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terça-feira, 27 de abril de 2010

O SERIADO - VIAGEM AO FUNDO DO MAR

Esta série marcou minha infância e a de muitas crianças no início da década de 70. “VIAGEM AO FUNDO DO MAR”, (Voyage to the Botton of the Sea) este foi o nome que a série recebeu aqui no Brasil. Foi exibida originalmente nos Estados Unidos entre 1964 a 1968. Num total de 110 episódios, dos quais 32 foram produzidos em preto e branco (1964-1965) e os outros 78 restantes, coloridos. No Brasil, foi apresentada no início dos anos 70 pela saudosa TV Tupi. Somente depois é que passou a ser exibida por outras emissoras.
A série contava a história de um submarino futurístico, atômico e nuclear (algo ultramegamoderno para época) conhecido como Seaview. Havia sido construído (a princípio) para ser um submarino de investigação marinha. No qual iria se desvendar os mistérios das profundezas oceânicas. Mas por se tratar de um projeto americano, acabou sendo requisitado – também - para fazer missões secretas de interesses militares. Algo assim: Combater as “forças subversivas” que ameaçavam a paz mundial. Sei...
E os enredos estavam quase que “declaradamente” ligados a Guerra Fria e seus conflitos. Como eu era uma criança alienada na época, nem percebia que os chamados “impérios hostis” e “os monstros do mar”, presentes nos episódios, eram nada mais nada menos que a URSS e seu exército vermelho... Epa! Parou. Pois se eu continuar criticando a ideologia persecutória americana vou looooonge meu bem. E termino por esquecer de falar do seriado. Rs!
Eu adorava aquelas histórias “exageradas” de perigo nos oceanos. Um monte de mentiras! Mas eu não queria nem saber.... Vibrava todos os dias com o que via em preto e branco na telinha. E que ninguém me pertubasse na hora do seriado, senão...
O sub-voador era um mini-submarino bem bonitinho... Todo amarelo onde cabiam apenas duas pessoas. Sua maior característica era de poder estar tanto nas profundezas do mar, quanto na imensidão dos céus. A gurizada vibrava quando aquele mini-submarino saia de uma fenda que se abria por baixo do Seaview. Era o máximo.
Os episódios da série mostravam tramas – deliciosamente – absurdas. Enredos que beiravam o bizarro de tão inacreditáveis que eram. E todas as semanas contavam-se as aventuras do Seaview, e de tudo o que acontecia durante suas missões. E nessas viagens apareciam de tudo mesmo! Desde monstros terríveis, sereias, alienígenas, terroristas, lobisomens e criaturas gigantescas.
O Submarino Seaview foi construído na Filadélfia, numa base secreta de investigação marinha conhecida como N.I.M.R (Nelson´s Institute for Marine Research). O projetista e construtor do submarino foi o Almirante Harriman Nelson, que por sinal era o dono do Instituto de Pesquisas Marinhas. Nas nossas brincadeiras, o meu irmão Camilo também tinha seu próprio Centro de Produção e Pesquisas. Ele chegou a projetar e construir as maquetes tanto do Seaview, como do sub-voador.Todas eram confeccionadas com papel e cola.
A bordo do “Seaview” estava uma tripulação formada pelo Almirante Nelson, Capitão Lee, Chip Morton, Chefe Sharkey, Kowalski, Patterson, Stu Riley, Sparks entre outros... E todos os meninos da época sonhavam em “ser” os personagens da série e fazer parte da tripulação do submarino. Eu mesmo adorava - na época - a idéia de morar no fundo do mar. E por diversas vezes planejei fugir de casa e ir morar no Seaview. Só não sabia como! Mas que essa idéia passou na minha cabeça, ah! Isso passou...
Assistíamos ao seriado e logo depois, no finalzinho da tarde, brincávamos de “Viagem ao Fundo mar” no quintal de casa... No começo era a maior briga para definir quem era quem. Um dizia logo: “Eu sou o Capitão Lee.” O outro decretava: “E eu, o Almirante Nelson!”... E assim a tripulação “fake” do Seaview ia se definindo. Eu como era o único gordinho da turma e não me parecia com nenhum dos personagens. Já gritava logo: “Eu quero ser todos os monstros do fundo do mar!”... E assim ficava definida a tripulação: Meu irmão Camilo (General Nelson); Edvan (Capitão Lee); Evanaldo (Chefe Sharkey); Alcides (Kowalski); Auriberto (Patterson)... E eu, tudo que era monstrengo, assombração, alma, duendes e terroristas. Saudades...
Foi na segunda temporada que se viu a mudança do preto e branco para o colorido, assim como a substituição permanente do “Chefe Curley Jones”**, devido a morte do ator Henry Kulky que interpretava o personagem. Quem o substituiu foi o Chefe Sharkey interpretado por Terry Becker. O Chefe Sharkey era um sujeito "turrão", bravo e com cara de chaaaato. Mas sempre foi o meu preferido! É que na minha fantasia de menino, ele era a cara do meu tio Geraldo...
Alguns autores e fãs do seriado afirmam que Irwin Allen (produtor da série) sugeriu aos diretores da então 20th Century Fox, a substituição da série por uma outra chamada “Terra de Gigantes” que ainda se encontrava em pré-produção. A proposta foi aceita e a “Viagem ao Fundo do Mar” foi encerrada... Afundou de vez! Ficando apenas nas profundezas do mar das nossas lembranças...
 Almirante Harriman Nelson (Richard Basehart); Capitão Lee Crane (David Hedison);
Chefe Francis E. Sharkey -1965-68- (Terry Becker); Oficial Chip Morton (Robert Dowdell); 
Marujo Kowalski (Del Monroe); Marujo Patterson (Paul Trinka);
Marujo Sparks (Arch Whiting); Chefe Curley Jones -1964/65** - (Henry Kulky);
 Marujo Clark -1964/65 –(Paul Carr); Marujo Stuart Riley -1965-67- (Allan Hunt);
Marujo Malone –1964 -(Mark Slade); Doutor Andrews (Richard Bull);

segunda-feira, 29 de março de 2010

LEITE DE COLÔNIA - LIMPA, ALVEJA E "AFORMOSEA" A MULHER !!!!!

Quem nunca escutou falar no Leite de Colônia... Aqueeeele! O primo do Leite de Rosas. Lembrou? Então, refiro-me a esta loção pra pele que há bastante tempo vem dividindo a preferência do povo brasileiro com o também conhecido Leite de Rosas. Algo tipo assim: Você prefere o Leite de Colônia ou o Leite de Rosas? Bem no gênero Emilinha Borba X Marlene. A minha avó era fã numero 01 do Leite de Rosas e não abria mão do seu cheirinho. Já minhas tias “solteironas” eram adeptas do Leite de Colônia. Diziam elas que para pele oleosa não tinha nada melhor... As impurezas da pele não resistiam ao poder adstringente do Leite de Colônia. E alfinetavam: “Não há pele que resista é aos estragos proporcionados pelo Leite de Rosas". E acrescentavam mais... O grande “barato” do Leite de Colônia estava no “pozinho branco” que ficava no fundo do frasco. Como assim??? “Barato” !!! “Pozinho branco”!!!.... Que eu saiba o Leite de Colônia tem “cheirinho” forte, mas é de talco misturado com álcool. Vixe! Vai saber... (Rs!)
 Anúncio da década de 30.
 Anúncio da década de 30.
 Anúncio da década de 30.
 Anúncio da década de 30.
 O Leite de Colonia é uma marca cuja fórmula foi desenvolvida há mais de 50 anos pelo médico “Dr. Arthur Studart”. E a tal fórmula “mágica” até hoje não foi revelada, sendo preservada de geração para geração. É por isso que se diz que ainda não inventaram nada melhor do que Leite de Colônia para limpar a pele. O Leite de Colônia é um tónico facial de origem portuguesa cujo jingle do produto foi fortemente veiculado em rádios e televisões de todo o país. Ainda ecoa na mente dos brasileiros as vozes alternadas de um homem e uma mulher cantando: “De colônia é o leite que você deve usar. Leite de colônia... Para a beleza realçar”. (Veja o link abaixo).
Ele é super baratinho! Encontra-se em drogarias, feiras livres, armarinhos e minemercados (... e nos mega/supermercados também!). O que eu mais gosto no Leite de Colônia é o estilo saudosista dos cosméticos das “Pharmácias” antigas. No inicio foi comercializado em recipientes de vidro e vinha dentro de uma embalagem que mais parecia uma caixa de xarope. E até hoje o tradicional frasco verde - mesmo sendo de plástico - ainda apresenta estilo e traços retrô.
O Leite de Colônia pode ser baratinho e eficaz para muitas coisas meu bem. Mas em termos de economia do produto... Deixa a desejar! Pense num “frasco fresco” pra desperdiçar o conteúdo. Eu já perdi as contas de quantas vezes aquele frasco já virou na pia! O danado do frasco só tinha a tampa e pronto. E não possuía sequer um bico dosador, o que promovia - com a queda - o total desperdício do produto. Dava uma raiva!
Minha irmã mais velha - no tempo dos cravos e das espinhas - inventava uns “unguentos” a base do Leite de Colônia para passar no rosto dela. Lembro ainda do passo a passo: Primeiro jogava-se 05 comprimidos de melhoral (adulto) dentro do frasco de Leite de Colônia. Daí deixava-se descansar uma noite inteira até dissolver “os melhorais”. E depois era só limpar o rosto com algodão e passar o tal “unguento” duas vezes ao dia durante 20 minutos. Se resolveu o problema das espinhas? Acho que sim... Ah! Não lembro... Sei que hoje ela não tem espinhas, já fez plásticas e colocou botox. Pronto! Falei...
O Leite de Colônia está no mercado brasileiro desde o ano de 1960. Mas já existia em Portugal e parte da Europa. O médico “Dr. Arthur Studart” ao desenvolver a fórmula pensou num produto cuja fragrância sequer se aproximasse dos demais produtos do mercado. E parece que conseguiu... Eu particularmente não conheço “aroma algum” que se aproxime da fragrância do Leite de Colônia. Vocês conhecem?

ERA UMA VEZ UMA SOLTEIRONA ...


Luiza, Maria e Rosinha eram três irmãs. Luiza estava casada e Maria já era noiva... Rosinha, porém, usava a maquilagem excessiva, esquecia-se da beleza e era ainda uma “solteirona”. Certa vez numa loja, indicaram-lhe o Leite de Colônia dizendo: “Este é o embelezador da mulher. É o mais vendido e procurado por todas as jovens e senhoras em todo o Brasil.” Rosinha aplicou também o Leite de Colônia, corrigiu as imperfeições e tornou-se tão linda e foi tão feliz no amor quanto suas irmãs. E por lembrar de ser bela... Cupido lembrou-se dela”.


A propaganda afirmava (...e acho que ainda afirma): “O Leite de Colônia é ideal para limpar, revitalizar e tonificar a pele. Dadas as suas características de ação e limpeza profunda. Atua limpando a pele aonde outros não chegam. Protege a epiderme das agressões ambientais do dia a dia, deixando uma agradável sensação de frescura”. Bom, a verdade é que toda loção ou creme para o rosto prometem a mesma coisa. Sem exceção! Inclusive os produtos da “Cosmiatria Francesa”.... Agora, existem “aquelas madames” que se recusam a usar produtos populares. Só usam loções caríssimas e “importadas” para pele. E ainda ousam dizer que nunca escutaram falar no Leite de Colônia. Huuum! Sei... Por acaso elas esperavam ver o Leite de Colônia estampado nas páginas de propaganda da Marie Claire? Me poupem... Saibam que tanto o Leite de Colônia quanto o Leite de Rosas também servem para tirar o mau cheiro das Axilas (sovacos) meu bem... Mas alguns dermatologistas até aconselham o uso do Leite de Colônia/Rosas. Dizem que limpam tão bem quanto qualquer produto importado. Apenas recomendam o uso de um bom hidratante após a limpeza facial... Carolina Dickman que o diga!

 Anúncio da década de 40.
Durante anos foi essa caixa que acomodou o frasco do Leite de Colônia (hoje já não se usa mais). E o frasco em sua embalagem verde escuro era (...e ainda é) inconfundível nas prateleiras dos supermercados e drogarias. Hoje a embalagem passou por um “restyling” e a tampa foi adaptada para dosar melhor o líquido, evitando assim desperdícios (ainda bem!). E o tradicional frasco agora possui novas cores e novas fragrâncias. Além de um novo sabonete aromático, com a fragrância inesquecível do Leite de Colônia.




Vejam o vídeo:

quinta-feira, 25 de março de 2010

AS "PELADAS" NO MEIO DA RUA .

No meu tempo de menino se jogava “pelada” em tudo que era canto. Meio da rua, terreno baldio, corredores do colégio, sala de aula, garagem do prédio... Não importava se era no calçamento, na terra ou no cimento. Onde tivesse espaço pra bola correr, ali era o lugar. E o pior, na maioria das vezes se jogava descalço em plena rua. Bastava juntar de 05 à 20 meninos e a festa tava feita. Pra início de conversa e de jogo, tudo ou “quase tudo”, se tirava no par ou ímpar. A partir daí se decidiam os times; quem ia jogar de costas pro sol; o placar e a hora de virar (até porque não tinha hora pra acabar a pelada). E os times eram sempre “os de camisa” contra “os sem camisa”. O campo era a rua e as barras do gol eram definidas com pedaços de pau, pedras de calçamento, bolinhos de camisas e/ou as tradicionais chinelas havaianas (uma por cima da outra) nas extremidades.
E essa coisa de dizer que em peladas no meio da rua não tem regras... Mentira! No meu tempo tinha sim! Não eram todas de acordo como manda a FIFA (lóógico!), mas existiam. E mesmo depois das “arengas” e dos “bate-bocas” até que eram respeitadas. Se bem que na maioria das vezes todo mundo era juiz, todo mundo atacava e todo mundo defendia. Mas tudo isso dependia do tipo da pelada. Se o campo fosse só até o fio da calçada, calçada e rua, rua e calçada do outro lado. Era pelada simples de dois/três toques e nem precisava de um goleiro metido feito eu. Agora se a pelada fosse “clássica”, tomava-se o quarteirão inteiro. Saibam caríssimos e caríssimas, que era preciso muita paciência pra se jogar bola no meio da rua. Uma vez que a toda hora passava carro, gente, moto e bicicleta. A rua era publica, sabíamos disso. Mas a molecada não tava nem aí. Pedestres desconhecidos e bicicletas tinham mais é que passar lá pela calçada ou por outra rua. O jogo só parava no caso de caminhão grande pra cima. O resto, bicicletas, fusquinhas e motos levavam boladas. Abria-se passagem também para as mães, irmãs, tias e avós dos peladeiros. E só!
Outra coisa, ser o dono da bola de couro, era o Máximo. Questão de status! Pois quem a tivesse, jogava no melhor time. Nesse caso não existia essa história de tirar par ou ímpar para escalar o time! O dono da bola escolhia quem bem entendesse. E o restante era desafiado por ele. Quando o guri dono da bola era legal, corria tudo bem. Mas quando o dono era um metidinho e que de repente - do nada - decidia: “Ah! Vou brincar mais nããão...” Daí pegava a bola e ia para casa. Freeeesco! Por isso era sempre bom ter uma bola de reserva. Mesmo que fossem aquelas “bolas de meia” (feitas de meias de algodão com jornal velho por dentro). Na verdade se jogava com qualquer coisa que embolasse. A “secura” por bola era tanta que - na ausência de uma - valia chutar pedra, chinelo e lata vazia. E na escola se chutava: O apagador de giz; o livro de matemática; a caixa de lápis de cor e a lancheira das meninas que sentavam na frente. E no auge do desespero se oferecia até o irmão menor pra servir de bola (lembra disso Alcides Gomes? Rs!).... Êpa! Parou, Parou! Não dispersa Dhotta...
Bom, depois que todo o time era escalado, sempre sobravam os mancos, os de óculos, os asmáticos e os gordinhos. Eu sempre fazia parte da trupe dos excluídos e já estava acostumado. Mas lembro que na época, tinha um menino que ficava “arretado”. É que ele tinha uma perna maior que a outra e não se conformava com a exclusão. Brigava até conseguir entrar no time. E conseguia! Agora, aqui pra nós... De todos os gordinhos excluídos o mais cheiroso, arrumado e penteado, era EU! E quer saber... Sinceridade? Eu confesso: Nunca fui escalado pra jogar no meio de campo por que EU ERA MUITO RUIM DE BOLA. Verdade! E quando entrava no time era como goleiro. Goleiro e olhe lá! Pois só entrava em último caso, quando ninguém mais queria participar. Daí eu ficava correndo de um lado para o outro dentro da barra. Me “amostrando” e fazendo “Pantim” com havaianas enfiadas por entre os dedos das mãos (as luvas, tá!). Como se fosse capaz de receber uma bolada na “caixa dos peito”, impedir um gol e ainda SOBREVIVER... Que nada! Morria de medo de levar uma bolada (bicudo) nos “egss”.
E quanto aos jogadores/peladeiros? Ah! Tinha de tudo quanto era tipo. Lembro de um que na hora da marcação entrava em desespero e fazia valer tudo... Puxar pela camisa, dar rasteira, cotovelada e empurrão. O importante era não deixar ninguém fazer o gol. E tinha aquele que só queria ganhar. Pois toda vez que o time (dele) começava a perder - o bestão - inventava uma “marmota”. Dizia que tava com “Dor - de - Viado”; que tinha “dismintido” o pé ou que estava com câimbra nas pernas. No entanto, existiam aqueles peladeiros descalços que só saiam do jogo quando arrancavam o pedaço do dedão do pé no calçamento... Nesse caso o menino ia pra casa fazer o curativo (esparadrapo, gaze, mertiolato e pó secante). Chorar? Podia não! E quem disse que menino metido a macho nascido no interior do nordeste chora por qualquer coisa? O choro ficava para depois que o sangue esfriasse meu bem.
Havia também os que reclamavam o tempo todo: Foi mãããão! Saiu, saiuuuu...; Não, correu pra foooora...; Foi falta porra!; Foi Penalti, num viu não foi? Seu “fí de rapariga”!... Êpa! Aí a coisa ia esquentar. Pois xingar a mãe do colega era meio passo pra uma briga... Impedimento total (rs!). E tinha os calados que nem pra gritar Ladrão e FDP serviam. Tinham aqueles “limpinhos” que não queriam se sujar e nem dar cabeçada, que era pra não despentear o cabelo. E aqueles que só queriam ser “o tal”, aparecer, traçar, driblar e rebolar... (um fenómeno!). E tinha os “abestalhados” que ficavam narrando seus próprios lances... “E lá vou Eu, passa por um, passa por dois, bateeeuuu... É gooool”. E enquanto meus colegas arrasavam em campo, eu torcia para que o jogo acabasse logo. Não via a hora de tomar uma “Crush” bem gelada no barraco de Dona Dulce. Era muita Emoção... (Rs!).
Pelada de rua só terminava por um único motivo... Mães desesperadas gritando: "Entra agoooora!!!! Já pra dentro. Ta na hora de tomar banho e fazer a lição de casa". Pronto! O mundo acabava ali. Era menino com cara de choro, “emburrado’, “esperneando” e se escondendo... Mas não tinha outro jeito. Se teimasse, era pior. A mãe vinha buscar o guri pelas orelhas (vergonha mortal!). Fazer o que? Tinha que entrar mesmo. Melhor entrar “agoooora”... Do que ficar trancado em casa - de castigo - no outro dia. E ninguém queria brincar sozinho de chute-a-gol na garagem ou no “oitão" de casa. E muito menos ficar batendo penalti com a irmã menor no portão de entrada. O fim! Mas enfim, a verdade é que nossas mães eram inimigas declaradas das peladas de rua. Pois no melhor da festa nos colocava pra dentro. Elas acreditavam que a qualquer hora poderíamos ser atropelados pelo caminhão do lixo ou por um fusquinha desgovernado. Huuum! Sei... Logo nós? Um bando de criancinhas inocentes, “cegas” e desprotegidas que sequer enxergam um caminhão “deeeeeeeeeeste” tamanho. Ah! Mães zelosas, amadas e exageradas.
E quando a bola ia parar em cima do telhado ou dentro do muro da casa de algum vizinho? Nesse caso a gurizada esperava alguns minutos pela devolução voluntária da bola. Caso não ocorresse, um ou mais guris iam bater na porta e pedi-la de volta. Se devolvida intacta, tudo bem. Mas se a bola fosse atirada por cima do muro toda “esfolada”, rasgada e "estraçalhada"... Ia prestar não! Era depredação na certa. Lembro que certa vez a bola caiu dentro do muro da casa de Dona Fulana (não direi o nome porque ela ainda está VIVA). E por azar, ainda “breou” de lama os lençóis estendidos no varal da casa dela... Misericordia!!!! Era tanto “nome feio” que ela dizia que eu tinha até vergonha de escutar. Esculhambava a mãe de todo mundo. E antes que ela botasse a cara por cima do muro e visse quem eram os pestinhas... Ah! “Pernas pra que te quero?”. Era tanto do menino correndo, se escondendo em tudo que era buraco, que não ficava um pra contar a história... Minto. Só ficava eu. O último. Eu e a bola que nem minha era! Eu sempre era o único a ser visto por ela. Também, entre a bola e eu, nem sei quem era mais redondo... Enfim. Gordinho, pesado e sem conseguir correr... Me lascava sempre. Presa fácil meu bem...
Não precisava mais que meia hora e o “fuxico” tava feito. Lá ia Dona Fulana contar o ocorrido pra minha mãe. E para minha mãe não tinha conversinha, nem “estorinha de mais nem menos”. Menino danado nunca tinha razão. E tome chinelada para deixar de ser teimoso. E a coitada da bola (que nem minha era - repito-) foi furada na peixeira, sem dó e nem piedade. Pensei comigo:“Tem nada não... Agora todos vão ver o que é um menino virado no cão dos inferno.” Estava decidido. Resolvi vingar-me de Dona Fulana! Pronto. Então chamei o dono da bola “barbaramente” assassinada (Duda de seu Zé Mendes), e combinamos que no domingo pela manhã - bem na hora da missa - iríamos pular o muro da casa dela e tocar fogo nos panos estendidos no varal. Coisa de menino ruim mesmo!
Dito e feito. Acordei já com a caixa de fósforos “ARGOS” no bolso. Só que chegando lá, o muro era cheio de pregos e cacos de vidro. Vidro de tudo quanto era tamanho e cor. Impossível pular sem se cortar. Ainda pensamos em colocar um pedaço de madeira por cima dos vidros e pular. Mas o tempo era curto e precisávamos agir rápido. Não tivemos outra escolha a não ser atirar pedras, pedras e mais pedras nos basculantes da casa dela... Mas atirar com gosto. Pra valer mesmo! Mas “minino”! Foi tanta pedra, mas tanta pedra... Que nem no tempo de Maria Madalena se viu um negócio daqueles... Não ficou um vidro de basculantes pra contar a estória. Depois saímos correndo feito loucos. Imagina se iríamos perder o restinho da missa. Precisávamos estar lá - bem à postos - junto aos fiéis. Pois assim que a missa terminasse, todos iriam ver o quão “santinhos” éramos. Um álibe perfeito. Digo, quase perfeito... Mas isso é uma outra estória.
Em resumo, NÃO NASCI PRA JOGAR FUTEBOL! Até porque nunca possuí características necessárias à um bom jogador. Sabe aquela intimidade que todo garoto tem com a bola? Jamais tive. Se ao menos tivesse um “tiquinho” de talento, quem sabe? Mas não, era péssimo com uma bola no pé. Não corria nada! Pesado e super lento. Uma bola correndo atrás da outra. Tendeu, né? Mas Deus sabe o que faz... Se tivesse nascido um “fenômeno” pra lidar com a bola, seria metido a besta. Um exagero! E a metade do possível para mim seria pouco. Pois todos os meus gols teriam que ser maravilhosos: Gols de Bicicleta, de placa, chaleira, volêio ou até mesmo algo - “Olímpico” - tipo: Duplo twist carpado, coisa e tal... Mas eu tentei, juro que tentei. Ganhei até um kit completo para jogador: Kichute, bola de couro, meião e camisa do Náutico. Mas de nada adiantou. Sequer fui chamado para jogos ou campeonatos esportivos na escola. Portanto, meu jogo preferido era a leitura e o meu exercício sempre foi o da atividade mental. Fazer o que?

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

TOMAR BANHO DE TALCO...

Minha avó materna adorava passar talco pelo corpo... E todo final de tarde lá estava ela - "xêroooosa" - sentadinha bordando. Em seu pescoço ainda se via os vestígios do Pó de Arroz . E eu perguntava: Já tomou seu "Banho de Talco" hoje? Ela simplesmente balançava a cabeça e sorria para mim.
Usar pó de arroz ou talco por todo o corpo era um hábito bastante antigo, milenar mesmo. Um costume próprio das mulheres orientais (chinesas e/ou japonesas). Somente depois é que se tornou peculiar às mulheres europeias (principalmente as inglesas e francesas). Já no Brasil a origem do pó de arroz se deu no início do.... ///// Êpa! Parou tudo. (Eu não sei porque estou a falar dos primórdios do milenar pó de arroz, se eu sou do tempo do pó de talco Palmolive.)... Portanto, no tempo do talco Palmolive - Década de 70 - O pó vinha dentro de um cone cilíndrico de papel. E o tal papel da embalagem era mais grosso do que o papel de enrolar prego... E daí que depois do frasco seco, eu e meus irmãos brincávamos de fazer cofrinho com ele. Pronto!

Então! Como ia dizendo, minha avó materna tinha verdadeira adoração por talcos de tudo quanto era tipo. Dos mais finos, trazidos de Paris por sua amiga Luzia Rêgo, até os vendidos no balcão da mercearia do meu pai. Ainda lembro de alguns: Gessy, Palmolive, Vinólia (esses sempre foram em latas), Ross, Seiva de Alfazema, Cinta Azul, Lux, Topaze (Avon), Un Joyel (Myrurgia), Coty, Bonzano, Alma de Flôres (lembro de alguns cuja embalagem era de plástico e na cor azul), Cashmere Bouquet, Rastro...

As minhas tias também tomavam "Banho de Talco" antes de se entregarem nos braços de Morfeu... (só iam pra cama polvilhadas com talco, pode?). Acredito que naquela época sequer existiam os hidratantes corporais. Ainda bem, pois não consigo imaginar minhas tias se lambuzando de hidratante monange, tal qual Xuxa no comercial da TV.

As lembranças que tenho do pó de arroz é que vinha dentro de umas caixinhas "bem bonitinhas" e coloridas. Também recordo daqueles talcos perfumadíssimos da Avon e das latas de metal decoradas com desenhos coloridos ( como as que aparecem nas fotos exibidas ao longo do post ). Todos esses talcos com cheiros da minha infância estão associados a uma sensação de bem-estar, conforto e nostalgia de um tempo super mágico para mim.

Infelizmente aquela nostalgia das caixinhas do pó de arroz, bem como o charme das antigas latas de metal, se perderam no tempo. O que vemos agora são modernas embalagens de plástico de multinacionais despersonalizadas.

Eu nunca tomei um "Baaaaanho de Talco"... Mas lembro que só usei talco em alguns momentos de minha vida... Quando ia cortar o cabelo e o barbeiro vinha com uma "mini vassourinha" cheia de talco a passar no meu pescoço. Usava também para acabar com o cheiro de chulé dos meus kichuts e nas manhãs de domingo de Carnaval... No famoso Mela-Mela! Que era uma brincadeira divertidíssima, porém de extremo mal-gosto. Confesso que fui uma criança politicamente incorreta neste quesito... Eu, Duda de seu Zé Mendes e Anchieta de seu Liu nos posicionávamos próximo à calçada da igreja. E cada qual com sua bisnaga de água e um frasco do talco Cinta Azul (comprados na mercearia de meu pai) atacávamos exatamente aquelas pessoas limpinhas, limpinhas... Por isso é que ninguém gostava de sair às ruas no domingo de Carnaval pela manhã. Aqueles que ousavam por os pés fora de casa, é porque já sabiam do mela-mela e queriam melar-se também. Valia tudo no mela - mela, quando acabava o talco se comprava farinha de trigo,farinha de mandioca, maizena, coloral, cuminho... E até o resto das cinzas do fogão á lenha eram usados. Mas quando dava meio-dia o mela-mela se encerrava. Estava na hora de voltar para casa e tomar banho... E o banho já não era mais de talco, e sim com bastante agua e sabão... Bons tempos!!!!

E quem disse que talco era coisa só de mulher? Nunca foi caríssimos/as... Meu tio Luís da Penha usou talco a vida inteira. Assim que saía do banheiro lá ia ele tomar outro banho, desta vez com talco. Espalhava aquele pó branco pelo corpo todo... E haja talco meu bem! Ele era "enooorme" e pesava aproximadamente cento e cinco quilos. O problema todo é que ele usava o talco "infantil" Johnsons dos próprios filhos. E não adiantava sua esposa comprar talco Johnsons para "adultos" que ele não usava. O seu perfume era este: O cheiro do talco infantil da Johnson&Johnson. Esteja onde estiver, tenho certeza que... Sua "alma cheira a talco/ como bumbum de bebe." (Gilberto Gil). Saudades....

Houve um tempo em que dar "Banho de Talco" nos bebes era algo bastante comum também. Só que hoje em dia os pediatras não mais aconselham. Dizem que as partículas do pó do talco são tão finas que podem entrar nos pulmões da criança e causar problemas respiratórios graves.

E pensar que cansei de ver minha mãe (desavisada na época) juntamente com a babá de minha irmã mais nova, promovendo um verdadeiro Carnaval de fumaça de pó de talco. Na hora de trocar a fralda da coitadinha da minha irmã, eu via o frasco de pó sendo sacudido pra cá e pra lá e o "fumacê" tomando conta do quarto. Eu acho que minha irmã Betânia até hoje é viciada em talco Pom-Pom e não sabe... Vai ver que é por causa disso que a "bichinha" ficou daquele jeito... Agitadíssima! E a culpa toda? Lógico que foi do talco Pom-Pom meu bem.

Enfim, os talcos infantis da minha época eram: Talco Ross, Gessy, York, Johnson&Johnson, Granado e o Pom-Pom. E tem mais... Eu já escutei falar que algumas mães da zona rural usavam Maisena, Arrozina e até goma seca de fazer tapioca como anti-séptico infantil. E quer saber, acho que funcionava. O estranho era pensar que: O produto que fazia o mingau do bebe servia também para polvilhar os bumbuns dos mesmos... Não era o máximo!