Fez parte de um tempo em que para tudo havia uma solução: Bastávamos seguir - a risca - o que dizia o almanaque, e pronto! Estávamos salvos.... Hoje nem os almanaques e nem o Brasil apontam tantas soluções assim e as farmácias também não são mais as mesmas. Elas estão hoje mais para as vaidades do que para as enfermidades humanas. Lembro que na farmácia de meu pai, entrava gente passando mal, desmaiando (revirando os olhos, dando birôlas e passamentos), menino chorando com braço quebrado, vomitando e se "obrando todim". Gente pintada de merthiolate, com gaze, algodão e esparadrapo espalhados pelo corpo, gente mancando, puxando uma perna, medindo febre com termômetro debaixo do sovaco, tirando pressão, pedindo fiado, comprando cachete, tomando soro na veia ou fazendo sei lá mais o que... E aquela cliente que vinha da zona rural (sítio goiabeira), freguesa antiiiiiiga com saia na canela e que todo mês vinha tomar injeção na... No músculo glúteo? E aquele cheiro de remédio? E o banco de madeira para jogar conversa fora ou recuperar os sentidos depois de uma Benzetacil mal aplicada? Na época não havia hospital na minha cidade, primeiro se passava na Pharmácia e depois é que se ia para um posto de saúde. Os fregueses que hoje freqüentam e/ou "passeiam" por uma farmácia, dão a impressão de que não precisam de absolutamente nada, que estão esbanjando saúde. Atualmente se entra numa pharmácia para comprar revistas, cartão telefônico e "jujubas"... No máximo, se compra uma camisinha. Geeeente! Onde está o clima das Pharmácias de antigamente? Até as balconistas tem cara de "aeromoças amestradas". Dá vontade de tirar uma sarro da cara delas e perguntar: Ô moça! Já chegou o Almanaque de 2009 do Biotônico Fontoura? E o do Capivarol? O queeeeee!!!! Como assim? Nem o do Elixir de Inhame chegou? Num acredito... Então tá! Diga pro seu gerente meu amor, que esta farmácia está incompleta e eu não volto mais aqui! Passar bem, meu bem... Dou as costas e pronto.

E para você que não sabe do que eu estou falando, explico: O Almanaque de Pharmácia era um livreto publicado anual e/ou mensalmente, dependendo do laboratório farmacêutico que o patrocinava e de sua estratégia publicitária. Tinha um formato de mais ou menos 13x18 e os textos e as ilustrações eram impressas em papel de segunda, bem “póbi” mesmo. Esses “livretos do saber” eram distribuídos gratuitamente pelas empresas e laboratórios em grandes tiragens, fazendo com que seus exemplares chegassem às Pharmácias e regiões mais distantes do país. Suas páginas continham piadas, charadas, calendários, fases da lua, dicas de saúde, receitas culinárias, cartas melodramáticas, jogo dos sete erros, caça palavras, calendário agrícola, horóscopo, santos do dia, histórias diversas, datas importantes e comemorativas, textos poéticos (contos, poesias, crônicas) e claro, PROPAGANDAS DOS REMÉDIOS. Nos Almanaques de Pharmácia você encontrava de tudo um pouco.Tinha para todos os tipos e para todos os gostos. Eles podiam ser ao mesmo tempo úteis, fúteis, tradicionais, modernos... Ou tudo isso junto! Me parece que o objetivo maior era o de responder sempre a todas as perguntas e curiosidades.

Meu avô falava que nas décadas de 30,40 e 50, alguns Almanaques vinham com um cordãozinho que servia para pendurá-lo na parede. Geeeente! O Almanaque era respeitado e tinha o seu valor no aconchego familiar, principalmente na zona rural. Ele era pendurado num lugar privilegiado: na sala ou na cozinha. O Almanaque para quem morava na roça, era o médico, o conselheiro, o humorista, o amigo, o agrônomo... Ele apontava soluções e cura para tudo. Vinha sempre acompanhado de sedutoras possibilidades de realização... Fico pensando o seguinte: Se o Almanaque de Pharmácia foi capaz de implantar novos hábitos, criar novos padrões de comportamento, usos e costumes... E se ele tinha realmente soluções e cura para tudo! Não seria o caso de pendurar no pescoço de cada parlamentar um desses Almanaques? Quem sabe não encontraríamos a cura para a falta de caráter e para a falta de vergonha.... Não custa tentar!

O Almanaque Biotônico Fontoura, lançado em 1920, foi criado (elaborado e ilustrado) por ninguém menos que Monteiro Lobato! Ele criou nas suas páginas o folclórico personagem Jeca Tatu, o caipira que fez tanto sucesso que apareceu também nos seus livros infantis.

"Numa casa de sapé

Lá na beira do caminho

com dois filhos e a "muié"

Mora o Jeca Tatuzinho.

No terreiro uma galinha

um galo velho e um leitão

e o quintal sem plantação

Jeca vive descansando

Nunca tem disposição

Passa o dia se espreguiçando

Diz que pro trabalho

Não tem vocação.

Numa tarde que chovia

Um doutor por lá passou

Vendo Jeca que sofria

Um remédio receitou

E lhe disse: meu amigo,

Não ande mais de pé no chão:

Sua doença é amarelão

Jeca comprou sapato

Prá família e prá a toda a criação

Dava gosto a gente "vê"

galinha de botina

e galo de botinão.

Quem passar pelo caminho

Fica logo admirado

Já não tem mais o ranchinho

No lugar tem um sobrado

Hoje em dia, o Tatuzinho

É o maior dos "fazendeiros"

Tem saúde e tem dinheiro

Sua história é uma lição

Prá quem anda de pé no chão

Sapato no pé
prá não "entrá" os "bichinho"
É a receita do
Jeca Tatuzinho".

A figura da mulher ao lado, segurando e/ou exibindo um frasco de Biotônico Fontoura era uma constante nas capas desse Almanaque. Pessoas de destaque no meio artistico figuraram nas capas do Almanaque Biotônico Fontoura.

Ainda segundo Mário Luiz Gomes, os Almanaques foram desaparecendo à medida que se sofisticavam as técnicas de propaganda e marketing. E dos milhões de exemplares lançados pelo Brasil afora, poucos restam. Representam, atualmente, testemunhos insubstituíveis de época, e um patrimônio comum a toda nossa indústria farmacêutica.

No Brasil - em 1887 - o Almanaque Pharol da Medicina, elaborado com o patrocínio da Drogaria Granado do Rio de Janeiro, juntamente como Almanaque do Dr. Ross – 1891 – criado para divulgação aqui no Brasil, foram os modelos pioneiros dos almanaques de farmácia. As pílulas de Vida do Dr. Ross, amplamente divulgadas pela propaganda radiofônica, bem como o Sabonete Ross, Talco Ross, Pasta Dentifrícia Ross, Quinina de Ross, entre outros... Eram presença constante nas páginas desse pioneiro Almanaque.

Lembro-me das capas com ilustrações e fotos diversificadas, sempre coloridas e exaltando a beleza feminina. E com o passar do tempo foram evoluindo gráfica e tematicamente. Chegando a fazer referência aos componentes culturais e históricos de cada época e região. E na maioria das capas havia um espaço reservado onde o dono da farmácia colocava o nome e o endereço do seu estabelecimento comercial.
E a quantidade de remédios esquisitos que apareciam nos Almanaques: Asardol, Phosphol, Hespiza, Sinolina, Gonolina, Becolino, Vermífugo Kraemer, Eczemol, Jalapa Composta, entre outros... Na verdade, eu adorava esses nomes esquisitos e diferentes. Quanto mais difícil era o nome, mas eu gostava. Decorava tuuuudo!!. E na maioria das vezes nem sabia o significado. O importante na época, era falar bonito. Foi no Almanaque Catedral que li pela primeira vez, aos oito anos de idade, a palavra Gonorréia. Li também que para curar a Gonorréia era preciso injetar uma substancia chamada "Gonolina". E como eu lia tudo e todos os Almanaques da coleção de meu avô, pouco me importava se o ano era 1940 ou 1974 ... Eu queria mesmo era ler e aprender. Daí certa vez eu disse para minha avó:

- Ô vó! Acho que preciso tomar uma injeção de Gonolina...
- Ôxe! Como assim?
- É que eu tô com Gonorréia!! E é das “brabas”, viu...
- O queeeeee!!! Ai meu Deus...
- Besteira vó, eu li que na terceira aplicação os sintomas da gonorréia desaparecem...
- MEU FILHO !!! Você ainda nem completou nove anos...
- Eu sei vó... Mas não precisa se preocupar não! É só uma gonorréizinha de nada...
-Pelo AMOR DE CRISTO JESUS!!! É por isso que você tá amarelo desse jeito...O que foi que você andou fazendo? HEIN!!! Me diga logo... Vou mandar chamar o seu Pai, AGORA!!!!
- Ôxente vó? Pra quê chamar meu pai?
-Pra lhe dá uma SURRA BOA! Porque eu não tenho coragem de bater em neto doente. Ainda mais com uma doença dessas...
- Vóóó!!! Ave Maria... Que foi que eu fiz???
-Você ainda pergunta é!!! Você ainda Pergunta?
- Eu juro! Eu juro! Dessa vez eu não fiz nada ... Só estou com desinteria! E a senhora ainda quer mandar me bater.....
- Ãh????

Enfim! Sentiu o drama né? Gonorréia e Diarréia para mim eram a mesma coisa... Do tipo irmãs siamesas, da mesma placenta e univitelinas.... E o pior é que minha avó ficou olhando torto pra mim durante uma semana. Pode?
A saúde e a beleza da mulher são o destaque principal nas páginas do Almanaque "A Saúde da Mulher". Os assuntos pertinentes ao bem estar feminino foram largamente explorados e enalteceram a vaidade e os sonhos do público feminino. Afinal de contas, era A SAÚDE DA MULHER que estava em jogo...
O Almanaque D' SAÚDE DA MULHER


O Almanaque CAPIVAROL


O Almanaque do ELIXIR PRATA


O Almanaque GOULART


O Almanaque ISA


O Almanaque do BRISTOL e o Almanaque de um Laboratório da DÉCADA DE 30


O Almanaque do Lab. VELMON e o Almanaque do LICOR DE CACAU XAVIER


O Almanaque CALCIGENOL e o Almanaque SILVEIRA


O Almanaque do Dr. SCHILLING e o Almanaque do COLÍRIO MOURA BRASIL


O Almanaque FOSFOTONI e o Almanaque ELO (da pomada Minâncora)


O Almanaque GUARAÍNA


O Almanaque da BAYER e o Almanach PIUMHY


O Almanaque ELIXIR DE INHAME


O Almanaque RENASCIM

15 comentários:

Jôka P. disse...

Seus posts são hollywoodianos, verdadeiros "Ben-Hurs", superproduções dignas do lendário produtor da MGM, Louis B. Mayer.
E o que eram essas capas dos almanaques antigos, bacanérrimas e cheias de glamour ?!
A jovem e linda modelo da capa do "Almanaque Renascim 1971" (a última ilustração do seu post) é a então Miss Brasil, Vera Fischer.
Parabéns pelo espetacular trabalho de pesquisa e por ter esse olhar assim tão elegante e generoso sobre a nossa história e o nosso passado.

ana de toledo disse...

Marcos, muito obrigada pela visita ao Copablog!!
Um super abraço

Lusa Vilar disse...

Amigo,eu fiquei deslumbrada com a história desses almanaques que você reuniu aqui.Eu rí tanto com a sua suspeita de doença venérea aos 9 anos de idade!Realmente, quando se é criança a mente fabrica muito rápido, e a certeza da verdade é indiscutível. Acredita que eu aos 9 anos, quando via minha irmã Beta, mais velha do que eu quase 3 anos, reclamando de cólica menstrual e pedindo "atroveran" para minha mãe eu ficava morrendo de inveja! Pois certo dia, eu inventei que estava sentindo muita dor na barriga, aí minha mãe me trouxe 30 gotas do famoso remédio que minha irmã tomava quando estava "naqueles dias". Você não imagina o meu contentamento! Afinal, eu achava que minha mãe acreditara que eu também estava ficando uma mocinha. Qual não foi a minha decepção, quando um certo dia meu pai entrara casa a dentro chamando: Rita, Rita, arranja uma dose de "atroveran" para mim que eu estou me acabando de cólica. Minha mãe providenciou o remédio para ele e eu fiquei frustrada por compreender que o tal remédio era para qualquer tipo de dor, não era exclusividade para quem estava "naqueles dias". Fiquei tão desiludida, pensei naquela hora em pedir chupeta e colo de tão pequenina que me senti.Acho que tiveste o mesmo sentimento, passaste magicamente de homem velho promíscuo, para um bebê "cagoninho", kakakaa

Jannine disse...

Eu tb NÃO SOU do tempo da farmácia com PH e nem lembro dos almanaques...apesar de já estar digamos que perto de dobrar o Cabo da Boa Esperança (quero ver se vou à África ano que vem...hehehehe).
Mas como ler vc é cultura eu que vou viram um almanaque ambulante, tal e qual vc, agora!
Um cheiro.

p.s. Espero que vc não tenha ficado chateado, irado, assustado com meu último comentário, só fui sincera :))).

Marco disse...

Beleza de postagem, Marcão.
No ano passado eu escrevi um post sobre os almanaques. Eu me lembro muito bem deles, eu os ia pegar na Farmácia do Seu Henrique.
Vou te recomendar para uma amiga que é farmacêutica e também leu muito almanaque. Aliás ela me disse que eles ainda são impressos, sabia?
Foi maravilhoso rever as capas dessas preciosidades, onde eu via quando cortar o cabelo e também quando pescar, plantar batata (coisas que eu não fazia, mas sabia quando era a melhor época). Valeu!
Carpe Diem. Aproveite o dia e a vida.

Angela Ursa disse...

Marcos, eu adoro essas edições antigas. Elas têm um charme especial. Na minha infância, minha avó gostava muito também dos remedinhos homeopáticos. Eu tomei vários e me faziam muito bem. Acredito na sabedoria antiga :)) Beijos da Ursa

Claudinha ੴ disse...

Olá Marcos!
Recebi a indicação de seu blog pelo Marco, mas antes disto você já tinha me dado o prazer da visita!
Bem, simplesmente, adorei!
Sou farmacêutica, de família tradicional de farmacêuticos lá de Ouro Preto. Cresci lendo os almanaques dos anos 70 e ainda muitos outros guardados num baú antigo que eram pura alergia para meu nariz, mas que eu devorava. Estes para mim têm jeito de casa de vó, de criança que eu era, de curiosidade, de tempo gostoso. Hoje, ainda fazemos os almanaques simplezinhos aqui na cidade em que moro atualmente. Mas, a tecnologia tem tirado bastante o interesse das pessoas. Além de que neste ano, não fizemos para a farmácia em que trabalho. O preço está absurdo. Senti falta das piadinhas, das épocas de plantar isto ou aquilo e das curiosidades!
Como dizia um velho amigo meu, o Priguiça, Trem bão é coisa boa! E os almanaques certamente eram!
Vou seguir você e fiquei muito honrada e feliz em conhecer alguém que valoriza o passado. É a nossa História! Incrível a quantidade de lembranças que postou aqui com estas fotos. Belíssima pesquisa!
Beijo.

cristinasiqueira disse...

Realmente uma literatura de primeira
não só os vivíssimos almanaques que vc trouxe de longe mas o teu jeito
afetivo de contar a história.
Senti o cheiro das fármacias antigas,aqui na minha cidade o Sêo Juquinha curava todos os males com um xarope cor de rosa.Moro em Tatuí
cidade do interior do estado de São Paulo e os nossos caboclos vinham à cidade ,traziam a família e levavam os almanaques para ler as informações de plantio,colheita.
Este Brasil do Jeca Tatu.Meu pai tinha um grande armazém de secos e molhados, vendia no atacado e no varejo.Tudo era no peso.Fumo de rolo no metro.Querosene na bomba...
Bom...Viajei nos queijos faixa azul,nos biscoitos recheados,nas balas tofe. A sacaria de açúcar cristal,alfafa para servir a potranca,arame farpado,grampo de cerca,chapéu de aba larga,alpargatas.

Com carinho,

Cris

Cris

Márcia(clarinha) disse...

Que viagem fantástica eu fiz com seus almanaques, fui num tempo onde só ouvi falar, parei onde conheci e senti saudade, fui além e revi belas mulheres que me causavam inveja ilustrando capas bem feitas, que viagem!!

Sou do tempo dos bondes e neles podíamos ler "reclames" super bem produzidos de remédios que nos davam água na boca [até tomar o primeiro gole, rss] tomei muito óleo de fígado de bacalhau e nunca soube porque, calcigenol para os ossos e Biotônico Fontoura abria o apetite, rss

"E aquele cheiro de remédio? E o banco de madeira para jogar conversa fora ou recuperar os sentidos depois de uma Benzetacil mal aplicada?" ........Que maravilhosa lembrança, adorei meu amigo.

Parabéns pela belíssima postagem.
lindos dias,
beijos

Robson Schneider disse...

Ese blog é perfeito viu! nossa os almanaques! quando pequeno eu adorava recorta-los pra fazer figurinhas, minha avó tinha aos montes.

RUBENS JANES disse...

Como é gostoso quando a gente acha coisas que fizeram parte da nossa infância; Quantas vezes a gente, criança ainda, passava nas farmácias já sem PH, para pegar os almanaques (lembro-me bem: Capivarol, Palmolive, Licor-de-cacau-Xavier, Fontoura, Catarinense e tantos outros. Outra coisa que buscavamos nas farmácias eram os mata-borrões para usar na escola, já que todos usavam as antigas canetas de madeira com aquelas penas que eram enfiadas nos tinteiros. Quantas vezes aqules penas me machucaram as pernas, pois a "mochila" não passava de picuás de pano. A vida éra difícil mas deixou saudades!

Inês disse...

Bom demis, voltei ao passado. Lembrei de coisas da minha mãe da minha tia.kk Faltou o chiclete ping-pong(no natal, eu e minhas irmãs pediamos ao papai noel), faltou o refrigerante Cruch, balas CHITA, KKK Este Blog é nota 1000.Valeu.Parabens.

Ilda Zancanaro/Curitiba/BR disse...

Meu Deus, como é que você "desenterra" essas maravilhas? Meu coração não aguenta tanta saudade... Esses almanaques deviam servir para tese de doutorado de algum historiador sabido. Que bom que existem pessoas com sua delicadeza, elegância e generosidade. Parabéns!

Anônimo disse...

Cara, voltei a infãncia. Parabéns pelo texto e principlamente pelas imagens.
O que aconteceu com nós, que deixamos tantas coisas boas para trás.....

Eduardo/MG

Mariangela disse...

Marcos, adorei o teu Blog! Ri demais com tuas crônicas!Gostaria de saber, se me autoriza a publicar tuas crõnicas no meu Blog:http://clubedosentasdecatanduva.blogspot.com/. Com o link embaixo para divulgação deste blog maravilhoso!Abraços, Marcos! Virei tua fã e seguidora. rs